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A Cultura Popular no Carnaval Brasileiro

O4/02/2015

O Carnaval em João Pessoa (PB) este ano vai contar com os folguedos do Cavalo Marinho, expressão da cultura brasileira originária da região Nordeste. O Centro de Tradições Populares do Cavalo Marinho da Paraíba irá fazer uma apresentação de seu grupo folclórico na Feira de Tambaú, no dia 14 de fevereiro, a partir das 19h. Vão se apresentar, também, na Festa da Insurreição de Queimados, festejo tradicional do município da Serra (ES), no dia 14 de março, com apoio da Lei Chico Prego de incentivo à cultura, da Prefeitura da Serra (ES).

O grupo é formado por jovens paraibanos da cidade de Bayeux e coordenado pelo Gestor Zé Bento e pelo Mestre em Cultura Popular e pesquisador do folclore nordestino, Nélio Torres. O Cavalo Marinho é um Auto de Natal, uma ópera popular que acabou sendo incorporada nos festejos populares do país, principalmente na folia do Carnaval. Conta a história dos Reis Magos que foram saudar o nascimento do Menino Jesus. Traz diversificados elementos da cultura regional, tais como danças e cantigas, os bonecos gigantes, a tradição do Bumba-meu-boi, a alegoria do Jaraguá (cavalo fantasma do sertão), o índio Oberdam, o casal Catirina e Matheus, o caipora, os mascarados, o médico, a Margarida, o Cavalo Marinho o dono da festa, entre tantos outros.

É uma tradição que mistura resquícios culturais de nossas raízes Ibéricas com as expressões culturais indígenas e afro-brasileiras. A apresentação é realizada em três atos: o primeiro traz danças e cantigas entoadas pelo mestre e brincantes, que usam chapéus enfeitados com longas fitas coloridas, ao som da zabumba, da rabeca e do pandeiro, onde os mascarados  (os vaqueiros nordestinos, Mateus, Birico e Catirina), entram em cena,  é a parte cômica do espetáculo.

O segundo ato é composto pela apresentação de figuras fantásticas, bonecos gigantes, personagens do folclore brasileiro. Conforme pesquisas de Nélio Torres, existe cerca de 80 alegorias diferentes no folguedo do Cavalo Marinho. O terceiro ato é a morte e ressurreição do boi. Esta parte da auto natalino é a mais conhecida e espalhou-se pelo país inteiro, na forma da expressão cultural do Bumba-meu-boi ou Boi-Bumbá.

A tradição do Cavalo Marinho nasceu na zona setentrional dos estados de Pernambuco e da Paraíba. O grupo da cidade de Bayeux (PB) é um dos mais antigos do país. Foi criado por Mestre Gasosa há mais de 30 anos e revitalizado a partir de 2008, pelo produtor cultural Zé Bento e pelo folclorista Nélio Torres. Em 2010 foi selecionado na  3ª edição do Prêmio Cultura Viva do CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária de SP), que destaca as principais práticas culturais de todo o país. 

O Cavalo Marinho da Paraíba já representou a cultura brasileira em eventos internacionais, como o da festa de comemoração dos 500 anos da migração portuguesa pelo mundo, realizada no ano 2000, em Lisboa, onde foram convidados grupos folclóricos de 12 países lusófonos.

 

Apresentação do Cavalo Marinho da Paraíba na cidade de Serra (ES), em setembro de 2014

 (Codif, SCDC/MinC)