Notícias

« Voltar

Centenário do Velho Guerreiro recebe homenagem com apoio do MinC

11.09.2017 - 13:40   
No ano do centenário de Chacrinha, o presidente da Funarte, Stepan Nercessian, interpreta o comunicador no cinema (Foto: Divulgação)
 
 
No mês em que José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, completaria cem anos, estão programadas diversas homenagens a um dos maiores comunicadores que o Brasil já teve. Entre as atrações, há um musical, produzido com o apoio da Lei Rouanet, e um filme contando a vida do artista, interpretado pelo ator e presidente da Funarte, Stepan Nercessian.
 
A cidade natal de Chacrinha, Surubim, também preparou algumas atrações e hoje, 11 de setembro, realiza uma festa em celebração ao centenário do Velho Guerreiro. Um desfile lembrará os principais momentos da vida do artista. 

Velho Guerreiro

Chacrinha começou sua vida artística como locutor da Rádio Tupi, em 1940, no Rio de Janeiro. Sua estreia na televisão ocorreu em 1956, na TV Tupi, como xerife do programa Rancho Alegre, uma paródia dos filmes de faroeste. 
 
Entre as décadas de 1960 e 1970, Chacrinha levou sua Discoteca para diversas emissoras de televisão - TV Excelsior, TV Rio, TV Tupi e TV Bandeirantes, alcançando altos índices de audiência. Em 1982, o "Velho Guerreiro" retornou à TV Globo, onde permaneceria com o seu maior sucesso – o Cassino do Chacrinha - alegrando as tardes de sábado, de 1982 a 1988.
 
O personagem encarnado por José Abelardo Barbosa Medeiros era extravagante e excêntrico. Vestia-se com muitas purpurinas e alegorias exageradas. Usava acessórios chamativos e dizia bordões que ficaram conhecidos, perpetuando-se no tempo. Entre os mais famosos, estão "Alô, Terezinha!", "Quem não se comunica, se trumbica", "Na TV nada se cria, tudo se copia", "Eu vim pra confundir e não pra explicar".
 
Os programas de auditório televisivos de Chacrinha eram um misto de concurso de calouros, apresentação de artistas da música e até distribuição de alimentos à plateia, como bacalhaus, pepinos, abacaxis e farinhas. Sempre rodeados de belas dançarinas – as Chacretes -, e de seu fiel escudeiro, o assistente de palco Russo, o humorista recebeu grandes nomes da música brasileira como Roberto Carlos, Perla, Raul Seixas, entre outros.
 
Sua irreverência e humor apurados foram, por vezes, confundidos com anarquismo, na época da ditadura militar.
 
Foi casado por 41 anos com Florinda Barbosa, com quem teve três filhos. Em junho de 1988, o Velho Guerreiro faleceu vítima de câncer de pulmão, após complicações cardiorrespiratórias. 

Funarte

No ano de centenário de Chacrinha, o presidente da Funarte (vinculada ao MinC), Stepan Nercessian, encarna o comunicador no cinema, trazendo sua irreverência para conectar os antigos e novos sucessos da música nacional. O artista fala sobre como foi viver na pele de um dos maiores comunicadores da televisão brasileira e sobre sua influência para a cultura e a arte nacionais. 
 
Portal MinC: Qual é a importância do Chacrinha para a cultura brasileira?
Stepan Nercessian: Para a cultura brasileira, ele foi fundamental. Foi uma revelação, é a revelação do que Mario de Andrade pensava, é o Brasil com suas cores, é o Tropicalismo e todos os grandes movimentos. Ele revelava tudo isso. Do ponto de vista da televisão, ele revolucionou e trouxe o Brasil para a TV, rompeu com padrão americano de gravata borboleta, colocava fantasia. Musicalmente, ele criou o painel mais amplo no programa dele. Trazia diversidade cultural. O Brasil estava ali totalmente representado, do rock ao Sidney Magal. Era o verdadeiro caldeirão da música brasileira. Tem uma música do Caetano Veloso que diz "botei todos os fracassos nas paradas de sucesso" e foi um pouco o que o Chacrinha fez. Tinha tudo para não dar certo e transformou tudo isso. Colocou defeitos e dificuldades como grandes atrativos.
 
Portal MinC: Nos tempos atuais, o senhor acredita que caberia um Chacrinha na televisão?
Stepan Nercessian: Acredito que sim porque precisa ter alguém com a coragem que o Chacrinha teve. Para ser ele próprio, ele sofreu muito, brigou, foi demitido várias vezes. Era comum decretar "O Chacrinha acabou", ele enfrentou a censura, a ditatura, o preconceito, a direção das televisões que queriam eliminar ele para fazer algo que consideravam de alto nível, mas ele resistiu porque acreditava muito naquilo. O difícil hoje é aparecer alguém para lutar com a mesma galhardia que ele.  Eu acredito que, com toda sinceridade, se ele fizesse o programa hoje, com toda certeza, seria campeão de audiência.
 
Portal MinC: Que influências o Chacrinha deixou para os comunicadores e apresentadores?
Stepan Nercessian: Eu acho que se você fizer uma varredura, em todos os programas de auditório tem algum resquício do Chacrinha seja com jurado, bailarinas, você percebe que tinha isso no Chacrinha. Ele deixou também a coragem, rompeu a quarta parede da televisão e se comunicou diretamente com o telespectador, ele colocava o dedo na câmera, invadia a lente. 
 
Portal MinC: Como você se preparou para interpretar o Chacrinha no teatro?
Stepan Nercessian: Para mim, era importante ser o Abelardo Barbosa e não apenas o Chacrinha. Tinha também o pai preocupado com os filhos, me preocupei com esse lado humano. Não queria fazer uma imitação, que ficasse algo de fora para dentro. Sabia que, ao colocar a roupa, a cartola, a buzina...tudo isso ia contribuir muito. Mas nada ia adiantar se as pessoas não acreditassem no Abelardo Barbosa, sem fantasia. E deu certo, a magia do teatro ajudou muito. 
Ele foi importantíssimo e está sendo bem lembrado em filmes, teatro e televisão. Estou muito feliz por ter participado disso. 
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura