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Diálogo e simplificação dos processos internos serão as metas de Débora Ivanov na presidência da Ancine

 
 
9.6.2017 - 16:00  
Débora Ivanov e o ministro interino da Cultura, João Batista de Andrade (Foto: Larissa Leite/Ascom MinC)
 
 
Com apoio das principais entidades do setor audiovisual, a produtora paulista Debora Ivanov é a indicada pelo Ministério da Cultura (MinC) como  nova diretora-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), cargo que exerce interinamente desde maio. Débora – que em 2015 assumiu uma das quatro cadeiras na diretoria da agência – foi escolhida pelo ministro interino da Cultura, o cineasta João Batista de Andrade. Se seu nome for aprovado pela Presidência da República e pelo Senado Federal, Débora será a primeira mulher a presidir a Ancine.
 
"A Débora representa a pacificação do setor audiovisual", afirma o ministro interino. "Ela vem fazendo um trabalho excelente na Ancine, tanto pelo domínio do setor como pela paixão pela cultura. Desde que vim para a Secretaria-Executiva do Ministério da Cultura, a Débora é o meu principal canal de diálogo com a Ancine. E ela assume esse papel com todos os setores do cinema. Em um momento de profundas divisões, Débora circula por todos os meios. Eu me identifico: também atuo nessa linha. Sou do ‘partido da cultura brasileira'", avalia João Batista. "É preciso procurar consenso para enfrentar os desafios da cultura. Com a minha saída da lista de indicação para ocupar a presidência da agência, o nome da Débora surgiu naturalmente como uma possibilidade. E ela já vai chegar cheia de ideias para modernizar a Ancine".
 
Com ampla experiência no mercado de audiovisual, a produtora paulistana é unanimidade no meio: 15 das principais associações e sindicatos do setor, nacionais e estaduais, enviaram em maio ao ministro interino carta de apoio à sua condução, de forma definitiva, à presidência da Ancine. Assinaram o documento os presidentes da Associação Brasileira de Cineastas (Abraci), da Associação Brasileira de Games (Abragames), da Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro), da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (Bravi), da Associação Paulista de Cineastas (Apaci), da Fundação de Cinema do Rio Grande do Sul (Fundacine) e do Sindicato Interestadual de Indústria Audiovisual (Sicav-RJ), dentre outros. 
 
Produtora de filmes consagrados como "Que horas ela volta?", de Anna Muylaert, e sucessos de bilheteria como "Até que a sorte nos separe" 1 e 2, de Roberto Santucci, Débora tem em seu currículo mais de 60 obras audiovisuais entre curtas, médias e longas-metragens, telefilmes e séries para televisão. Seus projetos, realizados pela produtora Gullane, da qual foi sócia de 2000 a 2015, participaram dos mais importantes festivais nacionais e internacionais, acumulando mais de 200 prêmios. "Cheguei na Ancine quando a Gullane estava no auge, em 2015. Foi difícil abandonar uma produtora construída com tanto sacrifício. Resolvi assumir o desafio pela vontade de contribuir para mudanças nas políticas públicas para o setor", diz.
 
Aliada à experiência prática, a trajetória de Débora inclui intensa atividade na defesa de políticas públicas para o setor. Foi diretora-executiva do Sindicato da Indústria do Audiovisual do Estado de São Paulo (Siaesp), membro do conselho consultivo da SPCine, empresa pública de cinema vinculada à prefeitura e ao governo do estado de São Paulo, e titular do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, por indicação do Conselho Superior do Cinema. 
 
Nesta entrevista ao Portal do Ministério da Cultura, a atual diretora-presidente interina da Ancine fala de sua trajetória, dos desafios da agência e suas ideias para enfrentá-los. Defende um maior diálogo dentro e fora da agência e a simplificação das instruções normativas, com a devida segurança jurídica, a revisão do Fundo Setorial do Audiovisual e a reestruturação de áreas. "É preciso acompanhar o dinamismo atual do mercado e dar segurança ao produtor", justifica. 
 
Confira a entrevista:
 
Em um momento de profunda polarização política, você é uma unanimidade no setor audiovisual. A que atribui este "alto índice de aprovação"? 
 
Sempre foi uma reivindicação do audiovisual brasileiro ter na diretoria da Ancine uma representante do setor com larga experiência no mercado audiovisual. Sou a primeira diretora com essa experiência. Tenho uma visão clara de que a Ancine deve trabalhar com cultura e mercado. Tenho a vivência do produtor grande e do produtor pequeno, da produção comercial e da produção de nicho. Empreendi e realizei muitas obras na prática, desde o financiamento até o lançamento público. Mas, além da experiência de quem põe a mão na massa, tenho uma longa trajetória em prol do fortalecimento do setor, atuando na diretoria de associações e à frente de sindicato. Além disso, circulo bem em todos os grupos do setor audiovisual porque sou apartidária, não estou ligada a nenhuma sigla política. Meu partido é o audiovisual. Outra questão positiva é já estar lá dentro da agência há um ano e meio, o que me dá grande desenvoltura para implementar mudanças. Construí boas relações internamente, ouvindo os servidores da casa. Ter um canal de diálogo aberto dentro e fora da agência é muito positivo. É disso o que a Ancine mais precisa: diálogo. Neste um ano e meio na diretoria da Ancine, pude identificar os gargalos e ter clareza de como promover mudanças com a devida segurança jurídica. Hoje posso dizer que conheço os meandros da agência, suas potencialidades e dificuldades. Desde que entrei, procurei entender como funciona a máquina pública e, como presidente, vou ter a oportunidade de implantar essas mudanças. O que me deixa ainda mais segura disso é o fato de estar alinhada com as demandas da atual gestão do Conselho Superior de Cinema e do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, que é a principal fonte de recursos do setor. 
 
O que você identificou como os principais problemas da Ancine e qual é o seu diagnóstico para aprimorar a gestão da agência?
 
A minha palavra de ordem é o diálogo: interno, com os servidores, e externo, com todos os elos da cadeia do setor – produtores, exibidores, distribuidores, canais de televisão, plataformas de VoD). Além disso, é urgente simplificar, com a devida segurança jurídica, os processos, revisar instruções normativas, extinguir algumas, rever os fluxos e reestruturar áreas. Precisamos modernizar a gestão da agência. 
 
Qual é a pauta prioritária da Ancine hoje?
 
Uma importante pauta que temos pela frente é o VoD [Vídeo sobre demanda, em português]. Essa é uma das prioridades do Conselho Superior de Cinema e, a partir de agora, o diálogo está aberto. Vamos promover uma série de encontros com especialistas, provedores, canais de televisão, produtores. Queremos chegar a um consenso e segurança jurídica para essa operação. 
 
Como você entrou para o meio do audiovisual e se engajou na gestão das políticas públicas do setor? 
 
Estudei Artes na Faap [Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo], e logo me encantei com o audiovisual. Nos anos 90, comecei a produzir curtas, documentários e fui formando minha produtora aos pouquinhos. Como também sou formada em Direito, nas produtoras em que trabalhei, sempre era a sócia responsável pela relação com os órgãos públicos, e cuidava das áreas jurídica e de desenvolvimento de negócios. Acabei me engajando em associações e sindicatos. Como membro da diretoria da Apaci e à frente do Siaesp, me destaquei pelo relacionamento com os governos do município, do estado, do governo federal – Ancine, Ministério da Cultura. No Sindicato, fiz inúmeras ações de capacitação, de apoio ao setor, compus o comitê gestor de um grande programa de capacitação para empresários do audiovisual, o Projeto Objetiva, em parceria com o Sebrae. Também participei muito ativamente da criação da Spcine e da aprovação da Lei 12.485, a chamada "Lei da TV Paga", junto ao Congresso. Também fiz parte do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, indicada pelo Conselho Superior de Cinema. Cheguei à Ancine quando minha produtora estava no auge, em 2015. Foi difícil abandonar uma produtora construída com tanto sacrifício. Resolvi assumir o desafio pela vontade de contribuir para mudanças nas políticas públicas do setor. 
 
Como conheceu o ministro interino da Cultura, João Batista de Andrade?
 
Conheci o João nos anos 90, em São Paulo, quando eu estava iniciando a minha trajetória e ele já era um grande nome do cinema brasileiro, uma liderança do setor. O João era extremamente generoso com os novos talentos, liderava ações para construção de políticas públicas e de acolhimento dos mais jovens, como atividades de capacitação. Eu o conheci em reuniões políticas do setor. Eu me identifico com ele, ambos gostamos de promover o diálogo. 
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura