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De um ponto de cultura fluminense a Paris

 
 
6.10.2017 - 14:29  
Curta de Pedro Brum representará o Brasil na 12ª edição do Festival de Cinema Urban Filmes, em Paris (Foto: Arquivo pessoal)
 
 
O estudante Pedro Henrique Brum, morador da comunidade da Mangueirinha, favela localizada em Duque de Caxias, na baixada fluminense (RJ), irá representar o Brasil na 12ª edição do Festival de Cinema Urban Filmes, que começa nesta sexta-feira (6), em Paris, na França. Ele é autor do curta-metragem Próxima Parada, que aborda a rotina de amigos dançarinos que ganham a vida dançando break em vagões de trens no Rio de Janeiro. O filme competirá entre os documentários. O festival, realizado todos os anos, mostra a cultura urbana pelas mais diversas visões.
 
Pedro, que também é dançarino de break, começou a praticar o estilo aos 12 anos, no Ponto de Cultura Lira de Ouro, em sua cidade natal, por influência do pai e do irmão. Os Pontos de Cultura são locais certificados pelo Ministério da Cultura (MinC) para o desenvolvimento de ações de impacto sociocultural nas comunidades. O aspecto comum a todos os Pontos já instalados no país é a transversalidade da cultura e a gestão compartilhada entre poder público e comunidade.
 
A história de Pedro Brum poderia se confundir com a de muitos jovens da periferia do Rio de Janeiro, que veem nas artes uma forma de mudar seu destino. No início, o garoto da Mangueirinha frequentava o Ponto de Cultura de duas a três vezes por semana, para ter aulas com dançarinos mais experientes. A influência nas artes, ele acredita que tenha vindo também de seu pai, Jânio Paiva Brum, que toca vários instrumentos, entre eles banjo e cavaquinho, com um grupo de amigos, por diversão. 
 
Aos poucos, a paixão pela dança tomou conta de Pedro. Tanto que, em 2015, entrou para a Companhia de Dança ICA e recebeu um convite para ir à França mostrar o trabalho do grupo, no evento Hip Hop Games. Ele e outros três colegas dançarinos da companhia representaram o Brasil no festival.
 
Ainda em 2015, o garoto começou a aprofundar seus conhecimentos na dança. Uma das coisas que gostava de fazer era filmar suas apresentações e a dos seus amigos para observar o desempenho e aprimorar passos, acrobacias e saltos do break. Daí em diante, a câmera de vídeo passou a ser sua companheira inseparável. Tanto que sentiu a necessidade de aprender mais sobre edição e vídeos, produção audiovisual, fotografia e luzes. "Fiz um curso de videografismo no Senac e entrei no grupo de audiovisual Cena BXD, formado por fotógrafos e videomakers. Esse foi um salto importantíssimo para minha formação e para tomar a decisão de trocar uma bolsa integral da faculdade de análise de sistemas pelo cinema. Havia um lado artístico que gritava dentro de mim", conta.
 
Rotina agitada
 
A vida do Pedro é agitada: durante o dia, ele trabalha como vendedor na loja de móveis dos pais. À noite, percorre uma distância de quase 30 quilômetros entre Duque de Caxias e o centro do Rio para ir à Escola de Cinema Darcy Ribeiro, próxima à Candelária. Além disso, duas vezes por semana, Pedro pratica a dança no Museu de Arte Moderna, entre às 21h e a meia noite. "É cansativo, mas é algo que eu amo. Eu digo que não desisti da informática à toa. Foi por um motivo muito importante: pela razão da minha vida – a arte", afirma.
 
Foi por causa da faculdade de cinema que Pedro Brum conheceu o Festival Urban Films. Ele contou que, em uma tarefa de final de semestre, o professor pediu um curta-metragem sobre qualquer tema. O aluno do primeiro período de cinema resolveu, então, mostrar o dia a dia de seus amigos dançarinos. "Foi assim que surgiu o Próxima Parada", contou.
 
O curta, que tem cinco minutos de duração, trata da vida de quatro meninos do interior do estado do Rio de Janeiro que vieram para a capital tentar a vida. São artistas de rua que dançam nos vagões de trem para ganhar dinheiro para sobreviver. Geralmente, eles dançam nos trajetos entre a Central do Brasil e Deodoro, Japeri ou Gramacho. A partir do registro da dança e da rotina desses garotos, um amigo de Pedro sugeriu que ele inscrevesse seu filme na categoria Documentário do Festival Urban Films. O festival premia filmes que abordam temas do cotidiano de uma grande cidade. "Foi uma surpresa maravilhosa vencer a etapa brasileira dessa premiação", comemora. 
 
Pedro se diz feliz por participar de um festival internacional. Para o futuro, ele quer concluir a faculdade e levar a linguagem da dança e da cultura urbana para o cinema. "Esse é meu principal objetivo", disse.
 
O Festival Urban Filmes
 
O Urban Films Festival é um evento que ocorre todos os anos em Paris. Projeções francesas e de outros países mostram a cultura urbana pelas mais diversas visões. A seleção dos filmes que concorrem na fase final é feita durante todo o ano, em vários países.
 
Desde histórias verídicas até filmes sombrios ou engraçados revelam a cultura urbana em muitas cidades pelo mundo. O filme urbano permite redescobrir a cidade por meio da história, da dança, dos movimentos, das comunidades, da cultura de rua e dos esportes, entre outros.
 
As categorias premiadas pelo festival são o documentário – com duração máxima de 17 minutos; a performance - de duração máxima de 7 minutos; a ficção, com o máximo de 15 minutos; e a animação, que também pode ter até 15 minutos.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura