Mergulhar no universo de Darcy Ribeiro é descobrir o Brasil profundo – um rico mosaico de raízes étnicas e culturais que nos formam enquanto nação. Para contribuir na composição desse quadro, a exposição “As utopias de Darcy Ribeiro” sugerem caminhos. Em um cubo montado em frente ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, telas digitais reproduzem milhares de imagens por segundo, em uma espécie de quebra-cabeça da brasilidade.
O negro, o branco, o índio, o mestiço se revesam, se sobrepõem, se misturam e se unem para gerar novas imagens. Do Brasil urbano, rural, ribeirinho, universal, biodiverso. Em uma das telas, uma imagem de Darcy traz dados sobre sua ancestralidade africana. Em todas as outras, se vê a ancestralidade de qualquer brasileiro, que pode, literalmente, perceber-se refletido na utopia de Darcy.
Abaixo, três perguntas para Isa Grinspum, curadora da instalação:
Fale um pouco sobre a estrutura e o conceito que subsidiam “As Utopias de Darcy Ribeiro”.
A ideia foi apresentar, de maneira sintética e clara, algumas das ideias-força de Darcy Ribeiro sobre o Brasil, suas mazelas e potencialidades. Em um espaço popular como a Cinelândia, atiçar a curiosidade dos passantes para fazê-los refletir, mesmo que de maneira breve, sobre as contradições do Brasil Mestiço. E, através dos mais novos recursos da genética, mostrar como Darcy estava certo ao apontar a profunda mestiçagem genética e simbólica de nosso povo.
O público é convidado a entrar em uma caixa no interior da qual um grande cubo de telas mostra imagens em loop. Nelas, Darcy Ribeiro polemiza sobre a sua utopia de Brasil: país mestiço e belo, mas cheio de graves problemas, no qual um povo criativo tem de reinventar-se para cumprir-se como portador de uma mensagem planetária única. Essas telas-espelho fazem com que o público se veja incluído na cena.
Para você, o que é brasilidade? E como este conceito está presente em “As utopias de Darcy Ribeiro”?
A brasilidade é um sentimento de pertencimento. Talvez por ter trabalhado com Darcy Ribeiro por muitos anos, meu pensamento esteja impregnado da visão que ele, assim como outros pensadores brasileiros, têm dos dramas e delícias de ser brasileiro. Poucos pensadores brasileiros foram tão fundo quanto ele em sua paixão pelo país e em sua ambição de compreendê-lo e transformá-lo para melhor.
(Texto: Anderson Falcão, Comunicação Social/ MinC)
(Fotos: Ricardo Brasil)



Participação do Leitor