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Museus exploram diversidade cultural em todo o País

26.2.2016 - 8:55  
Máscara mortuária de Getúlio Vargas (acima), em exposição no Museu Histórico Nacional, e parte do acervo do Museu do Vaqueiro (Fotos: Museu Histórico Nacional e Museu do Vaqueiro)
 
 
Visitar um museu é uma oportunidade de conhecer melhor o que se produz e o que já se produziu em termos culturais e históricos no Brasil e no mundo. De pinturas e esculturas a documentos históricos, de peças da cultura popular, como instrumentos de vaquejada e máscaras mortuárias, a fotos e vídeos sobre diversidade cultural, o acervo dessas instituições abrem ao público um universo de conhecimentos, histórias e curiosidades. Em todo o país, são mais de 3,6 mil instituições, distribuídas em todas as regiões, ainda que concentradas nas grandes cidades.
 
Uma das peças emblemáticas do Brasil Colônia eram os santos do pau oco. Nessa época, os portugueses cobravam um imposto de 20% por todos os metais preciosos encontrados no País, o chamado Quinto. Para driblar a cobrança, artesãos esculpiam santos em madeira oca, para que, no interior deles, ouro pudesse ser escondido. Daí surgiu o termo santo(a) do pau oco, para designar pessoas não confiáveis. Um exemplar dessas estátuas pode ser visto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
 
No mesmo museu, há, entre muitas outras peças interessantes, um acervo de máscaras mortuárias de pessoas ilustres, entre elas a de Getúlio Vargas e de Napoleão Bonaparte. Durantes muitos anos, a produção dessas máscaras era comum. Confeccionadas de cera ou gesso, eram elaboradas a partir do molde colocado sobre o rosto de uma pessoa recém-falecida para ser usada como lembrança ou modelo para criação de retratos. 
 
Diversidade de temas
 
Muito além de pinturas e esculturas, os museus brasileiros abordam uma diversidade de temas. Em São Paulo, por exemplo, a temática da diversidade sexual ganhou um espaço para manifestações artísticas. O Museu da Diversidade Sexual abriga fotos e vídeos que abordam assuntos como preconceito e liberdade sexual.
 
Em Acari, no Rio Grande do Norte, a figura do vaqueiro ganhou um museu, cujo acervo inclui fotos, vestuário e objetos de trabalho. O local também abriga a Escola de Jovens Sanfoneiros, em que literatura, música e história do sertão são os grandes temas inspiradores dos trabalhos desenvolvidos pelos artistas.
 
As santas e imagens atribuídas ao Mestre de Angra e ao Mestre Bolo de Noiva, importantes escultores do estado do Rio de Janeiro, são algumas das peças que podem ser conhecidas no Museu de Arte Sacra de Paraty, que reabriu as portas na Igreja de Santa Rita, em junho de 2015, após ampla obra de restauração. 
 
Mais ao Sul, no município de Xanxerê (SC), autodenominado "Capital Estadual do Milho", há um pequeno museu que mostra os antigos métodos de trabalho do cultivo do milho.  Decorado com fotos, objetos e documentos antigos, remonta parte da história dos colonizadores e agricultores do município. 
 
Semana dos Museus
 
Apesar de o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), ser responsável pela administração direta de apenas 29 museus, ele se articula em algumas ações com museus de todo o País. Além disso, é o órgão responsável por pensar as políticas públicas na área de museus: desde a criação de normas até a fiscalização delas. 
Uma dessas ações é a Semana dos Museus, que neste ano será realizada de 16 a 22 de maio.
 
Durante essa semana, os museus brasileiros inscritos desenvolvem uma programação especial em prol do dia 18 de maio, em que se comemora o Dia Internacional de Museus. Nesta 14ª edição, o tema será Museus e paisagens culturais. 
 
De acordo com o Ibram, durante a Semana dos Museus, a média de visitantes nas instituições participantes chega a subir mais de 90%, segundo dados obtidos na última edição da atividade.
 
Camila Campanerut
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura