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Agora é hora de cuidar do acesso e da formação de público

01.04.2016 - 12:10
 
Discurso preparado pelo ministro Juca Ferreira para o lançamento  do Circuito SPCine, em São Paulo, no dia 30 de março de 2016.
Este discurso não foi lido, pois o ministro falou de improviso. No entanto, reflete suas reflexões sobre o tema
 
 
A SPCine já é um marco na política do audiovisual brasileiro. Falava desta minha expectativa no dia de seu lançamento. Vejam que isso foi há apenas um ano. Confesso que superou minhas expectativas. Em pouquíssimo tempo, já temos grandes resultados. Sobretudo quando consideramos a crise em que vivemos.
 
Também naquela ocasião chamei a atenção de que não basta apenas fomentar a produção, precisamos cuidar da outra ponta do processo produtivo: a sua distribuição e circulação. A SPCine já botou na rua sua política de fomento à produção. Agora, o momento é da exibição. Precisamos cuidar do acesso e da formação de público. 
 
Dependemos da eficiência de todas estas etapas para sermos bem sucedidos. Sem o consumo de nossas obras audiovisuais, o propósito de nossa política não se realiza por inteiro, nossas iniciativas para o segmento não cumprirão seu papel. 
 
No cinema, há dois pilares fundamentais, além da produção. Primeiro, o acesso ao cinema, a oferta de salas de cinema, que precisa crescer, de forma descentralizada, para regiões e cidades de todo o Brasil. Segundo, a atuação das distribuidoras deve ser apoiada e ampliada de forma que uma parte importante do nosso mercado seja ocupado pelos filmes brasileiros.
 
A SPCine é uma evidente demonstração do compromisso de São Paulo com as políticas públicas para o audiovisual e da importância estratégica que deposita no audiovisual para a sua cultura e para a sua economia. Esta é uma ação da SPCine que já nasce grande. Está sendo lançado aqui o maior circuito audiovisual do Brasil.
 
Bom que se diga que estamos falando de uma economia na mais franca expansão. Uma das melhores expressões do que denominados economia da cultura.
 
O audiovisual brasileiro se encontra em um momento excepcional. Nossa produção audiovisual continua crescendo. Temos hoje o que não tínhamos há 13 anos: uma produção de cerca de 150 filmes por ano. As salas de cinema do país receberam mais de 150 milhões de espectadores no ano passado e foram abertas mais de 150 salas de cinema. A bilheteria cresceu 17% em emissão de bilhetes e quase 24% em receitas. Estamos falando de uma economia de alguns bilhões. Uma economia maior do que a da indústria farmacêutica, por exemplo. Nosso parque exibidor cresce significativamente a cada ano. Chegamos a 20 milhões de assinantes na TV por Assinatura. 
 
Mas, apesar de tudo isso, o audiovisual brasileiro precisa ampliar em muito o seu público. Nosso potencial é gigante. Temos tudo para isso. O brasileiro nunca gostou tanto de ser nas telas. Os nosso números o demonstram. A produção brasileira independente na TV tem crescido de forma continuada em títulos exibidos e em qualidade e audiência. Cerca de 15% deste mercado já é do cinema nacional. Mais de 20 milhões de pessoas vão hoje assistir a filmes nacionais. 
 
Esse crescimento traz oportunidades de trabalho, favorece a organização e o melhor posicionamento das empresas e estimula a difusão e a troca de bens simbólicos para todos. E traz também novos e mais complexos desafios para os agentes privados e para a política audiovisual, como por exemplo: qualificar os novos personagens que entram nesse mercado de trabalho. Os espaços gerados por todo esse crescimento têm de ser ocupados por filmes e séries brasileiras, o que necessariamente significa melhor distribuição. 
 
De 2013 até janeiro de 2014, foram os filmes brasileiros que garantiram o crescimento do mercado de cinema interno. Bom que se diga.
 
Contamos com uma das mais arrojadas políticas para o audiovisual do mundo. Este é um fato. A Lei 12485/11 - a Lei da TV Paga, recentemente ameaçada por liminares, precisa ser defendida por todos, indistintamente. É ela, em certa medida, o grande impulsionador do boom que vivemos no audiovisual. 
Somente por meio do Fundo Setorial do Audiovisual estamos investindo mais de um bilhão por ano no setor, em salas de cinema, formação profissional, produção, difusão e novos modelos de negócios.
 
Bem recentemente fomos fortalecidos pela decisão de exibir filmes nacionais com certa regularidade nas escolas de nosso país. A lei 13.006-14, sancionada pela presidente Dilma, abriu as portas da escola para o cinema nacional, para a formação de plateia e para a qualificação da crítica, nos permitindo definitivamente deixar de tratar o acesso como um subproduto da política setorial.
 
É isso o que estamos fazendo aqui.
Parabéns a São Paulo e ao Brasil!
 

Veja também:

 
 
Ministério da Cultura