Sá Leitão é homenageado com Medalha Tiradentes no Rio

 
 
18.06.2018 - 12h36  
 
Deputado estadual Marcos Abrahão (Avante) condecora o ministro com a medalha Tiradentes
 
Ministro Sérgio Sá Leitão, ao lado da reitora da Uniflu, Inês Ururahy (centro) e da presidente da mantenedora da universidade, Annelise Maria de Oliveira Wilken de Abreu (direita), recebe o diploma de Doutor Honoris Causa pelo Centro Universitário Fluminense (UNIFLU)
 
 Em discurso, ministro defende que cultura não é gasto, é investimento (Fotos: Clara Angeleas)
 
 
O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, recebeu duas importantes homenagens nesta segunda-feira (18), pela manhã, na sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no plenário do Palácio Tiradentes, no Rio. Foi agraciado com a Medalha Tiradentes, concedida pela Alerj, e recebeu o título de Doutor Honoris Causa, pelo Centro Universitário Fluminense (UNIFLU), entregue pela reitora da instituição, Inês Ururahy.
 
Maior comenda do legislativo do Rio de Janeiro, a medalha é entregue a personalidades que se destacam por seus serviços prestados ao estado e ao País. O deputado estadual Marcos Abrahão (Avante), é o autor do projeto que assegurou ao ministro a homenagem.
 
Em seu discurso, o ministro Sá Leitão se disse honrado por receber uma homenagem, em seu ponto de vista, tão significativa. "Esta comenda me orgulha muito, em primeiro lugar, porque ela simboliza dois princípios fundamentais, a democracia e o estado de direito. Em segundo, porque ela representa o povo, o interesse e o potencial do meu estado natal, o Rio de Janeiro.
 
Em terceiro, porque ela dá vida e sentido a um imóvel que eterniza o patrimônio histórico e cultural brasileiro. São três causas às quais tenho me devotado com afinco ao longo da minha trajetória pessoal e professional", destacou.
 
Sá Leitão lembrou a importância histórica de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, personagem que dá nome à comenda concedida pela Alerj. "Mártir da liberdade e da Independência, Joaquim José da Silva Xavier, como seus parceiros de Inconfidência, insurgiu-se contra o excesso de estado e de impostos; e a falta de liberdade. Foi, portanto, expoente de um movimento essencialmente liberal, escola de pensamento econômico e político à qual me filio", declarou.
 
A energia do nosso povo, sua capacidade empreendedora, seu poder do trabalho e o conhecimento são, na avalição do ministro, as ferramentas necessárias para a superação das adversidades. "Esta consciência é o que me anima a trabalhar intensamente pela cultura e pela economia criativa brasileiras e, em especial, pelo Rio de Janeiro ", disse.
 
O ministro defendeu que o Estado seja um indutor de desenvolvimento sem castrar ou pretender substituir a capacidade transformadora do empreendedorismo individual. "O excesso de Estado, que castra a energia social dos cidadãos e favorece o conformismo, o patrimonialismo, o fisiologismo, o populismo e a corrupção. Um aparato estatal excessivo, centralizador, hipertrofiado, representa um imenso risco para a sociedade e os indivíduos", ponderou.
 
Na avaliação de Sá Leitão, o Rio de Janeiro e o Brasil precisam de um choque de liberalismo para conquistar mais desenvolvimento, mais liberdade e mais responsabilidade. "Nosso estado e nosso País precisam da capacidade criadora, produtiva e transformadora de seus cidadãos e cidadãs. É fundamental apostar em suas vocações e em seus ativos, sobretudo os que podem impactar mais (e positivamente) o seu desenvolvimento, como a cultura e a economia criativa", afirmou. Cultura gera desenvolvimento.
 
Potencial da Cultura
 
O potencial das atividades culturais e criativas foi destacado pelo ministro durante a cerimônia de entrega da medalha. Sá Leitão citou os números da indústria criativa no País, que gera um milhão de empregos formais diretos, 200 mil empresas e instituições e 3,5% das exportações do país, um desempenho superior à indústria de eletroeletrônicos, por exemplo.
 
No caso do Rio, de acordo com o ministro, as atividades criativas representam 3,7% do PIB e mais de 100 mil empregos formais diretos. "Trata-se de um front de desenvolvimento para o qual o Brasil demonstra evidente vocação. E que apresenta alto impacto econômico e baixo impacto ambiental. Há também um vasto potencial de crescimento. Estudo recente da consultoria PriceWaterhouseCoopers estima em 4,6% ao ano a taxa média de expansão do setor nos próximos cinco anos", evidenciou.
 
No âmbito da cultura e da economia criativa, o Rio de Janeiro tem forte vocação para a realização de grandes eventos, como festivais de música, o Carnaval e o Réveillon, ícones da cidade, que servem de impulsionadores de outros segmentos, como o turismo e os serviços de suporte e logística. Para o ministro, o "Made in Rio" é um ativo intangível de extremo potencial econômico. "Não podemos desperdiçar este ativo. Trata-se de um imperativo ético. O Rio precisa de um projeto de desenvolvimento, não de um projeto de poder. As atividades culturais possuem um viés de atração incrível para a juventude, gerando exemplos positivos na música, nas artes, no audiovisual. Não há antídoto melhor para este alarmante problema que é o elevado desemprego entre jovens".
 
Para o ministro, cultura não é gasto, é investimento, e, por esta razão, a política cultural deve ser vista pela sociedade (e realizada pelos governos) como um cardápio de iniciativas de promoção de desenvolvimento econômico. "O objetivo dos governos deve ser estimular um setor que, como demonstram os dados mencionados, contribui imensamente para o crescimento do país. E pode contribuir ainda mais".
 
A Lei Federal de Incentivo à Cultura, também conhecida como Lei Rouanet, foi mencionada pelo ministro como um instrumento de política econômica, que visa ampliar o financiamento de projetos culturais realizados por empresas pequenas, médias e grandes de todas as regiões do país e de todos os segmentos da economia criativa. "Quem ganha com isso é o conjunto da sociedade, não apenas os artistas. O mesmo vale para a Lei do Audiovisual, o Recine e o Fundo Setorial do Audiovisual. A disponibilização de incentivos fiscais, de crédito e de fomento direto é uma das principais formas pelas quais governos em todo o planeta estimulam o crescimento de setores estratégicos da economia", exemplificou. 
 
Gestão no MinC
 
Durante a cerimônia de entrega da medalha, o ministro elencou ainda algumas das principais medidas implementadas por ele ao longo de sua gestão no Ministério da Cultura. Entre as ações destacadas estão o programa Rio de Janeiro a Janeiro, que terá ao longo de 2018 um investimento federal de R$ 150 milhões em eventos de cultura, turismo, esporte e negócios, a criação do programa Niterói Audiovisual, em parceria com a prefeitura, para o qual o MinC já destinou cerca de R$ 10 milhões, incluindo um edital de produção e o Museu do Cinema.
 
A revitalização do Centro Técnico Audiovisual (CTAV), em Benfica, que receberá este ano um investimento recorde de cerca de R$ 20 milhões, a reforma da fachada da Biblioteca Nacional, cujo investimento total foi de R$ 30 milhões e a construção de dez centros culturais no estado, em parceria com prefeituras, sendo que cinco estão concluídos (Itaguaí, Macaé, Nilópolis, Tanguá e Volta Redonda) e cinco estão em andamento (Belford Roxo, Mesquita, dois em Nova Iguaçu e Três Rios), num total de R$ 23 milhões foram outras ações enfatizadas pelo ministro.
 
Medalha Tiradentes
 
Instituída pela Alerj, por ocasião das comemorações do bicentenário da Inconfidência Mineira, em 21 de abril de 1989, a Medalha Tiradentes é a maior comenda do legislativo no Estado do Rio. A concessão do título, que é feita mediante projeto de resolução, com apoio de dez deputados, pode ser concedida a personalidades nacionais ou estrangeiras que, de qualquer forma, tenham serviços prestados ao Estado do Rio de Janeiro, ao Brasil ou à Humanidade.
 
Leia aqui a íntegra do discurso do ministro.
 
Assessoria de Comunicação 
Ministério da Cultura