Ministério da Cultura e Amazon debatem parcerias

 
 
16.3.2017 - 15:56  
Alex Szapiro e o ministro Roberto Freire debateram possíveis parcerias entre a o Ministério da Cultura e a Amazon (Foto: Edson Leal/Ascom MinC)
 
 
Fomentar a leitura no Brasil, ampliar o acesso a obras literárias e incentivar a produção de escritores brasileiros independentes. O alcance dessas metas do Ministério da Cultura (MinC) pode ganhar mais um aliado: a Amazon. Em reunião nesta quinta-feira (16) entre o ministro Roberto Freire e representantes da empresa norte-americana, teve início um diálogo para a construção de futuras parcerias. 
 
Concentrado em aumentar o acesso dos brasileiros a livros, o ministro estuda a possibilidade de firmar um convênio com a Amazon para disponibilizar gratuitamente obras que estão em domínio público, ou seja, não precisam pagar direitos autorais. Os direitos de autor no Brasil duram 70 anos a partir de 1° de janeiro do ano subsequente à morte do autor. 
 
"Queremos unir a tradição com vanguarda. Esses livros vêm da nossa tradição (literária). Muitos deles são clássicos. Que ótimo que a gente possa oferecer isso em uma ferramenta bem moderna. Esse é um bom exemplo de parceria que estamos pensando em fazer aqui no ministério", destacou Freire. 
 
De acordo com o diretor-geral da Amazon no Brasil, Alex Szapiro, a experiência da empresa no País, nos últimos cinco anos, tem mostrado que não existe competição entre o livro físico e o digital e que a venda em um formato ou outro varia conforme o gênero literário e o tipo de experiência que o leitor quer ter. "Tem gênero, como o infantil, que o pai lê para o filho, então vende mais no físico. Já um romance sai mais em formato digital", exemplificou. 
 
Szapiro afirmou ainda que duas questões apontadas como razões pelos brasileiros para o baixo índice de leitura seriam a dificuldade de encontrar algumas obras e o preço. "Um dos nossos objetivos é que o livro seja acessível e universal. Com esse foco, estamos tentando criar no MinC uma série de ações com efeitos permanentes", destacou o ministro. 
 
Prêmio e GT
 
Outra proposta levantada de parceria com a empresa é a elaboração de um prêmio de estímulo a escritores independentes, que utilizam plataformas digitais on-line para divulgar seus trabalhos.  
 
Ainda durante a reunião, foi feito um convite para que a Amazon participe de um grupo de trabalho (GT) que está em formação dentro do MinC com o objetivo de analisar, discutir e propor reformas na legislação referente ao depósito legal e à inclusão da guarda de publicações digitais. 
 
"O Brasil vive uma questão muito delicada em relação à custódia da memória bibliográfica. A lei 10.994 (de 2004), que regula o depósito legal, está bastante atrasada em relação aos países de primeiro mundo, porque não contempla documentos digitais. Hoje, ela estabelece que a Fundação Biblioteca Nacional (vinculada ao MinC) é responsável pela custódia, guarda e disseminação apenas daquilo que é publicado em papel", explicou o diretor do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) do MinC, Cristian Brayner.
 
Também participaram da reunião o diretor do Departamento de Direitos Intelectuais do MinC, Rodolfo Tamanaha e, por parte da Amazon, as gerentes de Relações Governamentais, Joana Almeida, e de Relações com Editoras, Gabriela Berriel Monteiro, e o consultor Bruno Ambrósio.
 
Camila Campanerut
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura