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Diversos ritmos entoam Carnaval no Brasil

05.02.2016 – 13:51
 
Durante alguns dias de fevereiro, as ruas do Brasil ganham um novo colorido. Fantasias, danças e diferentes ritmos tomam conta do Carnaval, que vai muito além dos imponentes desfiles de Escolas de Samba da Sapucaí, no Rio de Janeiro. A pluralidade de festas e ritmos musicais traduz a diversidade cultural do País. Maracatu, frevo, samba, marchinhas, axé e toadas de Boi são algumas delas. 
 
O Frevo, surgido no século 19, é uma forma de expressão musical, coreográfica e poética densamente enraizada em Recife e Olinda, em Pernambuco.  Mas rapidamente conquistou diversas regiões, inclusive a capital federal. Em 2012, ganhou título de Patrimônio Imaterial da Humanidade da Unesco.
 
Aos 74 anos, o mestre de Frevo Jorge Marino de Carvalho não esconde a paixão que sente pelo ritmo. Há 30 anos, largou vida confortável no Recife para se dedicar ao ritmo em Brasília. E foi passista fundador do Galinho, tradicional bloco brasiliense inspirado no de Pernambuco. "Eu morava no Recife, era executivo de multinacional, chutei tudo e vim para Brasília para preservar a nossa cultura. Encontrei no frevo a alegria a vitalidade.", afirma.
 
Mas o frevo é apenas um dos ritmos carnavalescos brasileiros. O professor de percussão e diretor do Instituto de Arte da Unicamp, Fernando Hashimoto, explica que a diversidade rítmica carnavalesca é histórica. "Somos um país diverso com dimensões imensas e, historicamente, recebemos diversas influências do África e Europa, que dentro deles, tem imensidade de ritmos", pontuou. 
 
"A luta pela manutenção dessa cultura é muito importante, não só o evento (do Carnaval) em si mas a manutenção da riqueza, modos de dançar de se expressar que são a essência da nossa cultura. É preciso preservar o que é nosso", completa o professor.  
 
Também em Pernambuco, no fim do século 19, surgiu o Maracatu de Baque Solto, uma expressão cultural também conhecida por maracatu de orquestra, maracatu de trombone, maracatu de baque singelo ou maracatu rural. Brincadeira popular que ocorre durante as comemorações do Carnaval e no período da Páscoa, compõe-se por dança, música e poesia, e está associado ao ciclo canavieiro da Zona da Mata Norte de Pernambuco. 
 
Outro estilo é o Maracatu Nação, forma de expressão que apresenta um conjunto musical percussivo a um cortejo real, que sai às ruas para desfiles e apresentações durante o carnaval. Ambos ganharam título de Patrimônio Cultural Imaterial, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Outros ritmos 

No começo do século 20, a partir de influências rítmicas, poéticas e musicais do jongo, do samba de roda baiano, do maxixe e da marcha carnavalesca, consolidaram-se três novas formas de samba: o partido alto, vinculado ao cotidiano e a uma criação coletiva baseada em improvisos; o samba-enredo, de ritmo inventado nas rodas do bairro do Estácio de Sá e apropriado pelas nascentes escolas de samba para animar os seus desfiles de Carnaval; e o samba de terreiro, vinculado à quadra da escola, ao quintal do subúrbio, à roda de samba do botequim.
 
O Samba do Recôncavo Baiano foi considerado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2005. As matrizes do Samba também foram inscritas no Livro de Registro de Formas de Expressão do Iphan em 2007.
 
No Sudeste, as marchinhas surgiram também no século 20 e, até hoje, entoam blocos pelo Brasil afora. Esse gênero de música popular foi predominante entre as décadas de 1920 e 1960 e registrou sucessos como "Ó Abre Alas", de Chiquinha Gonzaga.
 
Em Manaus (AM), terra do boi-bumbá, as festividades carnavalescas traduzem as raízes culturais. Lá, as toadas de boi se misturam as batida carnavalesca e animam o Carnaboi. Torcidas organizadas esquecem a rivalidade e seguem o ritmo com animadas coreografias. 
 
O Axé também consolidou-se ao longos dos últimos 30 anos como ritmo consagrado do carnaval brasileiro, sobretudo na Bahia, onde milhares de foliões seguem trios elétricos em diversos circuitos de Salvador.  O Axé reúne várias influências como o merengue, a lambada, o próprio frevo pernambucano, entre outros.
 
 

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Cecilia Coelho
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura