Cultura nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos

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Programação cultural olímpica gera trabalho e renda no RJ

26.8.2016 - 11:30  
Nos dias de show, Isauri Santos vendeu, em média, 780 picolés por dia. Em dia normal, não vende mais de 60 (Foto: Acácio Pinheiro/Ascom MinC)
 
 
As Olimpíadas do Rio de Janeiro revelaram ao mundo não somente o talento de atletas brasileiros e estrangeiros, mas também a enorme e diversa riqueza cultural do Brasil. Da largada da Tocha Olímpica para seu percurso pelo País, em maio, até o fim dos Jogos, na semana passada, diversas ações culturais – como apresentações musicais, exibição de filmes e exposições – foram promovidas ou viabilizadas pelo Ministério da Cultura (MinC), em parceria com as instituições vinculadas Fundação Nacional de Artes (Funarte) e Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Os eventos culturais seguem até 17 de setembro, data de encerramento dos Jogos Paralímpicos.
 
Mas além de encantar moradores e turistas brasileiros e estrangeiros, a programação cultural dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos vem gerando trabalho e renda a diversos segmentos da cadeia produtiva cultural e de outros setores, como comércio e serviço, nas cidades que receberam eventos. Apenas nas atividades desenvolvidas pela Funarte e pelo Ibram, o MinC investiu mais de R$ 14 milhões.  
 
Somente no período dos Jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro recebeu cerca de 1,1 milhão de turistas. Para o presidente do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro, Aldo Gonçalves, a programação cultural extensa contribuiu para que o comércio e o turismo fossem fortalecidos. "O impacto foi muito positivo, mesmo antes do início dos Jogos, com a abertura de novos museus. As atividades culturais estimularam não somente o turista, mas também o próprio carioca a se movimentar pela cidade em pontos comerciais que antes não eram muito frequentados e ampliou o fluxo de pessoas em rotas de comércios tradicionais da cidade", destacou.
 
Ao longo de 17 dias, o Boulevard Olímpico, na região portuária do Rio de Janeiro, revitalizada especialmente para o período, reuniu quatro milhões de pessoas, com mais de 110 horas de atrações musicais, cerca de 900 artistas de rua (atores, malabaristas, mímicos, dançarinos e músicos) que fizeram quase 240 apresentações ao público. No Encontro de Carnavais, evento que juntou a tradição das escolas de samba cariocas e a diversidades dos blocos de carnaval, foram tocadas ao todo 24 horas de músicas. 
 
O amplo público presente às atividades culturais no Boulevard Olímpico movimentou os diversos comerciantes, food trucks e ambulantes presentes ao local. Segundo a vendedora Silmara Silva, que trabalhou desde a abertura do Boulevard Olímpico em uma barraca de bebidas, o movimento aumentava consideravelmente durante os shows. "Faturamos por dia, nesse período dos jogos, uma média diária de R$ 17 mil, bem acima de eventos normais", conta.
 
Também presente ao Boulevard Olímpico desde o dia da abertura, o vendedor de picolé Isauri Santos é responsável por um dos cerca de 30 carrinhos de picolés espalhados no local por seu empregador. "Nos dias de shows, cada carrinho vendia, em média, 780 picolés por dia. Fora do período das apresentações, a venda caia para aproximadamente 500. Hoje, que não há nenhum tipo de apresentação, não vendo mais do que 60", conta.
 
Atividades culturais
 
Durante os jogos, foram promovidas no Rio de Janeiro 2.227 atividades culturais, uma média de 131 eventos por dia. Entre as ações encontram-se espetáculos de dança, música e teatro, exibição de filmes, exposições especiais em diversos museus e programações em bibliotecas. Entre as exibições coordenadas pelo Ibram, destacam-se exposição Frida e Eu, no Museu Histórico Nacional, e a exposição internacional Esporte na Antiguidade, no Museu Nacional de Belas Artes.
 
A Funarte preparou uma programação cultural intensa, que teve início um pouco antes dos Jogos Olímpicos, no final de julho. Foram dezenas de festivais das mais diversas manifestações artísticas, como audiovisual, circo, dança, teatro, música popular e erudita. Entre os eventos, selecionados via edital, estão as Bienais Olímpicas, dedicadas a concertos de música clássica, a Mostra Funarte de Festivais, o Festival Mundial de Circo Edição Olimpíadas e o Cena Aberta. 
 
Diretor artístico do Circo Zanni, Fernando Sampaio, que participou do Festival Mundial de Circo Edição Olimpíadas, acredita que eventos como esses ampliam o espaço destinado à arte circense. "Os festivais são sempre uma oportunidade de intercâmbio entre artistas e produtores. Além de possibilitar a abertura de novos mercados. Os incentivos nos permitiram este ano levar crianças, filhos dos artistas, que tiveram a chance de estar lado dos pais no picadeiro", disse. 
 
O cantor Wado integrou a programação das Olimpíadas em dois momentos, na passagem da tocha, quando se apresentou em Maceió, e em um show realizado na Casa Brasil. "Participar de eventos desse porte, especialmente para os artistas que estão no Nordeste, é uma experiência única. Este ano estou fazendo 15 anos de carreira e a visibilidade proporcionada pelas duas apresentações ajudam a retomar certos espaços, que a opção de morar no Nordeste às vezes acaba cerceando", destacou. 
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura