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Comissão do Senado aprova Christian de Castro para Ancine

 
 
10.10.2017 - 14:47  
Christian de Castro destacou que, apesar da crise financeira, o setor de audiovisual vive um cenário de crescimento de 9% ao ano (Foto: Pedro França/Agência Senado)
 
 
A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal aprovou por unanimidade a indicação de Christian de Castro para o cargo de diretor da Agência Nacional do Cinema (Ancine), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). Após ser sabatinado pelos senadores, na manhã desta terça-feira (10), Castro recebeu 19 votos favoráveis. A indicação segue agora para avaliação do Plenário da Casa. Caso aprovado, Castro ocupará, por quatro anos, a vaga decorrente do fim do mandato de Manoel Rangel Neto.
 
Durante sua exposição, Christian de Castro afirmou ser indiscutível a importância estratégica e econômica da Ancine para o Brasil e ressaltou que é preciso trabalhar de forma mais eficaz, eficiente e transparente. Ele afirmou que pautará sua atuação na agência em quatro pilares. O primeiro é o papel da Ancine e sua mediação com o MinC, atuando em parceria com a secretaria do Audiovisual, com o Conselho Superior de Cinema, com o Comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), entre outros, contribuindo para o desenvolvimento de políticas públicas para o setor. O segundo ponto é a desburocratização, de modo a buscar mais eficiência e eficácia em tudo o que a agência realiza. O terceiro pilar é a sustentabilidade, o equilíbrio e o desenvolvimento do mercado para fortalecer toda a cadeia de produção do setor audiovisual. E o quarto ponto é a regionalização da produção dos conteúdos audiovisuais, para criar um ambiente mais equilibrado e sustentável entre todas as regiões do País.
 
Quando questionado pelo relator da indicação (MSF 59/2017), senador Roberto Rocha (PSB-MA), sobre o combate e redução da pirataria, Christian de Castro afirmou que os produtos mais pirateados são filmes e músicas, os mais contrabandeados são os cigarros e os mais falsificados são roupas e sapatos. Segundo ele, há grande preocupação com a pirataria digital. "É preciso que haja um esforço conjunto do MinC com as três esferas de governo no combate efetivo a essa pirataria, por meio de ações tecnológicas e repressivas, além de trabalhar a educação e a conscientização do público sobre o ônus causado pela pirataria no nosso mercado", afirmou. O MinC criou recentemente um Grupo de Trabalho voltado exatamente para o combate à pirataria, cuja primeira reunião foi realizada neste mês de outubro.
 
A respeito da destinação de, no mínimo, 30% dos recursos do FSA para produções das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, Castro afirmou que é preciso entender quais são as vocações das regiões. Ele destacou que o Fundo Setorial do Audiovisual tem recursos para serem investidos. Dos R$ 3,7 bilhões destinados ao FSA, apenas R$ 1,4 bilhão foram efetivamente desembolsados. "No entanto, boa parte dos empreendedores desse setor nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste não têm informações e conhecimento sobre o processo de submissão dos produtos, negociação com fornecedores e distribuidores e como lidar com os arranjos regionais. Isso passa pela capacitação dos empreendedores fora do eixo Rio-São Paulo", avaliou.
 
Christian de Castro destacou que é muito importante a renovação da Lei do Audiovisual, além do Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica  (Recine), para o mercado. Segundo ele, o Brasil saiu de 1,6 mil para 3 mil salas de cinema com o Recine. No entanto, o retrato é de apenas uma sala para cada 80 mil habitantes, enquanto na Argentina essa proporção é de uma para cada 40 mil e no México é de uma sala de cinema para cada 30 mil habitantes. "Temos um buraco enorme para cobrir", observou.
 
Segmento em alta
 
Christian de Castro destacou que, apesar da crise financeira, o setor de audiovisual vive um cenário de crescimento de 9% ao ano, impulsionado, especialmente, pelas obras seriadas e não seriadas de TV e pelo aumento do cinema nacional nas telas. 
 
Desde a criação da Ancine, o setor audiovisual teve crescimento em vários indicadores: foram 143 filmes produzidos em 2017, ante apenas 29 em 2001. A participação de filmes brasileiros passou de 8% para 14%, com 190 milhões de ingressos vendidos em 2016, ante 91 milhões em 2001. No mesmo período, o número de assinantes de TV por assinatura passou de 3 milhões para 19 milhões, os usuários de banda larga, de 2 milhões para 165 milhões, e o de produções brasileiras exibidas na TV paga, de 192 para 3,2 mil. 
 
"Os números são muito relevantes e isso é demonstrado na participação do audiovisual brasileiro no PIB (Produto Interno Bruto), que chegou em 2016 a 0,46% do (PIB) nacional, maior que o da indústria farmacêutica", destacou Castro. 
 
Segundo dados da Ancine, o Nordeste é a região do Brasil com maior participação dos filmes brasileiros com relação ao público total - 20% dos expectadores e 17% da renda, em 2016.
 
Biografia
 
Há 18 anos no mercado do audiovisual, Christian de Castro Oliveira foi sócio de consultoria especializada em economia criativa, empreendedorismo e capital de investimento no desenvolvimento de serviços relacionados à modelagem de negócios, estruturação financeira, planejamento estratégico, desenvolvimento de projetos, gestão para empresas, especialmente para o setor de entretenimento, mídia e audiovisual. 
 
Na vida acadêmica, cursou Engenharia Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e é graduado em Engenharia de Produção Mecânica pela Universidade Paulista (Unip). É pós-graduado em Film & Television Business pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura