Acesso aos museus, acesso à cultura
O respeito às diferenças foi o ponto de convergência entre as diversas falas que compuseram o painel Museus, Acessibilidade e Direitos Culturais, que ocorreu durante o 4º Fórum Nacional de Museus, em Brasília, nesta quarta-feira, 14 de julho.
Na mesa estavam presentes o secretario de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, SCC/MinC, TT Catalão, a arquiteta do Núcleo Pró-Acesso da UFRJ Regina Cohen e a museóloga Isabel Portella.
Regina, que é portadora de deficiência, se locomove em cadeira de rodas. Em sua palestra, explicou o trabalho que desenvolveu sobre a acessibilidade dos museus ligados ao Instituto Brasileiros de Museu, Ibram, no estado do Rio de Janeiro. A museóloga Isabella Portela participou do debate relatando sua própria experiência na pesquisa de Regina e no trabalho diário no Museu da República, no Rio de Janeiro.
Isabel é portadora de nanismo e conhece bem as restrições ao acesso dos portadores de deficiências aos museus e outros espaços de lazer. Revelou que para trabalhar no Museu da República, por exemplo, precisa de uma moto elétrica, o auxílio diário dos companheiros para poder entrar e sair das salas, e outras soluções para adaptar cadeiras, escadas, armários e outros equipamentos à sua altura.
Encerrando o painel, o jornalista TT Catalão traçou um paralelo metafórico entre o que representam as deficiências físicas e o costumeiro desrespeito às manifestações culturais das supostas minorias, que não obedecem as leis do mercado nem os padrões da cultura tradicional e, de forma similar, são também excluídas da sociedade que se considera “normal”.
Do painel fica a certeza de que, pouco a pouco, a realidade se transforma: os museus brasileiros tentam, ainda com timidez, se adequar para permitir acesso a todos os públicos. Dois projetos de Regina Cohen propostos em sua pesquisa, por exemplo, viraram realidade, como um banheiro para portadores de deficiências físicas no Forte Defensor Perpétuo, em Paraty (RJ), e uma rampa de acesso ao Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro.
Com o Programa Cultura Viva, ressaltou TT Catalão, comunidades indígenas, quilombolas, centros culturais do Sertão, núcleos artísticos das periferias, os eternos excluídos do sistema, começaram a produzir cultura com equipamentos de ponta, apoio financeiro do governo e estão recriando a realidade sócio-cultural do país.
De Regina Cohen fica a dica “Não se trata de superar nada, isso é para herói. Trata-se apenas de viver.”
SCC/MinC
- Publicado por scc.comunica
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