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Leis de Audiovisual

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Minas na tela

Os cineastas Marcos Bernstein e João Batista de Andrade escolheram o estado para filmar Meu pé de laranja lima e Vila dos Confins. Mas fazer cinema por aqui ainda é um desafio

Ailton Magioli

O diretor Marcos Bernstein filma a adaptação do romance Meu pé de laranja lima na região de Cataguases

Uma produção carioca (Meu pé de laranja lima) e outra paulistana (Vila dos Confins) dão novo fôlego à cena cinematográfica mineira, levando para o set atores e técnicos que nem sempre têm a chance de filmar. "Não há movimento aqui como o observado no eixo Rio-São Paulo, mas temos gente com muito boa vontade para fazer cinema. Nossa equipe, por exemplo, conta com um ótimo técnico de som, Gustavo Campos, além de atores de Belo Horizonte e de Cataguases", afirma o diretor carioca Marcos Bernstein. O trabalho como roteirista de A cura, da Rede Globo, levou-o ao encontro de Inês Peixoto, atriz do grupo Galpão que integrou o elenco da minissérie. Agora, Marcos entregou a ela uma das personagens da nova adaptação do livro de José Mauro de Vasconcelos para as telas, dirigida por ele.

Até janeiro, a equipe de Bernstein estará na Zona da Mata. Vai filmar em Recreio, Leopoldina e Cataguases - essa última, palco de verdadeira revolução cinematográfica na década de 1920, com o chamado Ciclo de Cataguases, liderado pelo pioneiro Humberto Mauro. "Quero fazer um bom filme", avisa Bernstein. Apesar de protagonizado por uma criança (Zezé, vivido pelo ator mirim João Guilherme Ávila), Meu pé de laranja lima tem perfil de filme adulto, ressalta ele. "Há a possibilidade de as crianças também se encantarem com ele, mesmo não sendo exclusivo para elas. O filme tem uma temática mais forte, ao abordar os maus-tratos sofridos por Zezé. Há uma dose de fantasia e de violência em Meu pé de laranja lima", destaca. O romance chegou às telas em 1970 pelas lentes do diretor Aurélio Teixeira. Posteriormente, ganhou duas adaptações para a TV, em 1980 e 1998.

Viabilizado pela Lei do Audiovisual, do Ministério da Cultura, e pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, do governo estadual, o longa-metragem vai inaugurar o Polo Audiovisual de Cataguases, parceria com a Fundação Ormeo Junqueira, Fábrica do Futuro, Instituto Cidade de Cataguases e Instituto Francisca de Souza Peixoto. Orçado em R$ 3 milhões, Meu pé de laranja lima será patrocinado por BNDES, Petrobras e Energisa. No elenco estão José de Abreu, Fernanda Viana, Eduardo Dascar, Tino Gomes, Leônidas Furtado, Káthia Calil, Emiliano Queiroz e Eduardo Moreira, além de Inês Peixoto e do garoto João Guilherme Ávila.

Trata-se do segundo filme de Bernstein, diretor do incensado O outro lado da rua, com Fernanda Montenegro. Ele também assinou roteiros de sucessos como Central do Brasil, de Walter Salles, e Chico Xavier, de Daniel Filho.

"É complicadíssimo fazer cinema em Minas Gerais", afirma o ator Eduardo Moreira, do Grupo Galpão. Ele estreou como diretor do curta Tricoteios, mas o filme não consegue chegar às telas por falta de distribuição. Premiada no Festival de Paulínia, a obra, produzida pelo edital Filme em Minas, enfrenta dificuldade comum à maioria dos realizadores.

"Infelizmente, Tropa de elite veio tapar com a peneira um problema grave do cinema brasileiro", acredita Moreira, lamentando a falta de proteção de mercado para a nossa própria produção. "No caso de Minas, a omissão não é apenas do estado. Temos um mercado muito escasso para o cinema", reclama. Eduardo integrou o elenco dos consagrados Mutum, de Sandra Kogut, e O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger.

A mais recente incursão dele como ator de cinema se deu em Antes que o mundo acabe, de Ana Luiza Azevedo, cujo pré-lançamento em Belo Horizonte foi marcado para as 11h30. "Alguém vai ver filme nesse horário?", questiona Eduardo Moreira.

Inês Peixoto, que interpreta a professora Cecília Paim em Meu pé de laranja lima, comemora a oportunidade de fazer um longa em Minas Gerais. "Aqui, normalmente, os convites são para curtas", repara ela, feliz em voltar a trabalhar com Marcos Bernstein depois do sucesso de A cura. "Ele tem um olhar maravilhoso para o cinema", diz. Sua última aparição na telona foi no documentário Moscou, de Eduardo Coutinho.

Em busca de recursos

Mineiro de Ituiutaba, com carreira desenvolvida em São Paulo, onde mora desde 1960, João Batista de Andrade, de 70 anos, planeja rodar seu primeiro longa-metragem no estado natal em 2011, caso consiga captar recursos para viabilizar o projeto. Trata-se da adaptação do romance Vila dos Confins, de Mário Palmério. Com presença garantida de atores locais - a serem selecionados em teste -, o elenco terá estrelas do porte de Letícia Sabatella e Emílio Orciollo Netto. O protagonista será o mineiro Lima Duarte.

"Não há ninguém captando recursos para mim. Isso eu mesmo faço", revela o diretor de O tronco (1999), O homem que virou suco (1980) e Doramundo (1978). Em 1985, ele lançou o premiado documentário Céu aberto, sobre a morte de Tancredo Neves e a transição política. Por sua vez, a trama de Vila dos Confins se passa entre os governos Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.

De acordo com Andrade, várias empresas mineiras receberam a proposta de patrocínio de Vila dos Confins, cujo projeto, orçado em R$ 4 milhões, foi aprovado pela Lei do Audiovisual. Por sugestão de amigos, a cidade de Desemboque, onde coincidentemente nasceu Lima Duarte, vem sendo avaliada como provável cenário. O diretor diz que a produção vai atrair interesses turísticos e empresariais, além de gerar empregos e mídia espontânea para a região. A FAM Filmes, de Jorge Moreno, é parceira do projeto.

Distante do regionalismo a que Vila dos Confins costuma ser associado, João Batista Andrade lembra que o pior do gênero se dá quando ele se limita a causos de caipirice. "Guimarães Rosa, ao contrário, recria em sua obra uma linguagem que aprendeu na região", elogia. Com o épico O tronco, de Bernardo Élis, o cineasta estreou no gênero regional em grande estilo.

Filme em Minas

Com inscrições abertas até 14 de janeiro, o Programa Filme em Minas, da Secretaria de Estado da Cultura, está disponibilizando R$ 4,5 milhões para projetos cinematográficos no biênio 2011/2012.