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Equador sedia Congresso Latino-Americano de Cultura Viva

 
 
20.11.2017 - 11:06  
A primeira edição do Congresso, na Bolívia, se deu em maio de 2013, quando a cidade de La Paz recebeu cerca de 1.200 ativistas artístico culturais de 17 países de América Latina (Foto: IberCultura Viva)
 
 
Começa nesta segunda-feira (20) em Quito, no Equador, a terceira edição do Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária. O evento, organizado pela Rede Equatoriana de Cultura Viva Comunitária, deverá reunir 800 congressistas provenientes de redes, coletivos e organizações culturais de 18 países da América Latina.
 
Até 25 de novembro, serão seis dias de espetáculos, palestras, debates, exposições, feiras, círculos da palavra e percursos culturais. O MiinC estará representado pela secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural, Débora Albuquerque, e pela diretora da Diversidade Cultural, Renata Carvalho Ferreira Machado.
 
Entre os objetivos do encontro, que tem como tema "Ser comunitário", estão a criação de um espaço de intercâmbio e articulação de experiências e redes de cultura viva comunitária em todo o continente e a recuperação e o fortalecimento de iniciativas legislativas e de política pública estatal em relação à manutenção de experiências culturais comunitárias.
 
A programação completa ocupará diferentes bairros de Quito. De 20 a 25 de novembro, o ponto de encontro será a Casa de la Cultura Ecuatoriana, mas haverá atividades em vários pontos da cidade, como as Universidades Central, Católica, Andina e Salesiana, o Museu de Medicina, o Teatro Nacional, o Teatro Politécnico Nacional, o Parque Cumandá, as Casas Pukará e Machankara, além de ruas e praças do Centro Histórico da capital equatoriana.
 
"Tem sido uma experiência de organização colaborativa, 34 comunidades estão trabalhando em torno do congresso", conta Isaac Peñaherrera, que é integrante da Associação Nina Shunku e da Rede Equatoriana de Cultura Viva Comunitária e há dois anos participa da comissão organizadora do evento. "Acreditamos que este investimento na localidade ajuda a potenciar muito o trabalho que as organizações culturais comunitárias vêm desenvolvendo." 
 
Ao longo dos seis dias do evento serão abordadas as seguintes temáticas: Autonomia, soberania e território; Economia social e sustentabilidade; Legislação e políticas públicas; Comunicação comunitária; Educação comunitária; Arte e comunidade; Gênero e diversidades; Saúde intercultural; Espiritualidades e ancestralidades; Memória, identidade e patrimônio.
 
Rede de cidades 
 
Nos dias 22 e 23, em programação conjunta com o 3º Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária, será realizado no Centro de Convenções Eugenio Espejo o 2º Encontro de Redes IberCultura Viva. A atividade central desse encontro será a mesa "Rede de Cidades", em que será debatida a criação de uma rede de governos municipais e/ou estaduais associados a IberCultura Viva, com o fim de avançar no estabelecimento de políticas culturais de base comunitária em nível local e/ou estadual, além de mecanismos de adesão ao programa.
 
Edições anteriores
 
Ainda que contem com aportes governamentais, os Congressos Latino-americanos de Cultura Viva Comunitária são iniciativas da sociedade civil, organizadas por redes latino-americanas de cultura viva comunitária. A primeira edição, na Bolívia, se deu em maio de 2013, quando a cidade de La Paz foi "tomada poeticamente por assalto" por cerca de 1.200 ativistas artístico culturais provenientes de 17 países de América Latina.
 
Participaram do Congresso de La Paz 35 representantes de governos, formando uma aliança em torno de políticas públicas que possam garantir 0,1% dos orçamentos públicos para a Cultura Viva Comunitária e uma rede de cidades criativas pela Cultura Viva Comunitária. Finalizado o congresso, foi elaborado de maneira coletiva um manifesto denominado "Declaração de La Paz", no qual os participantes ressaltaram o que havia significado esse evento e algumas de suas perspectivas.
 
Já o 2º Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária foi realizado em El Salvador, um país marcado por lutas, conflitos, massacres e que vivia um momento histórico com um governo que buscava promover a mudança social por meio da cultura. O evento foi organizado pela Rede Salvadorenha de Cultura Viva Comunitária com o apoio da Secretaria de Cultura da Presidência, de 27 a 31 de outubro de 2015, sob o lema "Convivência para o bem comum".
 
Durante cinco dias, cerca de 500 congressistas da América Latina e do Caribe participaram de conferências, fóruns, debates, reuniões, oficinas, apresentações e visitas a comunidades. A cordialidade, o respeito e o espírito de irmandade marcaram o encontro antes, durante e depois. Na plenária final, na Concha Acústica da Universidade de El Salvador, os participantes se juntaram para celebrar o encontro e anunciar que o próximo "congresso da cultura da alegria e do afeto" seria no Equador, em 2017. 
 
O programa
 
IberCultura Viva é um programa intergovernamental de cooperação técnica e financeira voltado para o fortalecimento das culturas de base comunitária dos países ibero-americanos. Está vinculado à Secretaria Geral Ibero-americana (Segib) e atualmente conta com 11 países membros: Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, El Salvador, Equador, Espanha, Guatemala, México, Peru e Uruguai.
 
Um de seus principais objetivos é promover a criação de redes, alianças e intercâmbios para a ação conjunta entre os diversos atores sociais e governamentais, propiciando o desenvolvimento de uma cultura cooperativa, solidária e transformadora. Uma cultura viva, comunitária e sem fronteiras.
 
Teresa Albuquerque
IberCultura Viva