Cultura divulga representante brasileiro na disputa ao Oscar

12.9.2016 - 14:40  
Pequeno Segredo conta a história da família Schurmann, que vive ao redor do mundo a bordo de um veleiro, e têm suas vidas transformadas ao receber a menina órfã Kat (Foto: Divulgação)
 
 
O Ministério da Cultura (MinC) divulgou, nesta segunda-feira (12/9), na Cinemateca Brasileira, a indicação de Pequeno Segredo, do diretor David Schurmann, para concorrer a uma vaga na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2017.
 
O longa, escolhido entre 16 títulos nacionais, foi selecionado por uma comissão especial formada por nove integrantes especialistas no setor audiovisual. A quantidade de filmes inscritos é reflexo do momento atual do cinema brasileiro, que, em 2015, igualou a quantidade de títulos lançados em 2013. O Ministério da Cultura parabeniza todos os inscritos e deseja sorte ao escolhido.
 
Pequeno Segredo passará agora pelo processo seletivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que selecionará os cinco indicados ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A 89ª cerimônia do Oscar está marcada para 26 de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
 
Com roteiro de Marcos Bernstein, o filme conta a história da família Schurmann, que vive ao redor do mundo a bordo de um veleiro, e têm suas vidas transformadas ao receber a menina órfã Kat. 
 
O brasileiro Marcos Bernstein também escreveu, ao lado de João Emanuel Carneiro, o roteiro de Central do Brasil (1998), de Walter Salles, vencedor do prêmio Sundance/NHK de roteiro e do Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim.
 
Já o diretor, David Schurmann, conta com 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Filho do meio da família Schurmann, já dirigiu filmes, séries para TV e filmes publicitários e é o CEO das empresas da família.
 
Filmado no Brasil e na Nova Zelândia, o filme traz no elenco e na produção nomes nacionais e estrangeiros, como os atores brasileiros Julia Lemmertz, Marcello Antony e Maria Flor; o peruano Inti Briones (fotografia) e a alemã Brigitte Broch (direção de arte).  
 
Além de Pequeno Segredo, outros 15 filmes concorreram à indicação: Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, Chatô - O Rei do Brasil, de Guilherme Fontes, Mais Forte Que o Mundo - A História de José Aldo, de Afonso Poyart, Nise - O Coração da Loucura, de Roberto Berliner, Campo Grande, de Sandra Kogut, Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil, de Belisário Franca, O Roubo da Taça, de Caíto Ortiz, A Despedida, de Marcelo Galvão, O Outro Lado do Paraíso, de André Ristum, Uma Loucura de Mulher, de Marcus Ligocki Júnior, Vidas Partidas, de Marcos Schechtman, Tudo Que Aprendemos Juntos, de Sérgio Machado, O Começo da Vida, de Estela Renner, A Bruta Flor do Querer, de Andradina Azevedo e Dida Andrade, e Até Que a Casa Caia, de Mauro Giuntini. 
 
Desde 1962, 45 filmes brasileiros já foram inscritos para o Oscar e apenas quatro conseguiram ser indicados: O Pagador de Promessas, O Quatrilho, O Que é Isso, companheiro? e Central do Brasil. Nenhum deles ganhou o prêmio. O filme Orfeu Negro, produção conjunta de Brasil, Itália e França, dirigida pelo francês Marcel Camus, levou o Oscar, mas concorreu pela França. O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, foi pré-indicado pela Academia, que o considerou um dos nove melhores entre os 63 filmes inscritos em 2008, mas não conseguiu ficar entre os cinco finalistas.
 
Os filmes brasileiros selecionados para concorrer à indicação nas últimas seis edições do Oscar foram: Que Horas ela Volta?, de Anna Muylaert (2016); Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro (2015); O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho (2014); O Palhaço, de Selton Mello (2013); Tropa de Elite 2: o Inimigo agora é Outro, de José Padilha (2012); Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto (2011); e Salve Geral, de Sérgio Rezende (2010).
 
Bruno Barreto fala sobre a escolha dos filmes para o Oscar
 
Bruno Barreto, diretor de filmes aclamados pelo público e pela crítica, como Dona Flor e seus dois maridos, O que é isso, companheiro? e Última parada 174, integrou a comissão especial responsável pela seleção. Em entrevista exclusiva ao site do Ministério da Cultura (MinC), ele falou sobre a responsabilidade de eleger o representante brasileiro.
 
Como você recebeu o convite e qual a importância de integrar a comissão? 
Acho bacana a oportunidade de estar no comitê de seleção. Fui convidado por Alfredo Bertini, na gestão do ministro Marcelo Calero, que me chamou para substituir o diretor Guilherme Fiúza. Já participei dessa comissão em 2007, quando foi escolhido o filme O ano em que meus pais saíram de férias.
 
Que elementos considera importante em um filme que concorrerá ao Oscar?
A categoria de melhor filme em língua estrangeira é muito específica, tendo em vista que o filme é escolhido por uma comissão de voluntários formada por pessoas mais velhas. Se você tem 30, 40 anos, está trabalhando, não pode ir às 16h ver um filme, ou trabalhou o dia inteiro e não pode ir ao cinema à noite, tem outras coisas para fazer. O comitê tem que ter tempo para ver os filmes nas projeções marcadas, não pode ver em DVD. A idade deles é muito alta, geralmente acima de 60 anos. Tem gente até que brinca, dizendo que se alguém quer ser indicado a melhor filme estrangeiro, bota um cachorro, uma criança ou velhinho de personagem principal, para ficar mais fácil de agradar. 
 
Temos uma trajetória de grandes filmes brasileiros escolhidos para  representar o país no Oscar. Fale um pouquinho sobre eles.
Por exemplo, Cidade de Deus foi eliminado do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e no ano seguinte, em 2004, concorreu a quatro Oscar importantes: roteiro, montagem, fotografia e direção. É um filme violento e, para o comitê, violência não dá. Última Parada 174 foi escolhido para representar o Brasil, mas eu acho que foi uma escolha errada, embora fosse um filme meu, porque era um filme violento, não tão violento como Cidade de Deus, no sentido da violência física, gráfica, mas talvez até mais violento, pela violência psicológica e emocional, que era muito grande. Então, foi eliminado. No ano em que eu participei, em 2007, tinha Tropa de Elite, que acabou ganhando o Urso de Ouro no Festival de Berlim, mas não escolhemos Tropa de Elite para o Oscar, pelo que já tínhamos passado com Cidade de Deus, então preferimos O ano em que meus pais saíram de férias, que, aliás, ficou entre os nove finalistas. 
 
Você tem no currículo três filmes escolhidos para  representar o país no exterior?
Dona Flor e seus dois maridos, O que é isso, companheiro? e Última parada 174. Dona Flor ficou entre os cinco finalistas na disputa pelo Globo de Ouro. O que é isso, companheiro? entrou na disputa pelo Oscar em 1998, mas perdeu para uma produção holandesa. Última parada 174 representou o Brasil na corrida pelo Oscar 2009. Dona Flor e seus dois maridos foi por mais de 30 anos a maior bilheteria do cinema nacional, até 2011, quando perdeu para Tropa de Elite 2, e ficou desde então em segundo lugar. 
 
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Alessandra de Paula e Camila Campanerut
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura