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MinC leva escritores à Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha

 
 
9.10.2018 - 10:39  
João Paulo Cuenca, Bianca Santana e Geovani Martins (da esquerda para a direita) representarão o Brasil na Feira do Livro de Frankfurt, que será realizada de 10 a 14 de outubro, na Alemanha
 
 
Histórias de como é ser uma mulher negra nos dias atuais, que retratam o cotidiano de moradores de favela, e uma inusitada descoberta de roubo de identidade de um escritor por um invasor de um prédio em uma ocupação na Lapa (RJ) estarão acessíveis para gente do mundo todo esta semana na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Os três jovens autores dos livros O sol na cabeça, Quando me descobri negra e A morte de J.P. Cuenca foram selecionados pelo Ministério da Cultura (MinC) para participar do maior evento do mercado editorial mundial, entre os dias 10 e 14 de outubro. Os escritores brasileiros Bianca Santana, Geovani Martins e João Paulo Cuenca integrarão a programação do evento, participando de debates com outros autores latino-americanos. 
 
A indicação de novos autores premiados, com obras traduzidas no exterior, e que incluam em seus trabalhos a diversidade da cultura brasileira são alguns dos critérios levados em consideração para a seleção dos escritores. O MinC arca com uma ajuda de custo e as passagens dos autores. Neste ano, o investimento foi de R$ 18 mil.  
 
"É muito importante o fomento do Ministério da Cultura à ida de escritores brasileiros que se destacam no cenário internacional para este que é o maior evento literário do mundo, promovendo a internacionalização da nossa literatura por meio da participação na programação latino-americana proposta pela Feira de Frankfurt", afirma a coordenadora-geral de Leitura, Literatura e Economia do Livro do Ministério da Cultura, Ana Cristina Araruna Melo. 
 
Geovani Martins participará da mesa A Nova Literatura da América Latina, em 11 de outubro. Bianca Santana estará no debate com o tema Escritoras da América Latina, também no dia 11, e João Paulo Cuenca estará em dois debates: Literatura Política, no dia 11 de outubro, e Língua Portuguesa, no 13 de outubro. 
 
Os três autores também foram convidados para falar sobre suas obras na Universidade Goethe de Frankfurt, no dia 12, às 18h30 (horário local), com realização da CBL e do Consulado-Geral do Brasil em Frankfurt.
 
A escolha desses autores foi feita pelo Grupo de Trabalho Permanente (GTP) de Internacionalização da Literatura do MinC, composto por representantes do ministério, por meio da  Secretaria de Economia da Cultura (SEC), do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) e do Departamento de Assuntos Internacionais (Deain), além do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Câmara Brasileira do Livro (CBL), Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu), Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e Liga Brasileira de Editoras (Libre). 
 
Pelo Brazilian Publishers, projeto setorial de fomento à exportação de conteúdos editoriais encabeçados pela CBL e pela Apex-Brasil, 22 editoras brasileiras irão ao evento, além de outras seis que confirmaram a ida, mas sem o apoio do projeto.
 
De acordo com a CBL, foram fechados cerca de US$ 680 mil em exportação de direitos autorais e livros físicos com negociações durante a edição de 2017. Diferentemente de outros eventos literários, a Feira de Frankfurt tem o enfoque nos negócios entre atores do setor, apesar de incluir participação de autores de vários países para dar oportunidade de melhor conhecer suas obras. 
 
Sobre os autores
 
Bianca Maria Santana de Brito, 34 anos, é jornalista, escritora e professora universitária. É doutoranda em Ciência da Informação na Universidade São Paulo (USP) e mestra em Educação também pela USP. Participou da edição de livros e objetos educacionais multimídia nas editoras Ática, Moderna e Edições SM. Com o livro Quando me Descobri Negra, ela levanta discussões sobre racismo, gênero e raça. Para a autora, romper com o silêncio contra o preconceito é uma forma de combatê-lo.  
 
O carioca Geovani Martins, de 27 anos, lançou seu primeiro livro pela Companhia das Letras. O Sol na Cabeça reúne 13 contos que tratam da vida dos jovens de comunidades do país. Ele nasceu e morou em várias comunidades cariocas. Contou com o sustento da mãe para poder concluir seu livro, que foi aclamado por outros autores. como o compositor Chico Buarque e o cronista Antonio Prata. Foram as participações em feiras literárias, como a Festa Literária das Periferias (Flup), em 2013 e 2015, e a Festa Literária de Paraty (FLIP), em 2015, que permitiu que ele mostrasse suas histórias, que deram força para ele perseverar na dedicação à literatura, uma vez que não tinha emprego fixo e vivia de bicos. O Sol na Cabeça teve os direitos vendidos para 10 países, ainda sem data de lançamento. Todos estão em processo de tradução e edição. "É minha primeira viagem para fora do país. A expectativa de trocar informações com outros escritores jovens é muito grande", conta Martins. "Ser chamado pelo MinC me deixa bastante honrado", afirma. 
 
J.P. Cuenca, 40 anos, escreveu crônicas para os principais jornais brasileiros, escreveu e dirigiu teatro, cinema e TV. É autor de romances como Corpo presente (2003), O dia Mastroianni (2007), O único final feliz para uma história de amor é um acidente (2010) e Descobri que estava morto (2016). Por este último livro, foi vencedor em 2017 do Prêmio Machado de Assis de melhor romance do ano pela Fundação Biblioteca Nacional, entidade vinculada do MinC, e finalista do Prêmio Jabuti. Transformou Descobri que estava morto em filme, que dirigiu e foi selecionado em festivais internacionais. Teve seus livros traduzidos para oito idiomas e os direitos comprados por 11 países. Foi escolhido, em 2012, pela revista britânica Granta, como um dos 20 melhores romancistas brasileiros com menos de 40 anos.
 
"Frankfurt é a maior feira de livros do mundo, e aqui falo principalmente em comércio de direitos. Mas além de vender livros para outros idiomas, os escritores que a frequentam participam de debates importantes sobre literatura e política. Para mim, que lá estive quando o Brasil foi país convidado em 2013, voltar à Frankfurt representa colocar o processo histórico dos últimos cinco anos em retrospecto. É o que pretendo fazer", conta Cuenca.
 
Assessoria de Comunicação 
Ministério da Cultura