Dois de fevereiro é Dia de Iemanjá, rainha das águas

2.2.2016 - 9:20  
Desde 1923, no Brasil, comemora-se em 2 de fevereiro o Dia de Iemanjá (Fotos: Tereza Torres/Setur BA)
 
 
Deusa dos rios e dos mares, rainha dos pescadores e também a Afrodite brasileira. Todas essas denominações se referem a Iemanjá, orixá associada ao movimento das águas e à fertilidade. No Brasil, 2 de fevereiro é dedicado a ela. Em diversos estados e no Distrito Federal, o dia será de festa, com homenagens à orixá mais popular e cultuada no País.
 
A data começou a ser comemorada em 1923, quando a oferta de peixes diminuiu na Vila dos Pescadores do Rio Vermelho, em Salvador (BA). Segundo a tradição, os pescadores pediram ajuda à Iemanjá e ofertaram presentes a ela. Desde então, milhares de pessoas trajadas de branco fazem uma procissão até ao templo de Iemanjá, localizado na praia do Rio Vermelho, onde deixam presentes, que vão encher os barcos que os levam para o mar. São agradecimentos, pedidos e promessas feitas à rainha do mar.
 
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, participará das celebrações em Salvador nesta terça-feira (2). Ele destaca a importância da orixá para o brasileiro. "Durante muitos anos, o Brasil não se interiorizava muito, foi se constituindo no litoral e isso tem a ver com a aceitação de Iemanjá. Essa presença é marcante na vida dos brasileiros", afirma.
 
Em 2015, mais de 300 mil pessoas lotaram as praias do Rio Vermelho nas comemorações de 2 de fevereiro. Em 2016, a prefeitura de Salvador espera um número ainda maior, por causa da proximidade com o carnaval. As festividades começam às 5h, com a chegada do presente de Iemanjá e abertura da Colônia de Pescadores. Às 15h30, será realizado o cortejo de entrega dos balaios, com presença de cerca de 200 embarcações. A festa ainda conta com apresentações de Carlinhos Brown e Márcio Mello.
 
Outras cidades brasileiras, como Recife, Natal e Vitória também farão homenagens especiais à Iemanjá nesta terça-feira. No Rio de Janeiro, haverá procissão da Cinelândia à Praça XV e, na sequência, barcos seguirão até Niteroi. Em Brasília, a festa será na Prainha do Lago Paranoá. A Federação de Umbanda e Candomblé do Distrito Federal preparou uma programação especial para celebrar a data, com presença esperada de 700 pessoas.
 
Sobre Iemanjá
 
Iemanjá ou Yemanjá é uma orixá africana, cujo nome deriva da expressão iorubá Yéyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes"). Na mitologia iorubá, o dono do mar é Olokun, que é pai de Iemanjá, sendo ambos de origem Egbá.
 
Por meio do sincretismo religioso, Iemanjá corresponde, no Brasil, a Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Piedade e Virgem Maria.
 
Por ser a padroeira dos pescadores, Iemanjá é quem decide o destino de todos aqueles que entram no mar. Dona de grande poder de sedução, é capaz de encantar os marinheiros e arrastá-los para o seu palácio submerso – de onde nunca mais retornam.
 
Os apaixonados também recorrem a ela em caso de problemas amorosos. Na mitologia romana, ela corresponde à Vênus, e na grega, à Afrodite – ambas representam a beleza, a feminilidade, a maternidade e o amor.
 
Os nomes dados a ela no Brasil são muitos: Dandalunda, Inaé, Ísis, Marabô, Maria, Mucunã, Princesa de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar e Sereia do Mar, entre outros. Na época da escravidão no país, Iemanjá era muito chamada de Janaína. Essa era a forma que os escravos encontraram para cultuar suas divindades (orixás) sem serem perseguidos.
 
Muito lembrada na cultura, Iemanjá foi inspiração para diversos artistas, inclusive para o baiano Dorival Caymmi, que compôs as músicas Doce de Morrer no Mar e Quem vem pra Beira do Mar. Na televisão, a deusa também inspirou a novelas e minisséries, como Porto dos Milagres. Algumas das inspirações no cinema são dramáticas, como o filme Barravento, de Glauber Rocha. 
 
Mariana Menezes
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura