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Desburocratização e visão de mercado são focos para a Ancine

 
 
8.11.2017 - 9:31  
"Com as novas gerações consumindo conteúdo exibido em várias plataformas, é preciso pensar o audiovisual como um modelo de negócios próprio, com características próprias. Por isso, é tão importante olhar o setor realmente como um negócio, que precisa de planejamento e de investimento para ter sucesso" (Foto: Ascom/Ancine)
 
 
Com quase 20 anos de experiência no setor audiovisual, o engenheiro Christian de Castro foi recentemente empossado como um dos quatro diretores da Agência Nacional do Cinema (Ancine), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). Cursou Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e Engenharia de Produção Mecânica na Universidade Paulista (Unip). Nesta entrevista ao portal do MinC, Castro afirma que é preciso desburocratizar o acesso aos mecanismos de apoio ao setor audiovisual fornecidos pela Ancine, alavancar as produções nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste e ampliar os investimentos privados na cadeia produtiva do audiovisual. Confira:
 
Em sua opinião, quais são os principais objetivos e desafios da atual gestão da Ancine?
 
O foco no mercado, a desburocratização da Agência e a capacitação de empreendedores do audiovisual. Esses são alguns objetivos que gostaria de discutir com a diretoria colegiada para implementar na Ancine. É preciso tornar a Agência mais ágil e menos burocrática na resposta ao seu público, sem perder o rigor da fiscalização e tendo a lei como premissa. Para que o setor possa deslanchar, é importante tornar mais fácil para o setor audiovisual o acesso aos mecanismos administrativos oferecidos pela Ancine.
 
Por que o Fundo Setorial do Audiovisual não executa todo o valor que lhe é destinado?

O FSA é um mecanismo muito relevante e que precisa ser mais bem acessado. Com recursos anuais da ordem de R$ 700 milhões, o Fundo executou em 2016, por exemplo, pouco mais de R$ 300 milhões. Para mudar esse quadro, é preciso atacar a forma como esse recurso é executado. É preciso capacitar o empreendedor do setor audiovisual, principalmente os que estão fora do eixo Rio-São Paulo, sobre como desenvolver projetos que atendam aos requisitos exigidos pela lei para acessar os recursos do FSA. Sempre olhando a cadeia do audiovisual como um todo, como o setor de infraestrutura.
 
E como isso pode ser feito?
 
Acredito que é importante firmar parcerias com órgãos como o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o Sebrae, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para capacitar o setor quanto ao uso do Fundo. A agência possui um corpo técnico muito qualificado e que está preparado para assumir esse desafio em relação ao FSA.
 
O que pode ser trazido de sua experiência no setor privado para a gestão pública?

Acredito que posso contribuir de forma mais estruturada sobre como promover a parceria entre os diversos atores do setor audiovisual e incentivar a inserção de outros players ao setor. O audiovisual é uma atividade complexa. Por isso, aproximar o mercado financeiro da cadeia produtiva do setor é tão relevante. Em países como França, Inglaterra e Alemanha, a cadeia produtiva do audiovisual recebe investimentos de fundos e de capitais abertos na bolsa. Já nos Estados Unidos, o incentivo fiscal faz parte da equação financeira. Cerca de 20% a 30% dos recursos do setor vêm de incentivos fiscais. Isso significa que, quanto maior o acesso da cadeia produtiva do audiovisual a recursos de investidores privados e de fundos de investimentos, maiores as condições de produzir materiais com maior valor de produção e, consequentemente, maior capacidade de comunicar globalmente.
 
Por que é tão importante fazer essa articulação entre o público, o privado e a cadeia do audiovisual?
Porque o mercado do audiovisual está em um momento decisivo de muitas transformações por causa da internet. Você assiste um mesmo conteúdo em diferentes plataformas. Isso foi possível por causa da inovação e da tecnologia, que são latentes hoje em dia. Com as novas gerações consumindo esse conteúdo exibido em várias plataformas, é preciso pensar o audiovisual como um modelo de negócios próprio, com características próprias. Por isso, é tão importante olhar o setor realmente como um negócio, que precisa de planejamento e de investimento para ter sucesso.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura