MinC reforça a formação de novos espectadores infantis

11.10.2018 - 18:25   

 
O Ministério da Cultura (MinC) trabalha no fomento à cadeia produtiva audiovisual de conteúdos voltados para a infância e juventude. Entre 2017 e 2018, o MinC lançou sete editais voltados diretamente para o público infantil e outros editais de temática livre direcionados à faixa-etária de zero a 12 anos. Ao todo, foram injetados cerca de R$ 30 milhões, com recursos do Fundo Nacional de Cultura (FNC).
 
Somente este ano, no maior pacote de editais lançados pela Secretaria do Audiovisual (SAv) do MinC, sete chamadas públicas buscavam projetos para os públicos infantis e juvenil. Dos R$ 80 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) – uma categoria do FNC – destinados aos editais do programa AudiovisualGeraFuturo, 36,25% dos recursos contemplavam projetos para crianças e jovens. Os projetos contemplam longa animação, curtas, série (live action), documentários, produção de jogos e transmídia para infância. A seleção dos vencedores pela comissão avaliadora deve começar nas próximas semanas.
 
A expressividade da infância no audiovisual é observada em iniciativas como o Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI), que reuniu mais 1,7 milhão de crianças, de diversas cidades, ao longo de 16 edições anuais do evento. O Festival já contou com R$ 10,7 milhões aprovados pelo MinC via Lei Rouanet e foi um dos selecionados do edital Festivais, Mostras, Premiações, Eventos de Mercado e Ações de Promoção, do programa AudiovisualGeraFuturo, lançado em fevereiro deste ano. A expectativa é que o festival reúna, este ano, 75 mil crianças nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Niterói, Aracaju e Natal.
 
Na avaliação da cineasta Carla Camurati, diretora do festival, investir na formação do olhar audiovisual das crianças é a melhor ação a ser tomada pelo poder público. "Os filmes e festivais voltados para o público infantil devem ser uma preocupação muito grande, sempre. O mercado acaba fazendo filmes para entretenimento familiar, quando deveria ter um olhar mais agudo para a criança. Hoje, 85% da comunicação do mundo ocorre por meio do audiovisual, e isso é definitivo para a formação da criança", ponderou. Com seu filme Carlota Joaquina, Camurati marcou a chamada retomada do cinema nacional.
 
O FICI ainda conta com o programa Tela na Sala de Aula, que exibe filmes para crianças de escolas da rede pública ou que participem de projetos sociais. "Mesmo tendo cinema perto de casa, muitas crianças entre 8 e 9 anos que participam das sessões do programa nunca tinham visto filmes nas telas de um cinema. O cinema ajuda as crianças a formar um olhar para o audiovisual", destacou a cineasta.

Conteúdo interativos

"O fato de o MinC realizar editais é da maior importância. Além do reconhecimento, também há efetivamente um apoio financeiro antecipado. Sem ele [recurso financeiro], os festivais mal conseguiriam existir", Beth Carmona (Foto: Divulgação Singular Mídia & Conteúdo)
 
Selecionado no Programa Nacional de Fomento ao Audiovisual (Proav), criado pela Secretaria do Audiovisual (SAv) do MinC, o festival comKids promove, desde 2010, conteúdos digitais, interativos e audiovisuais de qualidade para crianças e adolescentes. Desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes (Midiativa), em parceria com a Singular, Arquitetura de Mídia, a iniciativa tem foco em responsabilidade social, desenvolvimento cultural e estímulo à economia criativa no Brasil, na América Latina e na Península Ibérica. O comKids já teve R$ 2,2 milhões aprovados pelo MinC via Lei Rouanet.
Diretora do comKids, a consultora e produtora de projetos especializados na área infantojuvenil Beth Carmona conversou com o Portal do MinC sobre a importância dos festivais voltado para jovens e crianças.
 
Portal MinC: Desde a criação do comKids, na sua avaliação, houve uma ampliação da produção de conteúdo audiovisual infantil? Como era o cenário na primeira edição do festival e qual é o momento atual desse segmento de mercado?
 
Beth Carmona: Antes mesmo do comKids abarcar o festival com objetivo de formação de produtores e de público; e de surgir como um selo ligado a qualidade audiovisual infanto-juvenil, em 2009; o Midiativa já vinha levantando essa bandeira sociocultural desde 2002, com palestras e seminários, sempre na parceria com o Instituto Goethe e o SESC. O foco sempre foi TV pública da Europa e mercado dos Estados Unidos e Canadá. Também abrimos um canal forte de troca e compromisso com a América Latina. Foi observando essa produção, trabalhando com profissionais da criação para crianças e nos aproximando das pessoas que já trabalhavam com educação que criamos um pensamento para os festivais e eventos comKids. Não resta dúvida de que esses eventos influenciaram muito o ambiente brasileiro. Há grande diferença nas séries e criações feitas antes e depois dos festivais. Claro que as ações de política pública do audiovisual, tanto da SAv como da Ancine, também foram importantes para o crescimento em qualidade e quantidade.
 
Portal MinC: Como os mecanismos de fomento e políticas culturais têm contribuído para a melhoria dessa produção? Ou mesmo para o aumento de filmes, séries, etc?
 
Beth Carmona: O ambiente em 2003, 2004 e 2005 era difícil. Havia ainda pouco espaço para produção independente, ainda mais a infantil. Mas em meados dos anos 90 a TV Cultura acordou esse mercado, formou excelentes profissionais. Outras ações importantes movimentaram o setor, como o Curta Criança, um edital da Secretaria do Audiovisual, cuja primeira edição foi lançada em 2003, que abriu os olhos para a importância de olharmos para crianças com produtos específicos. Tive a felicidade de participar ativamente nestes dois momentos. Com a Lei do Audiovisual, que passa a atuar no setor de TV por assinatura e, ao mesmo tempo, abre financiamento e editais de produção nacional com cotas de espaço nas grades dos canais, tivemos ótimos avanços. Já eram muitos os canais 24h com programação infantil, que foram obrigados a se relacionar e contratar nossos produtores. Alguns deles, já mais maduros com noção de responsabilidade e percepção das nuances que existem ao pensar num projeto infanto-juvenil. Acredito que os festivais tiveram um grande papel, ao preparar profissionais e audiência para reconhecer e exigir uma produção feita à altura das crianças. 
 
Portal MinC:  Na sua opinião, qual importância da Rouanet e dos editais de audiovisual para a realização do comKids? 
 
Beth Carmona: Hoje, não só no Brasil, como também na Europa e no mundo, os festivais têm um amplo reconhecimento como espaço de discussão, fomento e letramento audiovisual. O fato de o MinC realizar editais é da maior importância. Além do reconhecimento, também há efetivamente um apoio financeiro antecipado. Sem ele [recurso financeiro], os festivais mal conseguiriam existir. A Lei Rouanet ajuda, mas nem todos os empresários entendem o tamanho do alcance dessas ações, que propiciam experiências únicas para crianças e crescimento para o setor audiovisual.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura