Com Rouanet, Instituto promove artes visuais da Amazônia

 

 

16.11.2018 - 18:20   

Obra Cocar Rei, da artista indígena Duhigó (Foto: Reprodução)
 
 
Fundado em 2001 pelo maestro Dirson Costa, o Instituto homônimo tem o objetivo de formar, por meio do estudo das artes e da cultura da paz, o homem habilitado para o pleno exercício da cidadania. Para tanto, a instituição oferece em Manaus (AM), por meio da Escola de Artes Dirson Costa, cursos profissionalizantes em pintura e marchetaria e vivências e orientações poéticas em pintura, ciência e arte dos anjos e história e estética da arte. Tudo isso com o apoio da Lei Rouanet de incentivo à cultura. 
 
"A Lei Rouanet foi fundamental para realizarmos a implantação e desenvolvimento da Escola de Artes Dirson Costa. Por esta lei de incentivo à cultura obtivemos o patrocínio exclusivo do Banco da Amazônia, o que permitiu ao Instituto formar uma geração de artistas visuais indígenas para o mercado brasileiro de arte. Não utilizamos nenhum outro incentivo, apenas o da Lei Rouanet e recursos próprios", diz Aidalina do Nascimento Costa, diretora-presidente do Instituto. 
 
Antes de iniciar as atividades de formação, o Instituto Dirson Costa (IDC) fez uma pesquisa na cidade de Manaus para saber se havia parcelas da população que não estavam sendo atendidas pelas políticas culturais do Governo do Amazonas e das demais instituições privadas da cidade. O resultado evidenciou que a população indígena residente na capital não era atendida por nenhum projeto cultural, tanto de iniciativa pública quanto privada, e nem mesmo pelas instituições de apoio aos indígenas.
 
Foi então que a diretoria do IDC decidiu organizar, em 2002, com recursos próprios, uma oficina de arte com duração de 3 meses para compreender o potencial cultural e artístico da população indígena "desaldeada" e residente na capital. "O nosso objetivo era oferecer a possibilidade de mudança na esfera social e econômica dessa população garantindo a preservação cultural de sua etnia", ressalta Aidalina.
 
A oficina contou com 43 indígenas de 10 etnias diferentes da Amazônia e os resultados foram tão surpreendentes que a direção do IDC optou pela criação da Escola de Arte IDC. "Fizemos a seleção dos 10 melhores alunos da oficina para ingressarem na Escola de Arte profissionalizante nas técnicas de pintura sobre tela, marchetaria, xilogravura e escultura, com o intuito de formar uma geração de artistas expressando a poética amazônica".

Apoio integral ao aluno

Durante o curso, os alunos recebem 100% de apoio para estudar em paz, já que o Instituto busca oferecer ensino de excelência em todos os sentidos. Para tanto, oferecem refeições, vale-transporte, apoio médico e psicológico, material técnico, professores artistas, ambiente adequado ao progresso e muita atenção e respeito.
 
De acordo com Carlysson Sena, ex-aluno do instituto, o maior bem que o Instituto Dirson Costa nos oferece é a possibilidade de exercitar valores humanos fundamentais para uma vida de paz e de realização interior. "Parte importante da minha formação ética, artística e focada no desenvolvimento da Amazônia é fruto do que aprendi no IDC. No instituto fui aluno de cursos de teatro e textos dramatúrgicos, colaboro com os projetos culturais da casa e principalmente fui testemunha ocular e ativa na criação da escola de artes, da galeria de artes e do Museu de Arte e Imaginário da Amazônia que está em implantação. Para os artistas, acredito que o IDC é um exemplo de sustentabilidade social, econômica e cultural", destaca. 
 
Seguindo o objetivo de um ecossistema de negócios conscientes das artes visuais, cuidando não só da formação do aluno, mas também incentivando sua carreira, o IDC oferece apoio após a formação. Por meio de exposições individuais e coletivas, e da publicação de catálogos, as obras dos artistas são apresentadas ao público em geral. O IDC também cuida para que possam participar da seleção para salões de arte e prêmios. Caso seja de interesse do artista, ele pode integrar o portfólio da Manaus Amazônia Galeria de Arte, criada por Carlysson.
 
A ideia da galeria de arte já existia no escopo da implantação do IDC, prevista para fazer o link entre artistas e mercado. O que Carlysson não imaginava é que ele seria o empreendedor que ficaria responsável por esse item do planejamento do Instituto. "Em 2009 fiz parte do projeto experimental Galeria de Arte e Imaginário da Amazônia (GAIA) que teve tempo curto de um ano de experimentação, durante o qual, conseguiu levar 150 obras de arte para expor em Nova Iorque abrindo minha visão sobre o potencial desse mercado.
 
Em 2014, quis retomar essa experiência e formatei, com apoio incondicional do IDC, as bases de uma galeria de arte diferente, focada no público local e na acessibilidade à arte. Anos depois, em 2016 o projeto experimental foi tão bem-sucedido que financiou a criação da Manaus Amazônia Galeria de Arte. Hoje sou um empreendedor parceiro do IDC e posso, com minha caminhada nos negócios, retribuir tudo que recebi de bom desta Instituição", afirma o empreendedor. Atualmente, Carlysson e o IDC trabalham em um projeto para a internacionalização da galeria e de suas obras, já que cerca de 80% das vendas é para o público de Manaus. 
 
Além dos cursos e da própria galeria, o Instituto também dispõe de biblioteca, ateliê-escola, centro de memória e pesquisa e do Museu de Arte e Imaginário da Amazônia – ainda em fase de implementação.

Cultura e ancestralidade 

Atualmente, a Amazônia brasileira tem 185 etnias, sendo que 80 delas estão no estado do Amazonas. Cada etnia tem sua mitolologia, lendas, histórias e visão de mundo próprias. Todo esse universo compõe uma rica matriz cultural amazônica para inspiração de obras de arte. "Nossa população vive dentro da maior floresta do mundo, de frente para o maior rio do mundo e ambos são influenciadores do nosso imaginário. Nossa arte apresenta, em sua essência, a poética amazônica, fundamentada na matriz ancestral das etnias que habitaram e ainda habitam os estados da região Norte do Brasil", ressalta Aidalina. 
 
De acordo com a diretora do IDC, a arte contemporânea amazônica é desconhecida no Brasil e no resto do mundo, o que destaca ainda mais a necessidade de divulgá-la. "Fazer com que nossa arte seja apreciada pelo público universal é fundamental para soberania, valoração cultural e posicionamento do Brasil no mundo. E para o Brasil é de extrema urgência torná-la conhecida e apreciada, pois não zelamos por aquilo que não conhecemos e amamos. Divulgar a arte amazônica traz mais dignidade ao país", conclui. 
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura