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Era uma vez um elefante que se equilibrava em um fio…


O homem tem utilizado os animais desde épocas imemoriais para lhe ajudar no trabalho, no transporte, na caça, na guarda e como fiel companheiro. Mas também como esporte, lazer e magia. Desenvolveu com eles relações que vão deste o afeto e o carinho até a dependência e a dominação. E os animais entendem esses sentimentos e retribuem no mesmo tom. A domesticação é, como toda educação, um processo de aculturação.

Os animais, inclusive os mais balofos paquidermes, fazem parte de nossa cultura imaterial. Não é por outra razão que eles são personagens importantes da literatura infantil, do cinema de animação, dos gibis, do bumba meu boi, do jogo do bicho e do circo. Quem não se lembra do espanto ao ver pela primeira vez um surrealista camelo desfilando numa cidade de interior em meio a ruidosos palhaços e um urso pedalando a bicicleta de madeira do companheiro Leonardo ou um elefantinho plantando bananeira sob a lona de um circo mambembe.

Pois neste país de milhares de crianças abandonadas e presídios transbordando literalmente pelo ladrão, querem tirar os bichos do circo, sob o pretexto de que são maltratados. Os camelos e leões são um dos pontos altos dos espetáculos circenses e seus proprietários não querem perder estas galinhas de ovos dourados, que custam fortunas, o que não exclui que em muitos casos esses animais sejam enjaulados e transportados de forma inadequada.

Por que essas caridosas criaturas não fazem campanha proibindo o abate de milhões de aves, bois, porcos e peixes diariamente para serem devorados nas churrascarias e restaurantes de todo o mundo? Por que não propõem a exclusão da Espanha da União Européia por permitir as touradas, ou que se proíba toda pesquisa cientifica com cobaias e nossos primos chimpanzés?

Se existem maus tratos nos circos, se a carne não é de primeira, eles devem ser abolidos, mas não os animais. Precisamos, sim, criar ao lado do Estatuto da Criança e do Adolescente o Estatuto dos Animais, como fizeram os europeus e norte americanos, para regular o tratamento, não só dos bichos de circo e safári, como os de tração, de guarda e cobaias. E que se penalize adequadamente os traficantes de animais silvestres, os promotores de farras do boi e rinhas de canários, galos e cachorros.

Mas não contribuam para que o circo se acabe em nosso país, exatamente quando ele renasce em todo o sistema “soleil”. Com ele morreria o suspense, as quimeras, a ilusão, a magia,  o humor e a fantasia. Caro Ministro, vós que sois o próprio MinC, não permitais que esta corda se parta e toda magia seja globalmente desfeita.

Paulo Ormindo Azevedo, conselheiro do CNPC.

*Por ter caráter opinativo, os conteúdos e ideias defendidas nos artigos são de inteira responsabilidade do autor.

Publicado dia 24 de nov de 2009
Felipe Carvalho

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