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Encontro aborda inserção do saber tradicional na universidade

16.6.2015 - 15:12  
Evento discute relação entre mestres dos saberes tradicionais e o mundo acadêmico (Foto: Leopoldo Silva)
 
 
Começou nesta terça-feira (16), na Universidade de Brasília (UnB), o seminário Encontro de Saberes: bases para um diálogo interepistêmico, que reunirá pesquisadores e representantes de instituições de ensino e das culturas populares e tradicionais com o objetivo de refletir sobre a relação sistemática entre mestres dos saberes tradicionais e o mundo acadêmico, tendo como ponto de partida as experiências já desenvolvidas na UnB desde 2010. As atividades prosseguem até esta quarta-feira (17).
 
O projeto Encontro de Saberes, que deu base ao seminário, vem sendo realizado por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI/UnB), em parceria com mais cinco universidades no Brasil e uma na Colômbia, e consiste na inclusão de mestres e mestras dos saberes tradicionais – tais como indígenas e quilombolas – como professores de disciplinas regulares ofertadas em instituições do Ensino Superior.
 
A iniciativa é financiada pelo Ministério da Cultura (MinC) e conta com as parcerias da UnB, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC). O projeto foi idealizado pelo professor José Jorge de Carvalho, do Departamento de Antropologia da UnB e coordenador-geral do INCTI.
 
Para a secretária de Educação e Formação Artística e Cultural do MinC, Juana Nunes, o processo de diálogo entre saberes ainda está no começo. "Democratizamos o acesso à universidade, mas a mudança precisa ser mais radical, pois nossas escolas e currículos ainda estão longe da realidade social do país. É preciso construir o caminho para que os mestres atuem também nas universidades e nas escolas públicas", afirmou.
 
A secretária considera urgente a mudança para que a educação brasileira reconheça a vida como potência, tendo a cultura como a melhor ferramenta para aprendizagem da realidade. "Ao pensar uma nova base curricular, é importante valorizar a força da relação entre Cultura e Educação, que é fundamental para construir o caminho recíproco entre os saberes".
 
A diretora de Políticas de Educação do Campo, Indígena e para as Relações Étnico-Raciais do MEC, Rita Nascimento, afirmou que a questão não é apenas garantir a presença dos saberes tradicionais na Academia, mas que o saber desses sujeitos deve "participar da formação da universidade e da sociedade brasileira como um todo".
 
A decana de Extensão da UnB, Thérèse Hofmann, considera que só é possível articular as ações em rede e com participação. "Precisamos inovar pelo ensino, tendo a Extensão como caminho para alcançar a sociedade", afirmou a decana, ressaltando a grande procura das Universidades e Institutos Federais pela primeira edição do Programa Mais Cultura nas Universidades, do Ministério da Cultura, que valoriza ações nos territórios e comunidades. O edital recebeu inscrições de 100% das universidades federais e 98% dos institutos federais de educação.  
 
Sobre o Encontro de Saberes
 
O piloto do Encontro de Saberes foi lançado em 2010, na UnB, na qual ocorreram quatro edições da disciplina. Em 2012, a proposta foi replicada na Universidad Javeriana de Bogotá e, em 2014, o projeto experimentou um processo de expansão também no Brasil, por meio da incorporação de outras cinco universidades parceiras: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). A partir desta rede, a proposta já abrangeu cerca de mil alunos, 60 professores e 70 mestres tradicionais, totalizando quase mil horas/aula.
 
Divididas em módulos, as atividades em aula são protagonizadas pelos mestres tradicionais, sempre acompanhados por docentes de áreas afins, tais como Saúde, Arquitetura, Artes Cênicas e assim por diante, configurando o diálogo entre diversas fontes de conhecimento.
 
Leonardo Menezes
Secretaria de Educação e Formação Artística e Cultural
Ministério da Cultura