Cais do Valongo é candidato a Patrimônio da Humanidade

O Cais do Valongo foi redescoberto em 2011, por causa das obras de revitalização do Porto do Rio de Janeiro. (Foto de Halley Pacheco de Oliveira)

30.9.2014

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Prefeitura do Rio de Janeiro começaram a elaborar o dossiê técnico para a candidatura do Cais do Valongo ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O lançamento da candidatura aconteceu no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (30/9).

Estiveram presentes à cerimônia a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema de Sousa Machado; o presidente da Fundação Cultural Palmares, Hilton Cobra; o presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington Fajardo; assim como Giovanni Harvey, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, e o embaixador Alberto Costa e Silva. Em janeiro, a Unesco aceitou a proposta da candidatura.

A presidente do Iphan destacou a importância da inscrição do Cais do Valongo na lista de patrimônio mundial: "É o reconhecimento do seu valor excepcional como memória da violência contra a humanidade, representada pela escravidão. É também o reconhecimento da inestimada contribuição dos africanos na formação dos povos do continente americano". Segundo Jurema Machado, isso fortalecerá as responsabilidades históricas não só do Estado brasileiro, mas de todos os países-membros da Unesco.

O Cais do Valongo foi redescoberto em 2011, por causa das obras de revitalização do Porto do Rio de Janeiro. Entre sua construção, em 1811, e a proibição do tráfico no Brasil, 20 anos depois, o local recebeu entre 500 mil e um milhão de negros escravizados, trazidos, principalmente, do Congo e de Angola. O pedido de inclusão na lista da Unesco acontece no contexto das celebrações pelos 450 anos de fundação do Rio e da década do afrodescendente, instituída pela Assembleia Geral da ONU.

Parte fundamental do processo de valorização das origens africanas da cidade, o trabalho será acompanhado pelo Comitê Consultivo da Candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio da Humanidade. Composto por membros de associações sociais e comunitárias, pesquisadores e representantes das três esferas de governo, o comitê foi empossado e fez sua primeira reunião durante a cerimônia no Gustavo Capanema.

O Valongo foi declarado patrimônio nacional em novembro de 2013, quando a Unesco considerou o local parte da chamada "Rota do Escravo", projeto criado pela instituição em 2006 para destacar o patrimônio material e imaterial relacionado ao tráfico de escravos no mundo. Construído para ser ponto de desembarque e comércio de escravos, em 1843 ele foi transformado no Cais da Imperatriz para receber Teresa Cristina, que se casaria com Dom Pedro II. Em 1911, foi aterrado e deu lugar à Praça do Commercio.

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura