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Daniela Pfeiffer: “A bandeira do CTAv será a formação”

 

 

 

12.01.2018 - 19:15
 
"A intenção é transformar o centro em um grande polo de formação do mercado audiovisual", Daniela Pfeiffer, diretora do Centro Técnico Audiovisual (CTAv) Foto: Acácio Pinheiro / Ascom MinC.
 
 
Produtora cultural e cinematográfica, Daniela Pfeiffer assume nesta sexta (12) a direção do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), ligado à Secretaria do Audiovisual (SAv) do Ministério da Cultura (MinC). Com 17 anos de experiência no setor de audiovisual, Pfeiffer encara o desafio de fortalecer a vocação de um dos principais centros de apoio e formação audiovisual para cineastas independentes, o CTAv. Durante entrevista concedida para o site do Ministério, a nova diretora destaca as metas, os desafios e os principais planos traçados para o CTAv em 2018. Leia, abaixo, a íntegra da entrevista:
 
Portal MinC: O CTAv completa 33 anos de existência neste ano e segue como um ponto de referência de apoio ao realizador independente no Brasil. Como avalia a importância do centro para o setor do audiovisual hoje?
Daniela Pfeiffer: Esse é um espaço que tem na sua origem o auxílio a cineastas que se dedicam a um trabalho autoral, independente. Por esta razão, o Centro ocupa um lugar muito importante no imaginário e no funcionamento da indústria audiovisual brasileira, desde sua criação em 1985, quando foi originado a partir de uma parceria entre a Embrafilme a National Film Board do Canadá. Desde sua fundação, o CTAv vem contribuindo para a formação da base da indústria audiovisual.
 
Portal MinC: Quais são os principais desafios a serem enfrentados pela sua gestão?
Daniela Pfeiffer: Em um primeiro momento, teremos que lidar com desafios básicos e imediatos como a melhoria da infraestrutura, a atualização de softwares e de equipamentos. No entanto, o maior desafio é resgatar a verdadeira vocação do CTAv. A intenção é transformar o centro em um grande polo de formação do mercado audiovisual.
 
Portal MinC: Como é o funcionamento do CTAv?
Daniela Pfeiffer: Atualmente, o CTAv atua em diversas frentes, como produção, empréstimo de equipamentos, mixagem de filmes. Nosso estúdio de mixagem é um dos maiores estúdios da América Latina! Também trabalhamos com difusão, ao apoiar festivais e mostras de cinema em todo o Brasil, seja com curadoria de conteúdo, com cessão de prêmios, com a utilização da nossa estrutura, com editais para a mixagem de filmes. Uma das ações mais relevantes do centro é o fomento à pesquisa e às atividades de preservação. Já por meio de um acordo de cooperação técnica com a Ancine, produzimos cópias de filmes para envio para festivais no exterior. 
 
Portal MinC: No que se refere à preservação, o CTAv promove a recuperação e a conservação de uma quantidade expressiva de filmes. Qual é a composição do acervo, atualmente?
Daniela Pfeiffer: Hoje temos 20 mil rolos de película que estão armazenados no prédio da Reserva Técnica, que fica dentro do CTAv. A continuidade da preservação de todo esse acervo é um trabalho que precisa estar alinhado com os programas de capacitação e formação audiovisual. Nós temos tanto acervos de cineastas que foram muito importantes para a formação do cinema brasileiro, como Humberto Mauro e Vladimir Carvalho, quanto realizadores atuais que depositam seus filmes em nossa Reserva Técnica, como Silvio Da-Rin e Sandra Werneck. Ou seja, o centro acabou se tornando também um ponto de encontro desse conteúdo extremamente valioso, que reflete a identidade nacional e do cinema brasileiro. Com parte desse material, produzimos uma coleção para distribuição gratuita, uma das ações de difusão do CTAv.
 
Portal MinC: Os filmes que compõem o acervo estão disponíveis para consulta?
Daniela Pfeiffer: Todo o material está disponível para consulta, faz parte do apoio que oferecemos ao público. Se um produtor precisar de imagens do conteúdo dos filmes do Nelson Pereira dos Santos, por exemplo, basta entrar em contato com o CTAv por email, solicitando o material. Nós respondemos a todos os pedidos, inclusive com sugestões de outros materiais que possam ser úteis para aquele pesquisador. O conteúdo da pesquisa pode ser acessado aqui no centro. Um dos nossos objetivos é facilitar ainda mais o acesso do público a esse conteúdo. Para isso, vamos investir na produção de DVDs e de coleções. A ideia é que possamos criar um catálogo com todos os filmes disponíveis, que será compartilhado com o público. Esse conteúdo poderá ser facilmente acessado, seja para pesquisa ou para a produção de séries de TV e filmes.
 
Portal MinC: Que tipos de filmes o público pode encontrar na Reserva Técnica?
Daniela Pfeiffer: Temos filmes raros e importantes, como "Limite" de Mário Peixoto (1931); "A velha fiar", de Humberto Mauro; "O Aleijadinho", de Joaquim Pedro de Andrade; e "Mundo à parte", de Arne Sucksdorff. Mas o acervo conta ainda com uma série de filmes produzidos desde a década de 30, quando o Estado brasileiro foi sistematicamente produtor de filmes educativos e culturais por meio do INCE (Instituto Nacional do Cinema Educativo), do INC (Instituto Nacional do Cinema), do DAC-MEC (Departamento de Ação Cultural do Ministério da Educação) e da Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes). Essa produção se caracteriza pela diversidade de temas e pelas diversas gerações de cineastas que lançaram seus olhares sobre a história e a cultura do Brasil. Cineastas como Humberto Mauro, Adhemar Gonzaga, Alex Viany, Vladimir Carvalho, David Neves, Arthur Omar, Marcos Magalhães e muitos outros. Os filmes que são mixados dentro no CTAv também passam a integrar o acervo da Reserva Técnica.  Está nos nossos planos desenvolver o programa CTAv de Portas Abertas, que pretende criar uma movimentação cultural com a realização de mostras que irão revelar ao público esse conteúdo.
 
Portal MinC: Um dos planos de sua gestão é transformar o CTAv em um centro de formação e capacitação voltado para o público. Como será feito isso?
Daniela Pfeiffer: Para 2018, nossa meta principal será montar um projeto de formação com cursos presenciais e à distância que possa aproveitar a vocação natural do Centro: a formação técnica. O aspecto técnico será uma das abordagens dos cursos de capacitação que iremos oferecer. A outra diretriz dos cursos irá enfocar o audiovisual sob o ponto de vista do negócio. Nos últimos anos, nós observamos o direcionamento de milhões de reais para a produção audiovisual. Um fator a ser considerado no mercado é saber se todas as produtoras que acessaram esses recursos detinham o conhecimento necessário para operacionalizar essa verba – o ideal é que possamos otimizar os recursos desde o planejamento. Essas são ações que têm efeito direto no resultado final. E quando digo resultado não estou me referindo à relação público e bilheteria. Do mesmo modo, não estou querendo dizer que as ações do CTAv estarão todas direcionadas para o mercado. Nosso foco continua sendo o realizador independente e o cinema autoral que é produzido. Entretanto, é possível pensar em um cinema autoral que leve em consideração questões como público, mercado e indústria. Iremos continuar com auxílio à pesquisa, à difusão, mas a grande bandeira do CTAv será a formação.
 
Portal MinC: A Secretaria do Audiovisual retomou recentemente a distribuição e renovação dos Núcleos de Produção Digital (NPDs), que integram o programa Olhar Brasil e cuja orientação é de responsabilidade do CTAv. Como está sendo feito esse trabalho?
Daniela Pfeiffer: Os Núcleos de Produção Audiovisual devem funcionar como um centro de qualificação e de produção não comercial, fortalecendo a cadeia produtiva local. Nesse sentido, a orientação dada pelo Centro Técnico Audiovisual não precisa ficar restrita ao uso operacional dos equipamentos. Essa formação pode ir além e oferecer cursos que envolvam modelos de negócios, capacitações que estimulem o realizador a pensar no projeto da criação à distribuição, por exemplo. Vale salientar que mesmo com relação aos NPDs não há uma prevalência por uma instrução mercadológica e sim, por um ensinamento que avalie cada fase do projeto audiovisual. Nossa preocupação é com a operação do equipamento e com a produção do conteúdo.
 
Portal MinC: E como o espaço e a estrutura do CTAv podem ser ainda melhor aproveitados?
Daniela Pfeiffer: Um dos projetos em fase de elaboração é a construção de uma sala de cinema na Avenida Brasil, onde fica localizado o CTAv. Nesse momento, ainda estamos fazendo estudos de viabilidade para identificarmos o melhor local para abrigar essa sala de cinema, que pode ser construída também dentro do terreno do Centro Técnico Audiovisual. A localização do CTAv pode ser muito estratégica para esse tipo de projeto, uma vez que nós estamos cercados por comunidades. Por isso, queremos que nossas ações tenham enfoques cada vez mais culturais e, ao mesmo tempo, tenham geração de emprego e formação profissional, que certamente irão render frutos importantes não apenas para o centro, mas também para todos aqueles que se beneficiam dele.
 
Portal MinC: A intenção é aproximar cada vez mais o CTAv do público?
Daniela Pfeiffer: O primeiro passo é alcançar novos públicos, em especial, os que ficam nas comunidades do entorno, por exemplo. Aliás, essa é uma proposta que já veio de outras gestões que não avançou muito até mesmo pela falta de um centro cultural que tornasse esse acesso mais fluido.
 
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

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