Ministério investe no fortalecimento da Cultura Indígena

Uma série de medidas que visam o fortalecimento da Cultura Indígena foi anunciada pela ministra Marta Suplicy na noite desta terça-feira (23). Entre as ações, a ampliação da rede dos Pontos de Cultura Indígenas e a parceria com o Ministério das Comunicações que garantirá a instalação de 50 antenas GESAC - que levam internet para lugares remotos - em Pontos de Cultura.

O anúncio foi feito na solenidade da 4ª Edição do Prêmio Culturas Indígenas - Raoni Metuktire, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. Segundo a ministra, uma das estratégias do MinC para a preservação e fomento das tradições se dará com o investimento na transversalidade entre todas as ações da Pasta. Outra vertente de trabalho será o apoio à preservação do patrimônio imaterial da cultura indígena, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Mais cedo, a ministra e a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Márcia Rollemberg, estiveram reunidas com lideranças indígenas e com o cacique Raoni Metuktire, que é o homenageado do Prêmio este ano. Os índios trouxeram uma carta com reivindicações no campo da Cultura Indígena, documento produzido durante o Fórum Setorial de Culturas Indígenas, que aconteceu entre 19 e 23 de julho.

Entre os pedidos, as lideranças destacaram programas de inclusão cultural, como editais nas áreas de audiovisual pesquisa e incentivo à leitura, voltados para povos indígenas.

A ministra considerou a pauta de reivindicações e disse: - "Vamos colocar estas solicitações como metas para o MinC. Quanto mais a Cultura de vocês mostrar o seu poder, mais força os índios terão para lutar pelo que é seu", afirmou.

O cacique Raoni disse que ficou satisfeito com a receptividade que encontrou no Ministério e acrescentou que "o governo precisa escutar os indígenas para entender as nossas necessidades e trabalharmos juntos".

Prêmio Culturas Indígenas

Na cerimônia desta terça-feira, foram premiadas 100 iniciativas, todas com o objetivo de fortalecer as expressões culturais dos povos e comunidades indígenas. A proposta do prêmio é valorizar a rede de saberes e práticas culturais, dando visibilidade às mais de 300 etnias indígenas de nosso país e à rica contribuição desses povos para o patrimônio cultural brasileiro.

O concurso conta com um investimento total de R$ 1,6 milhão. Nesta edição há 70 prêmios de R$ 15 mil destinados a iniciativas locais e 30 outros, no valor de R$ 20 mil, exclusivamente para iniciativas culturais que contemplem mais de uma comunidade indígena.

A secretária Marcia Rollemberg destacou que o Prêmio faz parte de uma semana muito importante para o MinC, a Semana Cultura Viva de Povos e Comunidades Tradicionais, que conta com várias ações promovidas pelo próprio Ministério. "São quase 10 anos que a Pasta trabalha com a Cultura Indígena e o prêmio é uma forma de reconhecer o que é feito por vocês e para vocês. Só a partir do reconhecimento da Cultura como um pilar teremos chances de um futuro melhor e diferente".

Os projetos apresentados puderam ser desenvolvidos em diversas áreas das expressões das culturas indígenas, tais como terras e territórios indígenas; religião, rituais e festas tradicionais; músicas, cantos e danças e outros campos.

Veja todas as iniciativas premiadas nesta edição do Prêmio Culturas Populares

O homenageado

Nesta edição, o homenageado é uma liderança viva, símbolo de resistência da cultura dos povos indígenas. O cacique Raoni Metuktire (foto à esquerda), personalidade conhecida internacionalmente por sua luta pelos direitos dos povos indígenas e pela preservação das florestas e dos rios da Amazônia.

Ele nasceu em 1930, no estado de Mato Grosso, em uma aldeia chamada Krajmopyjakare (que hoje se chama Kapôt). Foi em 1954 que Raoni e os Caiapós encontraram pela primeira vez os homens brancos. Ele aprendeu a língua portuguesa com os Irmãos Villas-Bôas, famosos indigenistas brasileiros.

Em 1978, foi tema de um documentário intitulado Raoni. O aumento do interesse dos meios de comunicação brasileiros pela questão ambiental fez dele um porta-voz natural da luta pela preservação da floresta amazônica.

Os diferentes povos indígenas da região do Xingu, dos quais Raoni é o mais célebre representante, lutam para preservar sua cultura ancestral. Raoni encontra-se regularmente com grandes líderes, mas continua vivendo em uma simples cabana.

(Texto: Rosiene Assunção / Ascom MinC
Fotos: Elisabete Alves / Ascom MinC)