Biblioteca Nacional recupera mais 4 obras furtadas

 


3.12.2018 - 17:00  

Litografia "Rio de Janeiro Pitoresco" (1842-1845), de Buvelot & Moreau
 

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), anunciou em entrevista coletiva nesta segunda-feira (3) a recuperação de mais quatro obras que haviam sido furtadas da instituição e estavam entre o material que o Itaú Cultural disponibilizou para a análise.  As peças são a litografia "Rio de Janeiro Pitoresco" (1842-1845), de Buvelot & Moreau, e três desenhos originais de Keller-Leuzinger.

Com elas, chega a 12 o número de obras da FBN que estavam no Itaú Cultural. Em março deste ano, reportagem da Folha de S. Paulo revelou que oito gravuras do alemão Emil Bauch, de 1852, expostas no Itaú Cultural, pertenciam, na verdade, à Fundação Biblioteca Nacional. À época, a revelação se deu pelo próprio ladrão das obras, Laéssio Rodrigues de Oliveira, que as teria vendido para Ruy Souza e Silva, colecionador e ex-marido de Neca Setubal, filha de Olavo Setubal, ex-presidente do conselho e maior acionista do Itaú. O Itaú Cultural afirma desconhecer a origem ilícita dessas obras adquiridas por eles e tem auxiliado a Polícia Federal nas investigações.

Desde então, a equipe técnica da BN vem analisando 102 obras do Itaú Cultural suspeitas de pertencer à BN. Elas foram divididas para análise em três lotes. No último lote, as quatro peças foram identificadas e as demais devolvidas ao Itaú Cultural. No entanto, há ainda dezenas de itens dos lotes anteriores com análises inconclusivas que passarão por novas perícias.

Colaboração

Durante a coletiva, a BN anunciou que fará em conjunto com o Itaú Cultural um termo de colaboração que estabelecerá regras, normas e procedimentos de conduta em relação à questão do trânsito das obras de arte. O resultado esperado será a elaboração de um manual, que poderá servir para outras instituições. "O documento dará mais condições de garantir o colecionismo com segurança e será criado a partir de protocolos internacionais", afirmou a presidente da FBN, Helena Severo.

A Polícia Federal, que também participou da entrevista, informou que, a partir de novas informações da investigação e da colaboração da delação do autor dos roubos, há uma nova lista de mais obras que podem pertencer a outras instituições como o Jardim Botânico, o Museu Nacional (do Rio de Janeiro), o Palácio do Itamaraty (também no Rio de Janeiro), a Fiocruz, o Arquivo Nacional, o Arquivo da Cidade do Rio, e a Biblioteca Mário de Andrade (de São Paulo).

Foi feito um apelo para que estas instituições procurem a PF para identificar se as obras citadas, de fato, pertenciam ao seu acervo. O mesmo ladrão de obras de arte, que responde em liberdade, prestou depoimento na semana passada e deu informações sobre outras obras furtadas por ele. A investigação da polícia continua em andamento.

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura