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Ministro recebe lideranças do povo Yawalapiti

10.03.2016 - 21:16  
Ministro Juca Ferreira recebe convite para participar do Kuarup (Fotos: Janine Moraes)
 
 
O ministro Juca Ferreira recebeu na tarde desta quinta-feira (10), lideranças de povos do Alto Xingu. Juntos, eles solicitaram apoio do Ministério da Cultura para a realização do Kuarup, tradicional ritual de homenagem aos mortos ilustres celebrado pelos povos indígenas da região, localizada no Mato Grosso. Na ocasião, os líderes convidaram o ministro para conhecer a cerimônia e requisitaram ainda o registro do ritual como patrimônio cultural imaterial brasileiro.
 
"O Kuarup é uma cerimônia muito importante para a cultura brasileira e o ministério tem interesse em fortalecer a relação com os povos indígenas. O ritual deste ano será ainda maior porque eles vão convidar integrantes de várias outras aldeias do Xingu em homenagem ao cacique que faleceu no ano passado. Foi por isso que vieram aqui e nós faremos o possível para ajudá-los", disse o ministro. Juca, que mostrou interesse em acompanhar o ritual deste ano, afirmou que no prazo de uma semana o MinC analisará a viabilidade do apoio solicitado.
  
No Kuarup deste ano, que ocorrerá entre 10 e 14 de agosto, o ritual terá uma dimensão ainda maior do que o de costume, em homenagem a Pirakuman Yawalapiti, cacique falecido no ano passado durante a celebração do ritual, inclusive. Normalmente, a cerimônia é realizada com a integração de nove etnias. Neste ano, serão convidados membros de 16 povos. De acordo com os organizadores, estima-se a reunião de cerca de 5 mil pessoas. 
 
Pirakuman era irmão de Aritana Yawalapiti, cacique de todos os povos da região do Alto Xingu. Por questões pessoais, o cacique não pôde comparecer ao encontro com Juca Ferreira, mas seus irmãos Waripira e Makawana Yawalapiti, e seus sobrinhos Katato e Watatakalu Yawalapiti, ambos filhos de Pirakuman, trouxeram ao ministério os anseios de seu povo. 
 
"Meu tio foi uma pessoa muito importante para o nosso povo e para vários povos do Xingu. Nós queremos fazer um ritual muito maior em razão disso, mas infelizmente não temos como trazer todas essas pessoas para essa celebração. Como anfitriões, ficamos responsável por proporcionar a vinda desses povos a nossa aldeia e a dar alimentação a eles, mas infelizmente tivemos uma seca no ano passado. A mandioca não vai crescer a tempo", afirma Watatakalu Yawalapiti.
 
Entre os apoios solicitados pelos Yawalapiti, estão ajuda para a compra de combustível para as embarcações e alimentos para os visitantes durante o período em que será realizado o ritual. Uma conversa deverá ser iniciada entre o MinC e a Fundação Nacional do Índio (Funai) para a viabilização destes auxílios.  
 
Pirakuman Yawalapiti foi uma das principais lideranças dos povos do Xingu, defensor ardoroso da preservação da cultura indígena. Seu pai, Kanato, foi o líder indígena mais próximo de Orlando Villas Boas e grande defensor da criação do Parque Indígena do Xingu. Foi com os irmãos sertanistas Villas Boas que Pirakuman aprendeu o português e foi alfabetizado. Mesmo após a criação do parque, Pirakuman continuou lutando pela preservação da cultura dentro das aldeias e por políticas públicas adequadas voltadas aos povos indígenas.
 
Patrimônio Cultural Imaterial 
 
Durante o encontro, os Yawalapiti voltaram a solicitar o registro do Kuarup como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Em conversas realizadas no ano passado, o pedido já havia sido realizado ao ministério. Para o registro, entretanto, é necessário que todos os povos entrem em consenso sobre a sua formalização - fato que não ocorreu até o momento.
 
Também presente, TT Catalão, diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sugeriu aos líderes indígenas a realização de reuniões e oficinas a membros de todos os povos para explicar a eles do que se trata exatamente o registro e como o ritual pode ser ainda mais fortalecido se registrado.
 
"Para a formalização de bens imateriais é preciso apenas uma inscrição no Livro de Registro, que se dá por um longo processo. Para o início, entretanto, é preciso que haja anuência de todos os povos. Eles têm que querer que o Kuarup seja um bem registrado e isso ainda não aconteceu", explicou Catalão.
 
O diretor destacou ainda que o registro é essencial para que o ritual seja preservado. "O processo, por si só, já fortalece o bem imaterial registrado. Toda a produção de conhecimento envolvida nas etapas de registro e a mobilização necessária para a sua efetivação implica no que chamamos de salvaguarda desse bem, que permitirá que ele continue, inclusive", disse.
 
 
Cristiane Nascimento
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura