Vivemos um momento muito especial da história do Brasil. O mundo todo nos observa com muita atenção e expectativa. Isto certamente acontece porque estamos apresentando índices de desenvolvimento invejáveis, porque estamos dando provas de amadurecimento democrático, e também porque estamos implementando um vigoroso programa de inclusão social. Inegavelmente todos estes aspectos são fundamentais para produzir um outro olhar sobre o Brasil. Mas há algo mais. Algo que aumenta esta curiosidade sobre nós. Algo que nos torna diferente dos outros emergentes: o nosso jeito de ser. A cultura que construímos e que nos dá a argamassa de nação. É ela que marca a nossa diferença e define a nossa posição no mundo atual. É ela que amplia a nossa viabilidade entre todos aqueles que fazem parte do chamado grupo BRIC.
Ao longo desses últimos cinco séculos em que se forjou o que hoje chamamos Brasil, organizamo-nos em uma sociedade marcada pela diversidade cultural, acumulamos uma larga experiência nas relações interétnicas e no campo da tolerância religiosa. Consolidamos uma cultura marcada por uma convivência pacífica e integradora com todas as nações do planeta. E nos firmamos como um povo que propõe uma moral capaz de incluir a festa, a alegria e a sensualidade.
Homenagear Darcy Ribeiro neste momento é lenha na fogueira desta discussão. Darcy é um dos brasileiros que mais original e visceralmente viveu e pensou essa questão. Em torno de sua obra e do que ele foi poderemos promover uma grande reflexão sobre o nosso papel no conjunto das nações, sobre a contribuição que podemos dar ao mundo. Está na hora de universalizarmos a nossa singularidade. Estamos nos tornando referência e inspiração para os outros. Fazemos parte da invenção generosa de um mundo onde há lugar para todos.
Esse é o fio condutor do conjunto de eventos, batizados com o nome de Brasilidade, que o governo federal realiza no Rio de Janeiro neste final de 2010.
Para receber a Ordem do Mérito Cultural foram escolhidas pessoas que exprimem a nossa tradição, a nossa vanguarda, as diferentes correntes de criação cultural e artística do nosso povo. Uma parte de um todo rico e generoso. Pessoas que enfrentaram a repressão política e pessoas que enfrentaram o anonimato e o preconceito. Atores e líderes comunitários; religiosos e dançarinos; humoristas e diplomatas; escritores e artistas plásticos… Muitos deles não se conhecem entre si, e isto é mais uma mostra de que o Brasil é múltiplo, é plural, e que cabe aos brasileiros revelar uns aos outros o país que estão criando em conjunto.
São pessoas como essas que, a exemplo de Darcy, inventam e alimentam a reflexão sobre a nação que somos e a que queremos ser.
Juca Ferreira
Ministro da Cultura

Participação do Leitor