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Biblioteca Monteiro Lobato instiga nas crianças gosto pela leitura

 

18.4.2017 - 12:04  
A Biblioteca Monteiro Lobato é um oásis de alegria, com 4.975 livros voltados para o público infantil (Foto: FBN)
 
 
Monteiro Lobato ficou tão reconhecido nacionalmente como autor de referência da literatura infantil que a data de seu aniversário, comemorada nesta terça-feira, 18 de abril, virou uma efeméride: o Dia Nacional do Livro Infantil. E seu nome batiza o espaço voltado às crianças na Casa da Leitura da Biblioteca Nacional, instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), no Rio de Janeiro. A Biblioteca Monteiro Lobato é um oásis de alegria, com 4.975 livros voltados para quem está começando a ter contato com a leitura. 
 
Localizada no bairro de Laranjeiras, zona sul da capital fluminense, a Biblioteca Monteiro Lobato existe desde 1992, ano de criação da Casa da Leitura da Biblioteca Nacional. Atualmente, é totalmente informatizada e os visitantes podem fazer consultas no catálogo on-line disponível no local. 
 
A bibliotecária Giselda Brasil Aronovich, responsável pelo espaço, conta que recebe em média 20 visitantes por dia, com idade entre 8 e 9 anos. "As crianças gostam muito. A biblioteca é muito bonita. Os pais trazem os filhos, leem para eles. Hoje em dia, vejo mais pais do que mães lendo para os filhos, é interessante notar como os homens estão participando mais da vida das crianças", diz Giselda, que exerce a profissão há 34 anos e trabalha há quase dez anos no local. 
 
Entre os livros disponíveis, há espaço para clássicos de Ana Maria Machado, Monteiro Lobato e também para outros gêneros, como as histórias de terror. "Monteiro Lobato é um clássico nosso. As crianças adoram, os personagens são cativantes. Mas noto um aumento de interesse pelos livros de terror. Tenho um neto de 10 anos que também gosta de quadrinhos com essa temática", conta a bibliotecária.
 
Giselda costuma conversar com os pequenos leitores e perguntar do que eles gostam. Segundo ela, é importante deixar a criança livre para escolher. "A gente busca o que pode despertar neles a vontade de ler. Não pode ser uma imposição, senão é um sacrifício. As edições clássicas são mais grossas e em preto e branco. As crianças preferem os livros menores, coloridos", explica. 
 
A bibliotecária ressalta a importância do livro para a formação da criança. "A leitura amplia não só o conhecimento, mas o mundo. Uma criança que lida com livro provavelmente vai gostar de ler. É fundamental que essa relação seja prazerosa, para que ela tenha mais vontade de ler e conhecer novos livros", completa.
 
A Biblioteca Monteiro Lobato funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, na Rua Pereira da Silva, 86, Laranjeiras. Mais informações pelo telefone: (21) 2557-7437. 
 
Monteiro Lobato: reconhecimento e polêmica
 
José Bento Renato Monteiro Lobato (1882 – 1948) é um dos mais importantes escritores brasileiros. Nascido em Taubaté (SP), ganhou fama principalmente com o Sítio do Pica-Pau Amarelo, obra de 23 volumes escrita entre 1920 e 1947. Personagens como Narizinho, Dona Benta, Emília e Pedrinho ainda povoam o imaginário infantil.
 
Desde 2010, o nome do autor é envolvido em polêmica relacionada a conteúdo interpretado como racista em suas obras, especialmente no livro Caçadas de Pedrinho. O Conselho Nacional de Educação (CNE) chegou a vetar a distribuição da obra nas escolas públicas brasileiras. Entretanto o Ministério da Educação (MEC) e a Academia Brasileira de Letras (ABL) se posicionaram contrariamente à tentativa de proibição ao livro. 
 
Os Acadêmicos consideraram que o livro traz uma "vergonhosa realidade histórica" do País e que cabe aos professores orientar os alunos a fazer uma leitura crítica. A ABL publicou nota dizendo que os livros de Monteiro Lobato "são motivo de orgulho para uma cultura". E que "raros autores estimulam tanto os leitores a pensar por conta própria quanto Lobato, inclusive para discordar dele. Dispensá-lo sumariamente é um desperdício. A obra de Monteiro Lobato, em sua integridade, faz parte do patrimônio cultural brasileiro".
 
Alessandra de Paula
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura