Museu também é programa para bebês

Mães levam filhos para período de atividades no Museu Lasar Segall. (Fotos Museu Lasar Segall/Divulgação)
05.08.2014
 
Atualizado em 06.08.2014: O Ibram informa que o Museu Lasar Segall está em obras e permanecerá fechado até janeiro de 2015. Neste período serão realizadas obras de infraestrutura (telhado, elétrica e climatização). Estes projetos serão executados com recursos do Fundo Nacional de Cultura e Petrobras. As atividades como cursos, oficinas, ação educativa e outras exposições, serão realizadas externamente em parceria com outras instituições culturais. Acompanhe a programação do museu.
 
As obras do artista brasileiro Lasar Segall estão todas lá, doadas pelos filhos, há também móveis desenhados por ele, pinturas a óleo, fotografias, xilogravuras e esculturas. O acervo do museu que leva o nome do artista, em São Paulo (SP), conta com 3.119 trabalhos. Mas não são apenas eles que chamam a atenção de um público muito especial do museu, os pais e filhos com menos de três anos que visitam a instituição diariamente.
 
Levar bebês a museus pode surpreender em um primeiro momento, mas a proposta conquistou muitas famílias. Só no segundo semestre de 2013, quando o projeto Bebês no Museu foi implantado pela equipe da área educativa do Museu Lasar Segall, 174 mães com filhos passaram por lá. A iniciativa ganhou do Comitê para Educação e Ação Cultural (Ceca), do Conselho Internacional de Museus (Icom), o prêmio Melhor Prática (Best Practice Award, em inglês), que reconhece ações consideradas de referência para museus de todo o mundo. O museu funciona diariamente das 11h às 19h (exceto às terças-feiras), na Rua Berta 111.
 
"A gente percebia a demanda de mães, que ficavam confinadas em casa amparando filhos, e o museu pode acolher essas mães e bebês com desenvolvimento de ações e materiais para que crianças interajam com espaços", explica Elaine Fontana, coordenadora de conteúdo do museu. "Quando a casa foi concebida como museu, a ideia era ter um espaço democrático com programação múltipla e sem hierarquia", completa. As visitas agendadas passam por experiências com texturas, transparências, espumas e objetos do cotidiano. Fora de casa, a família tem mais um espaço para o lazer, brincadeiras, criação, interação e desenvolvimento dos pequenos. 
 
A educadora Paula Hilst Selli explica que o projeto dá continuidade a pesquisas da área. "Fazemos trabalhos educativos com crianças aqui há mais de 20 anos, temos propostas de programação com a família e essa ação agrega uma parte da família para qual existiam poucas opções, com bebês menores de três anos", conta. "A resposta foi muito positiva, as mães agradeciam ter um espaço para sair e percebemos que cada ação que fazíamos tinha número maior de pessoas", acrescenta. 
 
O sucesso do projeto foi tão grande que a educadora foi convidada a apresentar a iniciativa e a receber o prêmio melhores práticas durante a conferência anual do Comitê de Educação e Ação Cultural do Conselho Internacional de Museus (CECA/ICOM), em Alexandria, no Egito, de 9 a 13 de outubro.
 
Seminário
 
Para debater essa temática, haverá entre 6 e 8 de agosto o I Seminário Bebês no Museu, na Casa das Rosas, em São Paulo (SP). O objetivo é que museus e instituições culturais brasileiras com projetos educativos voltados para bebês e suas famílias compartilhem experiências.
 
Além do projeto Bebês no Museu, serão abordadas experiências desenvolvidas por instituições como o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e o Museu Internacional de Arte Naïf do Rio de Janeiro.
 
As manhãs serão dedicadas ao debate com profissionais da área, e as tardes serão preenchidas com ações culturais para bebês e seus familiares. Faz parte da programação a produção de fanzines, experimentações na exposição e ateliê e dança. Participam do seminário também a Matrice (Ação de Apoio a Amamentação) e o projeto Dança Materna.
 
Cecília Pinto Coelho
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura