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Arte-educadores abrem ciclo de debates em SP

29.01.2016 - 8:17  
Convidados debateram a relação entre Arte e Educação (Foto: Divulgação)
 
 
O primeiro debate do ciclo Encontros da Cultura foi realizado nessa quarta-feira (28) no Complexo Cultural Funarte, em São Paulo (SP), com o tema Arte e Educação. Quatro arte-educadores, além da secretária de Educação e Formação Artística e Cultural do Ministério da Cultura, Juana Nunes, que participou por videoconferência, partilharam suas experiências ao público presente. O evento foi organizado pela Representação Regional do MinC em São Paulo e pela Funarte SP.
 
Juana Nunes apresentou sua secretaria e os três grandes programas do governo federal que estão sob sua responsabilidade, a partir do acordo de cooperação firmado com o Ministério da Educação (MEC): o Mais Cultura nas Escolas, o Mais Cultura nas Universidades e o Pronatec Cultura. Para a secretária, só será possível construir uma política cultural robusta e estruturante quando ela estiver profundamente interligada com a educação.
 
Após a apresentação de um cordel pelo cantador, compositor, ator, contador de causos e mestre de capoeira Eufra Modesto, o pesquisador, ator, produtor de arte e curador Celso Rabetti, que atualmente coordena o projeto Ateliês Educativos, iniciou o debate, provocando os convidados e a plateia a refletirem sobre a importância de pensar a formação do educador na área das artes para que se efetive a relação com a educação.
 
A artista e educadora Val Lima, coordenadora do Programa de Iniciação Artística (PIÁ) da Prefeitura Municipal de São Paulo, abordou a importância da arte na educação infantil. Ela falou sobre os conflitos que observa entre o saber pedagógico acadêmico e aquele construído em espaços não formais de educação, a exemplo do PIÁ, que desenvolve atividades de artes integradas para crianças e adolescentes de até 14 anos em diversos equipamentos culturais na periferia de São Paulo. 
 
Segundo Val, apesar de ser voltado às crianças, o programa também acaba servindo como formação para os próprios arte-educadores, pois "os obriga a circular por diferentes equipamentos, em diversas áreas da cidade, e assim pensar sua atuação em cada contexto particular".
 
Historiadora, educadora, diretora da organização Terra Mar (RN) e coordenadora do projeto Conexão Brasil Felipe Camarão em Natal, Vera Santana centrou sua fala na necessidade de romper com a educação tradicional, dividida em disciplinas estanques que não conversam entre si. "O currículo é dividido, mas o menino é um só", exclamou. Para ela, a educação só pode existir de fato quando em contato íntimo com o saber cultural, que é a história e identidade da população.
 
Por fim, Eufra Modesto contou sua experiência no projeto Folclorinho, que visita escolas e desenvolve um trabalho em três momentos: realização de oficinas de contação de histórias e de cantigas com os educadores; apresentação de canções para as crianças; e apresentação das cantigas para os pais, depois que foram sensibilizados pelas próprias crianças. Dessa maneira, ocorre uma integração entre escola e comunidade, incentivando que diversos outros eventos sejam organizados com o envolvimento de diretores, professores, famílias e alunos, fortalecendo laços e o ambiente escolar. Segundo Eufra, "os educadores não recebem as ferramentas [da cultura popular] para trabalhar com os alunos, mas aderem em peso quando elas são ofertadas".
 
Após as falas, o debate foi aberto ao público e foi acordado que a Representação Regional São Paulo do MinC sistematizará as discussões da noite e convocará outro encontro para continuar a fomentar as reflexões.
 
Ciclo de debates
 
O próximo debate será realizado no dia 24 de fevereiro, também na Funarte, com o tema Arte e Juventude. O objetivo do Encontros da Cultura é refletir, a cada última quarta-feira do mês, sobre a relação entre arte, cultura e movimentos sociais, reunindo pessoas atuantes nestas áreas para trocar experiências, discutir projetos, fomentar reflexões e críticas sobre a conjuntura e sobre as políticas públicas, privilegiando a transversalidade entre os temas.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura