Documentário sobre Humberto Mauro é destaque em Veneza

 
 
6.8.2018 - 11:10  
O documentário Humberto Mauro retrata a obra do cineasta mineiro, que foi pioneiro no audiovisual brasileiro, sendo responsável pela produção de mais de 350 filmes (Foto: Divulgação)
 
 
A trajetória de Humberto Mauro, um dos maiores cineastas brasileiros, será destaque na mostra Venice Classics Documentary Films, da 75ª edição do Festival de Veneza, que será realizado de 29 de agosto a 08 de setembro deste ano, na Itália. Dirigido por André Di Mauro, sobrinho-neto do cineasta, o documentário Humberto Mauro retrata a obra do mineiro, que foi pioneiro no audiovisual brasileiro, sendo responsável pela produção de mais de 350 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens. O documentário – realizado com apoio do Centro Técnico Audiovisual (CTAv) do Ministério da Cultura (MinC) – fará sua estreia mundial no dia 5 de setembro. 
 
André Di Mauro conta que o documentário era um sonho antigo que começou a ser desenhado há quase dois anos. "Desde que escrevi a biografia Humberto Mauro: o pai do cinema brasileiro, eu tinha a vontade de realizar um documentário sobre a história dele no audiovisual", afirma. 
 
A seleção do documentário pelo Festival de Veneza marca também os 80 anos da participação de Humberto no evento. "Ficamos muito felizes pelo fato de o filme ter sido selecionado. A ida ao festival é, para nós, muito emblemática. Em 1938, Humberto Mauro foi responsável pela primeira participação de produções brasileiras em um festival de Veneza, que é o mais antigo do mundo", destacou. 
 
O documentário traz imagens da chegada de Humberto Mauro ao festival em 1938. "Estrear esse filme, 80 anos depois, tem um imenso valor para todos que trabalharam nesta produção. Quando esteve em Veneza, na então 6ª edição do Festival, Humberto Mauro apresentou três filmes: o Descobrimento do Brasil, Vitória Régia e O Céu do Brasil. O primeiro, Descobrimento do Brasil, era uma superprodução para os padrões da época. Foi o filme mais caro já produzido no País até aquele período", ressaltou. 
 
Inovação 
 
Com uma narrativa que busca fugir do clássico formato de documentários, o filme Humberto Mauro ganhou, na avaliação de André, uma dimensão artística significativa. "Em termos de criação, fizemos uma opção um pouco arriscada. Em vez do formato clássico de documentário, com entrevistas sequenciais, preferimos que o próprio Humberto Mauro contasse sua história por meio de suas obras", explicou. 
 
De acordo com o diretor, durante o período de pesquisa, foi possível reunir um material muito rico, que inclui entrevista concedida por Humberto a uma emissora de tevê, nos anos 60, na qual, em uma espécie de capsula do futuro, o cineasta mandava recados para quem o estivesse assistindo entre 2016 e 2020. "A entrevista contém até mesmo mensagens para parentes, o que foi muito emocionante para mim, que sou sobrinho-neto dele", declarou André Di Mauro. 
 
CTAv
 
O Centro Técnico Audiovisual (CTAv), segundo André, foi um parceiro fundamental durante a produção e etapa de finalização e mixagem do filme. "A história de Humberto Mauro se confunde muito com a própria história do CTAv, que absorveu o acervo de filmes produzidos pelo Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), concebido pelo professor Edgar Roquette Pinto e criado em 1936 pelo Ministério da Educação e Saúde. O CTAv tem uma relação histórica com Humberto Mauro", orgulha-se. 
 
André Di Mauro afirmou que, para realizar o documentário, foram utilizados materiais coletados em 70 filmes produzidos por Humberto Mauro. "Até mesmo nesse processo de seleção dos filmes, o CTAv teve um papel decisivo.  Além disso, pudemos contar com o Centro Técnico Audiovisual nas etapas da pesquisa e, por meio do edital de mixagem, terminar o filme. Reconheço a enorme contribuição dada pelo centro à produção", enfatizou. 
 
Festival de Veneza
 
A 75ª edição do Festival de Veneza homenageia o cineasta David Cronenberg e a atriz Vanessa Redgrave. O festival contará com o diretor Guillermo del Toro, vencedor do Leão de Ouro no ano passado, com A Forma da Água, como presidente do júri. 
 
Acervo Humberto Mauro
 
O CTAV tem hoje em seu acervo cerca de 260 dos 350 filmes produzidos por Humberto Mauro ao longo da carreira. Entre os destaques do acervo estão:
 
Longas-metragens:
 
Thesouro Perdido
Braza Dormida
Sangue Mineiro
Lábios sem Beijo
Ganga Bruta
O Descobrimento do Brasil
Argila
Canto da Saudade
Carro de Bois
 
Curtas-metragens:
 
1936
Um Apólogo, Machado de Assis
O Céu do Brasil
Colônia de Psicopatas de Jacarepaguá
Dia da Pátria
Os Inconfidentes
Mocroscópio Composto
Os Músculos Superficiais do Homem
O Preparo da Vacina Contra a Raiva
O Telégrafo
 
1937
O Céu do Brasil
Dança Regional Argentina
Entrega das Instalações da PRA-2 ao M.E.S.*
Papagaio
Telúrio
Universidade do Brasil
Vitória Régia
 
1938
Exposição José Bonifácio
Método Operatório do Prof. Maurício Gudin
Operação de Hérnia pelo Prof. Maurício Gudin, Uma
Operação de Apendicite pelo Prof. Maurício Gudin
Preparação da Vacina da Febre Amarela pela Fundação Rockefeller
 
1939
Um Apólogo
Cerâmica Marajó
Copa Roca – 1º Jogo
Hospital de Curupati
Leishmaniose Visceral Americana
Miocárdio em Cultura
Propriedades Elétricas do Puraquê
O Puraquê
 
1940
Lagoa Santa
 
1941
Congadas
 
1942
Carlos Gomes
Cidade de Minas – Cataguases
Desportos
Demonstração de Peças Anatômicas
O Despertar da Redentora
Dragãozinho Manso
Fabricação de Pregos
 
1943
Gravuras – Ponta Seca
 
1944
Aspectos de Resende
O Escravo – Carlos Gomes
Euclydes da Cunha
 
1945
Aspectos do Sul de Minas
Brasilianas nº1 – Chuá-Chuá e Casinha
Pequenina
Carro de Bois
Serviço Nacional de Tuberculose
 
1948
Brasilianas nº2 – Azulão e pinhal
Castro Alves
 
1949
Alberto Nepomuceno
 
1950
Tratamento cirúrgico da Sinusite
 
1952
Gravuras – Água-forte
Gravuras – Ponta seca e Buril
 
1954
Brasilianas nº3 – Aboio e Cantigas
Higiene Rural – Fossa Seca
Nem tudo é Aço
Volta Redonda Como Hoje É
Associação Crsitã Feminina do Rio de Janeiro
Brasilianas nº4 – Engenhos e Usinas
Brasilianas nº5 – Cantos de Trabalho
Higiene Doméstica
Preparo e Conservação dos Alimentos
 
1956
Brasilianas nº6 – Manhã na Roça
O João de Barro
Meus Oito anos
 
1957
Belo Horizonte
 
1958
Brasilianas nº7 – Cantos de Trabalho nº2 (inacabado)
O Café
Largo do Boticário
São João Del Rey
 
1959
Um Apólogo (nova versão)
Dragãozinho Manso (reedição)
 
1960
Brasília
 
1962
O Papel
 
1964
A Velha a Fiar
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura