Incêndio atinge Cinemateca Brasileira na madrugada

3.2.2016 - 10:58 - Atualizada às 14:03
 
 
 
A madrugada desta quarta-feira (3) foi marcada por um incêndio em parte do prédio da Cinemateca Brasileira, instituição vinculada à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC), na região de Vila Clementino, na Zona Sul de São Paulo. O fogo atingiu um dos quatro depósitos de armazenamento de filmes em suporte de nitrato de celulose, característico da produção cinematográfica anterior à década de 1950.
 
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 5h30, horário de Brasília, e 12 bombeiros participaram do combate ao fogo, que durou cerca de 30 minutos. Às 6h20, o fogo já havia sido totalmente controlado. Também foi feito resfriamento dos prédios vizinhos.
 
Cerca de 1.000 rolos de filmes foram queimados. Destes, 17 são curtas-metragens e o restante são cinejornais. Deste total, a maioria está conservado em outras mídias/suportes. Os filmes destruídos estavam todos em domínio público e o levantamento da pequena parte afetada, sem duplicação, será informado pela Cinemateca nos próximos dias. 
 
A estrutura criada especificamente para acomodar o acervo de filmes no suporte de nitrato não tem rede elétrica (para evitar riscos de curto-circuito) e as paredes não são conectadas com o teto para evitar propagação do fogo. Nesse sentido, a construção se mostrou eficiente para sua finalidade, uma vez que o fogo não atingiu nenhuma outra câmara do depósito. 
 
O nitrato de celulose é um material que, pela sua composição físico-química, pode entrar em combustão espontânea, dependendo da temperatura no ambiente. Os bombeiros farão a perícia, com vistas a tentar identificar a causa do incêndio.
 
O arquivo de matrizes audiovisuais, filmes de depósito legal e todas as coleções da instituição, com cerca de 250 mil rolos de filmes, não foram afetados e seguem com suas câmaras intactas. O incêndio destruiu pouco menos de 0,4% do total do acervo.
 
As áreas de acesso público da Cinemateca e todo o seu acervo não fílmico, composto por aproximadamente 1 milhão de documentos e objetos, estão distantes do acervo de nitrato e não apresentam nenhum risco.
 
O foyer e a salas de cinema em funcionamento estão devidamente equipados e a Cinemateca tem em seu corpo funcional dois bombeiros civis. Portanto, o atendimento ao público será normalizado ao longo da semana, de acordo com a disponibilidade das equipes técnicas, que neste momento concentram seus esforços no acervo atingido.
 
"Estamos apurando as perdas e as razões do incêndio. O nitrato de prata torna o material autoinflamável, por isso o galpão já era isolado. Felizmente, quase todo o material perdido tem cópias que correspondem diretamente aos originais, sem perda de qualidade", afirmou o secretário-executivo do MinC, João Brant. "O processo de reestruturação da Cinemateca continuará e se intensificará nos próximos meses, e a política de ampliação do acesso digital aos acervos é uma das prioridades", completou.
 
O secretário do Audiovisual do ministério, Pola Ribeiro, viajou de Brasília a São Paulo para acompanhar os desdobramentos e fazer a avaliação técnica do que foi afetado pelo incêndio. A diretora da Cinemateca, Olga Futemma, também retornou à capital paulista na manhã desta quarta-feira. A diretora estava em Brasília para assistir uma sessão da animação brasileira "O menino e o mundo", que concorre ao Oscar 2016.
 
Rico acervo
 
A Cinemateca Brasileira conta com o maior acervo de imagens em movimento da América Latina, formado por cerca de 200 mil rolos de filmes, que correspondem a 30 mil títulos. São obras de ficção, documentários, cinejornais, filmes publicitários e registros familiares, nacionais e estrangeiros, produzidos desde 1895.
 
A instituição surgiu em 1946, quando foi formado o Segundo Clube de Cinema de São Paulo. O primeiro foi fechado em 1941, durante a repressão da ditadura pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). 
 
Desde 1984, a Cinemateca Brasileira faz parte da estrutura do Ministério da Cultura. A instituição é a mais antiga de cinema no País. É responsável por assegurar o registro e guardar a produção intelectual cinematográfica e audiovisual nacional. Além disso, exerce atividades de restauro e preservação da produção cinematográfica nacional.
 
Lara Aliano e Cecilia Coelho
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura