Ministro Juca Ferreira participa do ato público pela data comemorativa e da Semana Cultural do Benin no Brasil
Nos dias 19 e 20 de novembro, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, esteve em Salvador, onde participou das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra. Na noite de quinta-feira (dia 19) foi à abertura da exposição Benin está vivo ainda/ Ancestralidade e Contemporaneidade, na futura sede do Museu Nacional Afro-Brasileiro (Muncab), no prédio do antigo Tesouro.
Financiada pelo Ministério da Cultura, a exposição é parte da programação da Semana Cultural do Benin no Brasil, realizada pela Fundação Cultural Palmares. Apresentada em meio ao canteiro de obras do Muncab, que será inaugurado somente em 2010, a mostra traz cerca 300 obras que traduzem a criatividade artística não só da tradição cultural beniense, mas do Benin contemporâneo, com obras audaciosas e vanguardistas.
“Queremos com isso mostrar que somos um museu em processo”, explica José Carlos Capinan, coordenador da Associação dos Amigos da Cultura Afro-Brasileira (Amafro), responsável pela processo de instalação do museu. Com curadoria assinada por Emmanuel Araújo, a exposição provoca um verdadeiro diálogo entre a arte brasileira e beniense.
“É impressionante como vemos o Brasil nessas obras, essa mostra nos religa ao Benin não só pela matriz cultural de que somos herdeiros, mas também pelo que hoje é produzido no Benin, que é de um universalismo impressionante”, disse o ministro Juca Ferreira.
Também participaram da abertura da exposição o ministro da Cultura, Turismo e Artesanato do Benin, Bio Goundu; o embaixador do Benin no Brasil, Isidore Benjamin Amédéé Monsi; o governador da Bahia, Jacques Wagner; o secretário de Cultura do estado, Márcio Meirelles; e o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo.
Nova África
Em seguida, o ministro da Cultura participou do lançamento do programa Nova África, revista eletrônica semanal realizada pela TV Brasil em parceria com a TVE Bahia. Exibido todas as sextas-feiras, às 22h, com reprise às segundas, às 20h, o programa trará notícias e curiosidades culturais do continente africano.
“A África era tratada raramente pelo noticiário da TV aberta e, quando se tornava notícia, era de forma dispersa e superficial, em geral, por matérias produzidas por agências americanas e européias. Portanto, esse programa é um marco na TV brasileira, não só por criar um espaço privilegiado às notícias sobre a África no Brasil, mas também por trazer um novo olhar, fruto de nossa própria relação com a matriz africana, indo além da relação mítica e passando também por uma relação atual e contemporânea, que devemos ter com a África”, explicou Juca Ferreira.
Ato Público
Na sexta-feira, 20 de novembro, o ministro Juca Ferreira integrou a comitiva de seis ministros de Estado que acompanharam o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no ato público pelo Dia Nacional da Consciência Negra, na Praça Castro Alves.
Na ocasião, o presidente Lula anunciou que, a partir do próximo ano, a data comemorativa se tornará feriado nacional, além de reiterar o seu empenho para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, em tramitação no Senado Federal, até o final do ano. Ele atende a uma reivindicação antiga do movimento negro: o reconhecimento da importância de Zumbi dos Palmares e seu significado simbólico o povo brasileiro.
“O assassinato do líder do Quilombo dos Palmares foi uma tentativa de fazer com que os escravos desistissem de lutar pela liberdade, mas o efeito foi contrário, pois Zumbi deixou de ser um simples homem para se tornar símbolo da luta de um povo”, afirmou o ministro da Seppir, Edson Santos.
“Não há possibilidade de compreender o Brasil sem perceber a contribuição dos africanos. A África é parte da construção desse Brasil complexo, desse Brasil moderno que queremos”, disse o ministro Juca Ferreira, em entrevista à imprensa. Segundo ele, a desigualdade social é um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento do país.
“O Brasil está se tornando um país importante no mundo, temos uma economia que vem se desenvolvendo com solidez que será rapidamente a quinta economia do planeta. No entanto, temos também uma sociedade que carrega as mazelas de sua formação, do colonialismo, da escravidão. Miséria e a pobreza no Brasil têm cor e deixar que a sociedade supere essas mazelas naturalmente é um equívoco, porque essas desigualdades se reproduzem”, afirmou Juca Ferreira, ao se declarar favorável às políticas afirmativas, em especial, a de cotas.
Durante a solenidade, o presidente Lula assinou 30 decretos para a titulação de comunidades de quilombos, em 14 estados, além de lançar o Selo Quilombola, marca que será atribuída aos produtos artesanais confeccionados por comunidades de remanescentes de quilombos de todo o país.
“Ano que vem eu espero está comemorando com vocês avanços muito maiores nas políticas de igualdade racial deste país. Em 2010, já estará completando um ano do feriado do Dia da Consciência Negra, da sanção do Estatuto da Igualdade Racial e quem sabe estaremos aqui entregando não 30 títulos de terras a comunidades quilombolas, mas uns 300 ou 500 títulos. O reconhecimento destas comunidades é essencial para vê se a gente consegue amortizar esta dívida histórica que o Estado tem com o povo negro do país”, afirmou Lula.
Também participaram do ato público o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas; o governador da Bahia, Jacques Wagner; a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef; os ministros da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Edson Santos; dos Esportes, Orlando Silva; da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire; da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima; além de secretários estaduais e municipais, líderes religiosos e outras lideranças políticas, como o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo.
(Comunicação Social/MinC)