“Esse mosquito não é mais forte que nosso país”

14.02.2016 - 9:22  
O MinC participou do Dia Nacional em Rio Branco (AC), com o ministro Juca Ferreira (no alto), em Vila Velha (ES), com a presidenta do Iphan, Jurema Machado (meio) e em Petrolina (PE), com o secretário-executivo substituto, Aloysio Guapindaia (acima)
 
 
Em Rio Branco, capital do Acre, cidade escolhida pelo ministro Juca Ferreira para visitar no Dia Nacional de Mobilização contra o Aedes aegypti (Zika Zero), não apenas as três esferas de governo (municipal, estadual e federal), os três poderes locais (executivo, legislativo e judiciário) e as forças armadas, mas também os empresários, a sociedade civil organizada e os cidadãos reforçaram seu compromisso na luta pela eliminação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor de vírus que causam dengue, febre chikungunya e zika.
 
As manifestações de compromisso se deram em solenidade realizada na manhã do sábado, dia 13, na Praça da Juventude, a Praça CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados) de Rio Branco. Antes da solenidade, em entrevista coletiva, o ministro Juca Ferreira foi questionado sobre a posição do governo federal com relação ao aborto para casos de microcefalia. Ele explicou que o governo não tem posição oficial a respeito, mas não se furtou em manifestar sua opinião pessoal, de que cabe à mulher essa decisão. "Não podemos obrigar uma mãe a ter um filho com microcefalia", declarou.
 
Com relação à campanha, lançada simultaneamente em todo o país, Juca Ferreira afirmou que seu sucesso se dará com a mobilização da sociedade. O ministro explicou que, em locais onde há saneamento básico – como é o caso de Rio Branco – o foco de reprodução do Aedes aegypti ocorre, em 70% dos casos, nos quintais das residências. "Não podemos subestimar nenhuma poça d'água", reforçou, acrescentando que cada fêmea do mosquito produz uma média de 400 ovos e os coloca em diversos pontos, na luta pela preservação da espécie. Esses ovos se mantém vivos por até um ano sem contato com a água. Havendo o contato, tem início o desenvolvimento da larva, que em cerca de uma semana se torna um animal adulto e, portanto, pronto a se reproduzir. Dessa forma, a melhor estratégia para combater o mosquito – e todas as doenças que ele transmite – é não deixar água parada.
 
Nas visitas feitas pelas autoridades a algumas residências no Bairro Sol Nascente, junto com agentes de saúde, foram apontados possíveis focos de reprodução: água de chuva parada dentro de pneus, de garrafas, ou quaisquer vasilhames com capacidade para acumular ainda que pouca quantidade de água, caixas-d'água sem tampa, aquele pratinho que fica embaixo dos vasos de plantas, a bandeja de depósito de água que fica embaixo do motor da geladeira – tudo isso pode ser utilizado pela mosca para sua reprodução.  "É fundamental a participação da sociedade, porque sem ela é impossível a eliminação".
 
O ministro comentou que, no Brasil, não temos a cultura de mobilização social na defesa de causas coletivas, o que dificulta um pouco neste momento em que se necessita do engajamento de toda a sociedade. Dessa forma, conclamou artistas, formadores de opinião e imprensa a se engajarem nesta mobilização. "Não é uma campanha só do Governo Federal. Os grandes atores são os agentes públicos, as Forças Armadas e todas as estruturas que compõem a sociedade" enfatizou Juca, acrescentando que "esse mosquito não é mais forte que nosso país".
 
No Acre
 
Segundo o governador Tião Viana, os esforços no Acre de combate ao Aedes aegypti já começaram há bastante tempo "De 2011 para cá, já investimos mais de R$ 1 bilhão em saneamento". Segundo o governador, que é médico, cada R$ 1 investido em saneamento básico equivale a R$ 4 economizados na saúde. Tião Viana atribui a essas ações a redução na incidência de doenças: em janeiro deste ano, houve uma redução de 69% nas notificações de casos de dengue, comparando com igual período no ano passado. O Estado ainda não tem registro de casos confirmados de febre chikungunya do vírus Zika. Há 80 notificações da chikungunya e 100 notificações de zica desde dezembro do ano passado.
 
Segundo o prefeito Marcus Alexandre, de dezembro para cá, 64 mil imóveis já foram visitados por agentes de saúde em ação de combate ao mosquito. Sua expectativa é de que, em mais 90 dias, todas as famílias de Rio Branco tenham recebido pelo menos uma visita. Está sendo dada atenção especial a grávidas que fazem acompanhamento pré-natal na rede pública: os postos de saúde comunicam seu endereço e sua rua e seu bairro passam a ser monitorados por agentes de combate ao mosquito.
 
No Acre, 1.743 homens do Exército auxiliarão as prefeituras de 10 cidades no combate ao mosquito. Somente em Rio Branco, serão 400 militares, e ainda 80 bombeiros, 270 agentes de saúde e 687 agentes comunitários.
 
No Brasil
 
O Dia Nacional de Mobilização Zika Zero foi realizado, simultaneamente, em 356 municípios brasileiros, atingindo três milhões de residências. A campanha vai continuar ao longo do mês. 
 
A ação tem o apoio 220 mil militares. Além das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), prefeitos, governadores e ministros, a operação conta com aproximadamente 46 mil agentes de combate às endemias e 266 mil agentes comunitários de saúde. O Ministério da Cultura participou do Dia Nacional em Rio Branco, no Acre, com a presença do ministro Juca Ferreira, em Petrolina (PE), com a participação do secretário-executivo substituto, Aloysio Guapindaia, e em Vila Velha (ES), onde esteve Jurema Machado, presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
 
Elaina Daher
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura