O Brasil dos anônimos contado pelos Micro Docs

O cotidiano de cada indivíduo - e suas histórias maravilhosas - documentado pelo olhar do cineasta

Micro doc é uma forma espontânea de documentário. Gravado em um único dia - incluindo a pesquisa e o roteiro - num formato curto, de quatro ou dois minutos, os Micro Docs Brasil, uma criação do Ponto de Cultura Micro Mundo, de Natal-RN (http://micromundobrazil.blogspot.com/), se propõe a apresentar, sob forma bruta, um evento, um lugar ou um personagem. É uma nova forma de linguagem que não se preocupa com a forma, mas com o conteúdo e o sentimento de quem conta a história.

Sempre ausentes na imagem, os realizadores deixam que o objeto do documentário se expresse livremente na frente da câmera, criando um campo de expressão mais amplo e oferecendo ao espectador uma relação mais direta com o assunto filmado.

Tendo o jornalismo como formação e o cinema como paixão, o cineasta Buca Dantas decidiu que dedicaria a vida aos documentários. “Mas não podia ser qualquer documentário. Tinha que ser alguma coisa que falasse mais do que um simples registro, que se aproximasse mais da realidade cotidiana dos personagens”, conta Buca.

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O cineaste Buca Dantas (atrás da câmera) em ação 

Com essa ideia na cabeça há alguns anos, Buca encontrou o fotógrafo francês radicado no Brasil Mathieu Duvignaud e juntos elaboraram um projeto que buscasse unir a paixão de ambos. “Foi um casamento perfeito!”, exclama o artista francês. A ONG Micro Mundo, fundada pelos dois, existe há dois anos e, a partir deste ano, tornou-se Ponto de Cultura pelo edital do estado do Rio Grande do Norte.

O Micro Doc mantém um olhar simples e sem julgamento, quase voyeur sobre o mundo, e suas situações à parte, únicas. A partir dessa ideia inicial, surgiu o projeto Micro Doc Brasil, uma série de micro-documentários em que são usadas as técnicas de reportagem para televisão com o movimento Cinema Processo, que consiste em usar a linguagem própria do objeto do trabalho na elaboração do discurso audiovisual. A técnica também se apropria da “arte do acaso”, pesquisa estética sobre o que não está visível, o esquecido ou as reminiscências da memória.

“Os episódios são roteirizados a partir do relato dos personagens reais e encenados por atores, mas sem criar novas situações. Buscamos registrar os sentimentos, as angústias e alegrias com o máximo de isenção”, explica Buca Dantas.

A primeira série Micro Doc foi rodada em alguns pontos do Brasil. Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do país foram as regiões escolhidas. Em 2007, durante 20 dias, a equipe percorreu cerca de 6 mil quilômetros pelas principais rodovias nacionais. “Nos propomos a trabalhar também em outros países da América do Sul e Europa (já estão agendadas gravações na França para este ano).

Episódios da primeira série: 10
Duração de cada episódio: 2 minutos
Roteiro de viagem

  • Brasília (DF)
  • Natal (RN)
  • Ituiutaba (MG)
  • São Paulo (SP)

Diretores

Buca Dantas - Jornalista e diretor de cinema. Diretor de Viva o Cinema Brasileiro! e de Fabião das Queimadas - Poeta da Liberdade [DocTv/TV Cultura/Ministério da Cultura]. Consultor do Canal Futura. Desenvolveu e fez parte da equipe de direção da série Brasil Total [Rede Globo/Fantástico]. Vencedor do II Prêmio Nacional Confea de Jornalismo.

Mathieu Duvignaud - Diretor de fotografia e artista francês. Diretor de fotografia do filme Viva o Cinema Brasileiro! e já expôs seus trabalhos de fotografia na França e Brasil.

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