Yukio Mishima é tema de mostra na Cinemateca Brasileira

 
 
9.8.2018 - 15:25  
O Homem do Vento Cortante e O Templo do Pavilhão Dourado são alguns dos filmes que serão exibidos na mostra Redescobrindo Yukio Mishima (Fotos: Reprodução)
 
 
Começa nesta quinta-feira (9) na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a mostra Redescobrindo Yukio Mishima, com filmes protagonizados ou baseados na obra do escritor japonês, considerado um dos mais importantes do século XX. O evento, que segue até 18 de agosto, inclui também roda de leitura, palestra e uma apresentação de butô, dança típica japonesa criada na década de 1950. Todas as atividades serão realizadas na sede da Cinemateca, ligada à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.
 
Na abertura da mostra, às 20h desta quinta-feira, será exibido o longa O Homem do Vento Cortante (1960), de Yasuzô Masumura, que traz Mishima como ator. O evento conta com parceria da Fundação Japão e do Consulado Geral do Japão em São Paulo.
 
Nascido em Tóquio, em 1925, Mishima alcançou grande sucesso literário aos 24 anos, com a publicação de Confissões de uma máscara, romance de tom biográfico sobre um jovem que se apaixona platonicamente por um colega mais velho. Em seguida, romances como Cores proibidas, O Templo do Pavilhão Dourado e O marinheiro que perdeu as graças do mar consolidaram seu prestígio.
 
Profundamente interessado por artes marciais, Mishima se juntou a outros praticantes para formar o Tatenokai (Sociedade da Armadura), entidade comandada por ele e dedicada aos valores tradicionais japoneses e ao culto ao imperador. Em 1970, acompanhado por membros do grupo, Mishima rendeu o comandante do Quartel General das Forças de Autodefesa Japonesas em Tóquio, em uma tentativa de persuadir os soldados a restituírem os poderes ao Imperador Shōwa. Comprometido com o Bushido (o código de conduta samurai), Mishima cometeu o ritual suicida seppuku diante de seus companheiros. À época, acabara de concluir sua tetralogia O mar da fertilidade.
 
Sua obra, de forte teor homoerótico, é permeada pelo embate entre as tradições culturais e a vida moderna no Japão. Por três vezes, concorreu ao Prêmio Nobel de Literatura. Teve diversas obras traduzidas e publicadas no Brasil durante a década de 1980.
 
Além de O Homem do Vento Cortante, a mostra vai exibir filmes como Conflagração, de Kon Ichikawa, O equívoco da virtude, de Kô Nakahira, Mar inquieto, de Senkichi Taniguchi, e Neve de primavera,  de Isao Yukisada, entre outros. 
 
Roda de leitura
 
Outro destaque da programação é a Roda de Leitura sobre Mishima, no dia 11, conduzida pelos pesquisadores Davi Vassalão e Thainá Garcia, do Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo. No dia 18, encerramento do evento, será realizada a palestra Yukio Mishima – às vésperas dos 50 anos de sua morte, ministrada pela professora Makiko Kitani, da Universidade Doshisha, do Japão, com comentários do professor Andrei Cunha, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
 
A programação apresenta, ainda, uma performance de butô, livremente inspirada em Sol e Aço, uma das obras finais de Mishima, que será apresentada pela coreógrafa, dançarina de butô e performer Emilie Sugai.
 
Toda a programação tem entrada gratuita. Os ingressos serão distribuídos na bilheteria uma hora antes de cada sessão, sujeito à lotação da sala.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura