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Pelotas (RS) dá ao Brasil mais dois patrimônios culturais

 
 
16.5.2018 - 8:36  
Conjunto histórico e tradição doceira de Pelotas foram reconhecidos nesta terça-feira (15) como patrimônio cultural do Brasil (Fotos: Gustavo Mansur/Iphan e Clara Angeleas/Ascom MinC)
 
 
O Conjunto Histórico de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e as Tradições Doceiras de Pelotas e Antiga Pelotas (Turuçu, Morro Redondo, Arroio do Padre e Capão do Leão) são agora patrimônio cultural do Brasil. As duas candidaturas foram aprovadas nesta terça-feira pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura (MinC).
 
A decisão do Iphan reconhece a importância cultural e histórica de uma das mais importantes cidades do interior do País no século 19, Pelotas. O sal, presente na produção do charque, e o açúcar, dos doces que são parte da identidade do povo pelotense, criaram um valioso acervo arquitetônico, ambiental e urbano. O ciclo do charque foi decisivo para a economia da região. Ao longo do século 19, a cidade de Pelotas chegou a abrigar 40 charqueadas.
 
O Conjunto Histórico de Pelotas é o sexto patrimônio material da cidade de Pelotas, que já tinha cinco edificações tombadas pelo Iphan: o Teatro Sete de Abril, três palacetes que pertencem à elite dos charqueadores e a caixa d'água de estrutura metálica localizada na Praça Piratinino de Almeida, que foi importada da Escócia em 1875. 
 
De acordo com a conselheira Márcia Sant'Anna, responsável pela elaboração dos dois pareceres de tombamento e de registro, a cidade de Pelotas possui um dos sistemas municipais de preservação do patrimônio edificado mais completos dentre as cidades brasileiras que não são capitais. 
 
Na avaliação da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, a decisão do Conselho Consultivo é histórica e torna o tombamento do Centro Histórico de Pelotas e o registro da Tradição Doceira um momento singular. "É a primeira vez na história do instituto que o Iphan aprova um registro e um tombamento integrados de um mesmo lugar. O registro, a dimensão do patrimônio imaterial, e o tombamento material convergiram para uma noção de território de historicidade desse espaço. Isso representa um avanço muito grande na política de patrimonialização do País", avaliou.
 
Kátia explicou a importância dos processos de salvaguarda para a proteção do patrimônio imaterial. "Temos que acompanhar, junto aos detentores, as fragilidades que possam colocar em risco essa tradição. No que se refere ao patrimônio material, nesse processo, o município de Pelotas é um exemplo, já que é um dos poucos do País que tem todo um escopo de legislação com ações protetivas para o patrimônio", afirmou.
 
A presidente do Iphan defendeu um maior envolvimento dos municípios no processo de preservação do patrimônio. "O município é o grande responsável pela proteção, sempre com o apoio do Iphan, que atua em parceria com os órgãos estaduais", esclareceu. 
 
Alma preservacionista 
 
Para a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), o reconhecimento da tradição cultural dos doces e Centro Histórico evidencia, sobretudo, a consciência "preservacionista" da cidade. "A alma preservacionista criou ao longo do tempo na cidade uma conscientização de toda a população sobre a importância desse patrimônio. Para garantir essa preservação, conseguimos uma legislação, que inclusive foi referida no parecer da relatora Márcia Sant'Anna, e isso de alguma forma fica como uma lição. Acreditamos que todos esses fatores compõem um grande processo pedagógico que ensina a importância da proteção do patrimônio", disse.
 
Ialorixá Gisa de Oxalá comemorou o registro da tradição doceira de Pelotas como patrimônio imaterial do Brasil (Foto: Guto Martins/Ascom MinC)
 
A ialorixá Gisa de Oxalá, da Comunidade Beneficente Tradicional de Terreiro Caboclo Rompe Mato e Ile Axé Xangô, que, como muitas, mantém viva a tradição doceira nas oferendas às divindades presentes nos cultos religiosos de matriz africanas, destacou a relevância do processo de registro da atividade. "Para mim, como ialorixá, representante do Batuque do Rio Grande do Sul, é muito importante participar desse processo que assegurou o registro da tradição doceira", afirmou. "Como mulher e como negra, vou me sentir ainda mais contemplada se esse equilíbrio de sal e açúcar, dendê e mel incluir e reconhecer também outras doceiras negras, que contribuem para esta tradição", declarou.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

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