O Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares contará com a exposição ‘Da cabaça o Brasil: natureza, cultura, diversidade’. Organizada pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, a exposição pretende mostrar, através das cabaças, cuiás e cuités, como os homens se relacionam com a natureza de maneira diversa, revelando a cultura dos diferentes grupos populares.
Cabaças, cuiás e cuités são utilizadas de norte a sul do país, sendo elementos de identificação e diferenciação das diversas culturas. A exposição contará com dezenas de objetos, fotos, textos e trechos de vídeos. Haverá monitores para acompanhar as pessoas interessadas em conhecer as histórias contadas na mostra, que será dividida em cinco módulos.
Logo na abertura da exposição será mostrado um mapa do Brasil com os topônimos, ou seja, os lugares, rios, ruas e vilarejos que levam nomes de cuias, cabaças e cuités. Um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha estará na exposição, onde menciona que os indígenas carregavam água nas cabaças.
O primeiro módulo tratará das Cabaças na vida cotidiana. Mostrará como cabaças e cuias são utilizadas no dia-a-dia da cozinha do Norte, como utensílio – peneira, balde, vasilha e louça – para tomar o Tacacá. Como contraponto, o Chimarrão no Sul e o Tereré no Centro-Oeste. Mostrará como as cuias são utilizadas no cotididiano dos povos indígenas, para consumo de alimentos e líquidos, na casa de farinha do Norte e Nordeste.
O segundo módulo revelará a cabaça no mundo da música. Serão 20 instrumentos musicais divididos entre os tradicionais – berimbaus, xequerê, maracás, viola de cabaça (tradição européia adpatada no Brasil) e os instrumentos inventados, boa parte de corda. Há o cavaquinho com cabaça, rebeca, rebecão, harpa, marimbau (similar ao berimbau) e pé-de-vento.
O módulo seguinte é o de brincadeiras e festas populares, apresentando a riqueza de bonecos mamulengos do Nordeste e bonecos de bumba-meu-boi (máscaras). Mostrará ainda o festival do Çairé de Santarém (PA), uma brincadeira do boto onde são utilizados cacos de cuia e os bonecos tipo marionetes de Laurentino Santos do Paraná.
Ao chegar nos rituais, a exposição revela que, em algumas cerimônias, a cabaça é tanto instrumento musical como oferenda a diversos Orixás no Candomblé. As cuias são usadas para diversas entidades – para beberagem, e são importantes instrumentos, por exemplo, para dar banho nos iniciantes do Candomblé, além de fazerem parte da indumentária de Omulú.
E vindo do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, as Máscaras utilizadas pelos Índios Kalapalo em suas cerimônias e rituais também estarão na mostra.
O último módulo vai mostrar produtos do artesanato tradicional urbano contemporâneo, desde o morro, representado pela cabaça, com a favela sobre ele, ao balão feito de cabaça de São Paulo. Esta última etapa mostrará que cabaças, cuias e cuités, apesar de toda a expansão urbana vivida pelo País, continuam presentes em nossa vida cotidiana.
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