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Solenidade de abertura da 4ª Reunião Ordinária do CNPC


Ministro Juca Ferreira e embaixador Samuel Pinheiro falam sobre o papel da Cultura nas Relações Internacionais.

Secretário Alfredo Manevy, embaixador Samuel Pinheiro e ministro Juca Ferreira

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o secretário-geral das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro, abriram nesta terça-feira, 25 de novembro, em Brasília, a 4ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). Na solenidade, em seus pronunciamentos, ambos ressaltaram o papel da Cultura nas Relações Internacionais.

O ministro Juca Ferreira fez um breve histórico das ações realizadas pelo MinC no fortalecimento da Cultura nas dimensões do simbólico, da economia e do direito de cidadania. “Sobre o ponto de vista de consolidação de políticas culturais, considero bastante avançado. Não há mais dúvida que o caminho é o de constituir a cultura como política pública criando bens e serviços e disponibilização de recursos e de políticas pra dar conta dessa complexidade que é o território cultural.”

O Ministério da Cultura também precisa progredir no quesito orçamento, destacou Juca Ferreira. “Não avançamos muito na área do orçamento, saímos de 0,2% para 0,6%. É um avanço razoável. Se você analisa apenas o quantitativo de onde partimos e aonde chegamos. A Lei Rouanet saiu de cerca de R$ 400 milhões para R$ 1 bilhão, no ano passado. Possivelmente, neste ano, chegue a cerca de R$ 1,4 bilhão. Isso é um crescimento razoável, mas nada próximo ao suficiente.”

Segundo o ministro Juca Ferreira, existia uma certa dificuldade de compreensão da sinergia entre o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores. “Fomos construindo uma excelente relação. Não há possibilidade de pensar em cultura brasileira dentro dos limites do território nacional. As repercussões da nossa cultura fora do Brasil são importantes de várias maneiras.”

“Acho que estamos construindo isso com Itamaraty, exemplo disso é a intervenção junto a Unesco, na área da Diversidade Cultural, em que foi estratégica essa parceria, essa sinergia, para a eficiência da ação brasileira no sentido de atrair os que não tinham se manifestado favorável à Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais.”

O ministro da Cultura lembrou, ainda, que com apoio do MRE abriu-se um novo campo na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Espero que no próximo semestre tenhamos um esboço de uma política para o fortalecimento da língua portuguesa. O acordo ortográfico abre uma perspectiva do Português ser conhecido como uma língua oficial das Nações Unidas, isso não é pouca coisa, cria uma possibilidade de um trabalho conjunto, de intercâmbio das obras entre Brasil, Portugal, os países africanos de língua portuguesa e o Timor. Estamos trabalhando a diversidade lingüística brasileira.”

Por sua vez, o embaixador Samuel Pinheiro fez algumas reflexões sobre o tema e ressaltou o papel da Cultura nas relações do Brasil com outras nações. “Historicamente, a cultura foi um instrumento muito importante de política internacional, principalmente no período dos Impérios.”

Para o secretário-geral do MRE é extremamente importante o fato dos meios de comunicação brasileiros agirem praticamente com uma hegemonia cultural. “Peço que liguem seus rádios e verifiquem qual música toca e se vocês encontrarem alguma música equatoriana, africana, eu estou disposto a pagar um prêmio por essa descoberta. Existe uma hegemonia cultural extremamente importante e que os países de onde provêem essas manifestações culturais sabem dar valor.”

Publicado dia 15 de dez de 2008
Felipe Carvalho

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