Ministério da Cultura - MinC

CULTURA E PENSAMENTO


Por Juca Ferreira
Ministro da Cultura

Em sua terceira edição, os editais do Programa CULTURA E PENSAMENTO atingem sua maturidade. Essa conquista ocorre não só pelos resultados alcançados nas edições passadas, como também pelas experiências inéditas geradas em um processo constante de apropriação da iniciativa como uma política cultural da sociedade brasileira. São quatro anos de debates e publicações, com um total de 25 projetos apoiados, elaborados por universitários, críticos e editores de cultura, grupos artísticos e culturais, povos indígenas e outros agentes da sociedade, que traduzem sua diversidade na pluralidade de pensamentos.

Como reflexo desse histórico, o programa foi institucionalizado em 2008 com a publicação da portaria 74, que estabeleceu as balizas para a sua sequência plurianual e o converteu em uma política contínua de Estado. A partir disso, pretendemos ampliar e dinamizar as redes de intercâmbio de inteligência, de formação de juízos críticos e de interpretações do presente de nossa cultura. São circuitos que redimensionam a demarcação de uma esfera pública contemporânea, ao mesmo tempo em que confirmam a interação que nos propusemos a discutir e estimular a partir do seminário “O Silêncio dos Intelectuais”, há mais de quatro anos.

Nas malhas que se formam desde então com a convergência e o contraponto de ideias, cada conexão fornece energia necessária à organização de uma dinâmica autônoma de expansão dos círculos virtuosos de emancipação sociocultural. Dessa maneira, desenvolvem-se as bases para a formação, o deslocamento e reposicionamento das categorias de compreensão aplicáveis, ainda que provisoriamente, a uma realidade em constante mutação.

O Programa CULTURA E PENSAMENTO persiste em seu interesse por uma reflexão abrangente, capaz de qualificar a emergência geopolítica, econômica e cultural do Brasil no cenário internacional. Os editais que agora vêm a público são fruto desse trabalho de defesa de uma democracia de saberes. Incorporam propostas de diversas interlocuções, tanto com o mundo acadêmico quanto com o público em geral, envolvendo todos os que se interessam em aprofundar seu espírito crítico e conhecimento sobre o mundo contemporâneo.

Em 2009, o CULTURA E PENSAMENTO retoma questões postas em debate, ainda vigentes em nossa agenda estratégica, como a relação entre tecnociência e biopolítica, os contornos das populações e territórios e o surgimento de novas economias da cultura e rearranjos sociais. Além disso, o programa se inclina para a reflexão sobre os embates transdisciplinares e intersubjetivos no campo das artes.

Os atravessamentos provocados pela cidade global, pelas tecnologias digitais e pela cultura contemporânea, criam ambientes e noções que redefinem os aspectos das manifestações artísticas que se desdobram na história. Hoje, expressões como a “pixação”, o grafite, o funk e a música eletrônica, por exemplo, são alvo de controvérsias quanto ao seu estatuto e sua pertinência em nossos meios culturais.

Contudo, para além das análises apressadas, precisamos envolver os jovens e habitantes das cidades em fluxos construtivos de reconhecimento de seus repertórios, para que suas dinâmicas identitárias e simbólicas ganhem força no diálogo com as tradições das quais derivam. Nossos atos e juízos, nossos regimes de legitimação e valores éticos e estéticos precisam estar a cada dia mais voltados ao    cotidiano do trabalho, do consumo e da fruição, para que possamos lidar com os atuais desafios do desenvolvimento justo e ambientalmente sustentável.

Mais uma vez, o Ministério da Cultura dá as boas-vindas a todos os interessados em se colocar no espaço público, realizando o exercício pleno da democracia em nosso país. Com mais esta edição dos editais do CULTURA E PENSAMENTO, almejamos honrar novamente as expectativas de formação de uma esfera pública de reflexão. Resultado que temos notado pelo acolhimento dado às suas intenções, pelas contribuições de cada participante e pelas trocas mútuas geradas entre todos, algo fundamental para o nosso bem-estar comum e coletivo.

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