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quarta-feira, 23 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Docente de Harvard ensina a manter o anonimato online

Um professor da Escola de Direito de Harvard, Estados Unidos, publicou na Internet um guia técnico que ensina os autores de blogues a manter o anonimato nos seus posts e nas comunicações por email. Fonte: Lusa / SOL

Um professor da Escola de Direito de Harvard, Estados Unidos, publicou na Internet um guia técnico que ensina os autores de blogues a manter o anonimato nos seus posts e nas comunicações por email. Fonte: Lusa / SOLLINK

No site, Ethan Zuckerman explica que decidiu compilar dicas sobre medidas de segurança para manter o anonimato na Internet para ajudar alguém que queira denunciar casos de corrupção num país cujo governo é pouco transparente.

O autor do pequeno guia dá como exemplo uma contabilista a trabalhar num gabinete governamental, Sarah, que descobre que o seu chefe, um ministro-adjunto, está a roubar ao governo largas somas de dinheiro.

Zucker, cuja investigação se tem centrado nas relações entre o chamado jornalismo de cidadãos e os media convencionais, sobretudo nos países em desenvolvimento, alerta para os riscos de a contabilista usar um blogue para denunciar o crime que o ministro está a praticar.

Para que Sarah possa blogar anonimamente, Ethan Zuckerman recomenda que adopte os cuidados habituais, nomeadamente o recurso a um pseudónimo, a abertura de uma conta de webmail (email na Internet) num serviço gratuito internacional e a criação, com essa conta de correio electrónico, de um blogue numa plataforma de alojamento também grátis.

Estes cuidados não são, contudo, suficientes para que a contabilista fique descansada, dado que o ministro facilmente descobrirá de onde partiu a denúncia, pedindo aos seus técnicos que descubram o endereço de Internet (IP) do computador onde foi publicado o post.

Para baralhar os técnicos do ministro, Zuckerman sugere que Sarah utilize computadores públicos, em universidades ou cibercafés, por exemplo, em alturas do dia em que esteja muita gente a utilizar a Internet nesses locais, tendo o cuidado de mudar de local de vez em quando.

Para evitar que o governo peça a essas universidades e cibercafés os registos de utilizadores da Internet nos períodos em que os posts foram publicados, a contabilista deverá procurar forma de o seu computador aceder à Internet através de um servidor-procurador (proxy server) público anónimo que garanta altos níveis de confidencialidade.

Contudo, esta estratégia, adverte Zuckerman, pode não resultar completamente, se o país onde Sarah vive tiver leis restritivas sobre a Internet ou escassos servidores anónimos, o que facilitaria a localização do seu computador.

Como alternativa, o autor do guia sugere a adopção de medidas técnicas mais complexas, nomeadamente o recurso a um proxy server (como o Circumventor) que permita que um computador possa funcionar como proxy, o que, no entanto, além de caro, obriga a constantes transferências de IP.

Para que Sarah consiga o mais alto nível de anonimato actualmente possível na Internet, Zuckerman sugere que experimente um sistema relativamente novo (Tor) que permite que cada pedido feito a um proxy server anónimo seja respondido automaticamente através de uma rede de 20 computadores.

Este processo automático «torna difícil descobrir que computador originou o pedido», salienta Zuckerman, notando que também esta alternativa acarreta alguns problemas, nomeadamente a constante mudança de línguas quando Sarah tentar usar o Google, o bloqueio de acesso quando quiser editar artigos da enciclopédia online Wikipedia e uma mais lenta navegação da Internet.

Zuckerman realça que a melhor solução para blogar anonimamente será uma combinação de várias estratégias, escolhidas de acordo com as condições locais, a competência técnica de cada um e o «nível de paranóia» da pessoa que quer esconder a sua identidade na Internet.

Lusa/SOL

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