“A cultura é ferramenta de combate ao preconceito”

 


17.2.2017 - 11:30   

"A cultura pode mudar o mundo, abrir olhares e pensamentos. A arte é uma maneira de quebrar preconceitos ou tabus", afirma Eliseu de Oliveira Neto, coordenador-geral de Institucionalização do Minc (Foto: Edson Leal / Ascom MinC)
 

No Dia Internacional Contra a Homofobia, neste 17 de maio, o coordenador-geral de institucionalização do Ministério da Cultura da Secretaria de Articulação e Desenvolvimento Institucional (SADI), Eliseu de Oliveira Neto, coordena o trabalho para reativar o Comitê Técnico de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) do MinC, parado há um ano. Ele enxerga um cenário de recrudescimento da intolerância no Brasil, e defende que a área cultural deve ser vanguardista na luta pela equidade de direitos.

Psicólogo, professor universitário, Eliseu Neto faz parte do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT), órgão colegiado integrante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). Na SADI do MinC, Eliseu Neto tem a função de promover cursos de formação de gestores e conselheiros culturais e assessorar a elaboração de planos estaduais e municipais de cultura. Para tanto, ele tem realizado visitas in loco a diversos municípios de todo o país. "Podemos contribuir para empoderar as pessoas que trabalham com cultura, principalmente aquelas dos pequenos municípios. Faremos esforços para capacitar as nossas representações regionais para que esse conhecimento chegue a todos os lugares e municípios", adianta.

Para ele, a formação de produtores e agentes culturais é importante, mas não pode ser a única contribuição. "Precisamos dos conselhos municipais de Cultura em todos os municípios para que eles façam a fiscalização, já que não conseguimos estar em todos os lugares. O grande parceiro do MinC é a sociedade civil, que precisa se apropriar e entender que o dinheiro da Cultura é de todos", conclui.
 
Atuação Multidisciplinar
 
O ativista dos direitos LGBT acredita que o Brasil precisa de uma atuação multidisciplinar de combate à homofobia em vários setores para estancar o que chama de "epidemia de homofobia e transfobia". Ele lembra que o País é um dos que mais mata gays, lésbicas, transexuais e travestis. "Não temos leis para combater esses violentos crimes de ódio contra a população LGBT", critica. Além da falta de legislação específica, Neto aponta muitos gargalos a serem resolvidos: preconceito em sala de aula, baixa inclusão de transexuais no mercado de trabalho e baixa expectativa média de vida das travestis brasileiras (35 anos). "A nossa luta tem que se dar em vários espaços, na cultura, educação, direitos humanos e saúde", enumera. É preciso haver transversalidade nas ações, de acordo com Eliseu Neto. "O MinC tem atuado da maneira que pode para enfrentar a homofobia, transfobia e trazer dignidade para essa população. O preconceito permeia todos os espaços e é nosso papel lutar contra isso."
 
Papel da Arte
 
"A cultura tem um papel fundamental, porque ela tem capacidade tanto de combater o preconceito quanto valorizar o público LGBT. Ela pode mudar o mundo, abrir olhares e pensamentos. A arte é uma maneira de quebrar preconceitos ou tabus", define. 
 
Pauta Histórica
 
Neto destaca que o combate à intolerância é uma pauta histórica do ministro da Cultura, Roberto Freire. "Por isso, estamos trazendo de volta o Comitê Técnico LGBT, para pensarmos juntos o que é a cultura LGBT, apoiá-la e torná-la mais visível. São Paulo tem um Museu da Diversidade. Queremos levar isso para o Rio de Janeiro também", exemplifica. 
 
 
Erneilton Lacerda
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura