Aula de sabedoria e cultura popular – Espaço Saúde e Cultura do Fórum Social Temático 2012
No Espaço Saúde e Cultura Frida Kahlo do Fórum Social Temático 2012 (FST), realizado em Porto Alegre, a arena lotada é marcada pela diversidade. Na manhã do primeiro dia do evento (24/01), grupos africanos, parteiras, comunidade indígena, quilombola, movimentos sociais do Brasil inteiro e instituições de saúde e cultura estiveram representados por cores, estilos e ideias. Todos reunidos por um único objetivo: mostrar a importância das práticas culturais na promoção da saúde.
Aos 74 anos, a parteira Maria dos Prazeres ainda se emociona ao falar sobre sua experiência, que lhe proporciona estar sempre próxima da vida. Ela é uma das mulheres que representam a Rede de Parteiras Independentes do Nordeste no FST. A fala espontânea reproduz uma mensagem importante: a de que a profissão deve ser reconhecida.
O discurso de Maria é apenas um exemplo da diversidade cultural do Brasil, entre tantos outros que serão apresentados durante o evento. “Vi um dia uma pessoa falando que realizou um parto na rua e que ficou emocionada. Uma pessoa que faz mil partos, como uma parteira, está navegando na emoção”, exemplificou Maria, que ainda falou sobre os desafios e dificuldades da profissão. “Parteira é uma profissão milenar que deve ser reconhecida”, complementou.
Durante a abertura do Espaço Saúde e Cultura Frida Kahlo, representantes de movimentos sociais foram apresentados. Além de rodas de conversa, oficinas, entre outras atividades, a programação pretende mostrar o trabalho realizado pela Secretaria de Gestão Participativa do Ministério da Saúde (Segep), pela Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultura do Ministério da Cultura (SCDC), pela Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul e pela Fiocruz, entre eles o projeto realizado pela Assessoria de Cooperação Social da Ensp na Comunidade de Manguinhos (RJ), que coloca em prática a participação social. A Rede Saúde e Cultura, coordenada pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde, também apresentará iniciativas realizadas em todo o país.
“O Brasil ainda tem muito que reconhecer o seu DNA natural. Nossa raiz faz nós sermos quem somos. Estamos aqui hoje para fortalecer a Rede Saúde e Cultura e a convergência de redes, que é muito grande”, afirmou a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, durante a abertura. A secretária falou ainda sobre a assinatura de um convênio sobre os pontos de cultura indígena nos últimos dias e sobre a importância do reconhecimento de práticas culturais para o país.
A coordenadora da Rede Saúde e Cultura e da Coordenação de Programas e Projetos da FIOCRUZ Brasília, Luciana Sepúlveda, falou sobre os desafios que envolvem a temática saúde e cultura. “A saúde é multidimensional e engloba meio ambiente, cultura, educação e práticas sociais. Temos o desafio de fazer com que se consiga romper cada vez mais essas divisórias para trabalhar de uma forma mais articulada”, disse.
Sobre a participação da Fiocruz no FST, Sepúlveda afirmou: “A Fiocruz deseja não apenas contribuir fisicamente, mas sim colaborar com a construção do que queremos para hoje e para o futuro. Uma sociedade saudável é aquela que consegue manter a capacidade de sonhar e de lutar para realizar esses sonhos”.
“A parceria com a Fiocruz é muito bem vinda, pois é uma instituição que atua junto à população e que possui a grandeza de conseguir trabalhar com conceitos e transformá-los em práticas”, afirmou a diretora das Ações de Saúde da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, Sandra Fagundes.
O diretor da Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul, Márcio Beloth, falou sobre a importância do Fórum Social Mundial (FSM) para a saúde e para a cultura. “O Fórum Social Mundial é um movimento importante para a vida e para a cultura. É importante olhar para o saber cultural, originado no movimento social. Se cultura e saúde não andarem juntas, não produziremos nem saúde e nem cultura”.
Segundo o representante da Segep/MS, Reginaldo das Chagas, esta é a primeira vez que a Secretaria participa do Espaço no FST. “O Ministério da Saúde tem buscado se aproximar do movimento social. A participação no Fórum Social Mundial é uma vontade do Ministério de ouvir a população. Estamos aqui mais para ouvir que falar”, explicou.
O professor da Escola de Saúde Pública RS e coordenador do GT saúde no FST, Jorge Senna, fez a abertura oficial do Espaço Frida Kahlo e comentou. “Este espaço é todo nosso. Gostaria de agradecer a parceria da Fiocruz, do MinC e do Ministério da Saúde, que se empenharam em conseguir este espaço”.
Rede Saúde e Cultura
Na tarde do dia 24, a Rede Saúde e Cultura deu continuidade à Oficina de Formação dos Agentes de Cultura e Saúde, iniciada no dia anterior. Na ocasião, foi explicado aos participantes o que é a Rede Saúde e Cultura, os seus principais objetivos e a atuação dos bolsistas, que trabalham tanto na Fiocruz quanto nas regionais do Ministério da Cultura, espalhadas pelo Brasil.
“A Rede tem como objetivos mostrar a relevância da cultura como determinante da saúde, trabalhar de forma cooperativa, buscar conhecimentos que abordam os saberes que envolvem saúde e cultura e registrar as iniciativas”, citou Sepúlveda.
(Fonte: Fiocruz)
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