As comemorações do Dia do Índio têm sido cada vez mais intensas no Brasil. Neste ano, o clima de festa que marcou vários eventos misturou-se ao tom das conferências, reuniões e debates em torno de propostas e idéias para as causas indígenas. O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID), deu sua contribuição. O lançamento do 2º Prêmio Culturas Indígenas – Edição Chicão Xukuru; a realização da Mostra Brasil Indígena, composta por 10 filmes; a retomada da reunião do Grupo de Trabalho para as Culturas Indígenas – criado há dois anos -; e o avanço das discussões relacionadas à execução da campanha de valorização das culturas indígenas – a se desenvolver em todo o país – formaram o conjunto de eventos programados e realizados pela SID em São Paulo.
Além disso, o MinC prestigiou a Semana dos Povos Indígenas do Pará, que teve a participação de 35 etnias, como, por exemplo, Amanayé, Anambé, Arara, Araweté, Assurini do Tocantins, Assurini do Xingu, Kayapó, Suruí, Wayana, Xipaya e muitas outras. O Ministério da Cultura, por intermédio da SID, foi parceiro desse evento, cuja realização esteve a cargo do Governo do Pará, com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai). Um dos pontos altos da semana foi a realização do Fórum das Questões Indígenas. A programação elaborada para toda a semana foi desenvolvida no período de 16 a 22 de abril.
A jornalista especializada em Relações Internacionais, Giselle Dupin, do MinC, participou da Mesa Propriedade Intelectual, Patrimônio Cultural dos Povos Indígenas e Diversidade Cultural, no dia 20/04. Ela falou sobre a Convenção da Unesco sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, também conhecida como Convenção da Diversidade Cultural, aprovada em outubro de 2005, em Paris, cuja entrada em vigor aconteceu, internacionalmente, no dia 18 de março deste ano. A servidora do MinC também esteve presente na reunião do Planejamento Estratégico da Secretaria de Cultura do Pará, onde expôs aspectos peculiares da Convenção, que tem como um de seus objetivos criar condições para que as culturas floresçam e interajam livremente em benefício mútuo.
Diversidade Cultural paraense
O estado do Pará possui uma rica diversidade sociocultural, que resulta da presença de grupos e segmentos sociais diferentes, dentre os quais estão mais de 30 povos indígenas. As nações indígenas possuem um amplo patrimônio cultural e lutam para preservar seus conhecimentos, suas culturas, sua forma de organização própria.
A idealização do projeto da Semana dos Povos Indígenas do Pará é uma conquista. É a oportunidade para a realização do Fórum das Questões Indígenas, momento em que surgem os debates, as discussões em torno de temas tão importantes, como educação e saúde indígena, assuntos fundiários e outros. É a oportunidade para a realização de oficinas, como as oficinas de construção das ocas da aldeia Pará, que chamaram a atenção da população de Belém. É a oportunidade para os indígenas mostrarem um pouco de suas culturas, incluindo a dança, o artesanato etc.
Ao final do fórum, ocorrido nos dias 16 e 17 de abril, foi elaborado um documento – intitulado Carta dos Povos Indígenas do Pará – , contendo necessidades das nações. Dentre as dezenas de reivindicações, constam a importância da qualificação dos povos indígenas relacionada à valorização, importância e proteção dos conhecimentos tradicionais e à proteção dos seus direitos intelectuais; e, ainda, com relação à elaboração de projetos de inclusão digital e tecnológica. O documento foi entregue à governadora do Pará, Ana Júlia Carepa.
Exposição ‘Asurini’
Outro grande momento das comemorações foi a inauguração da exposição Asurini, que mostra os Assurini do Xingu, integrantes de uma etnia indígena brasileira que vive próximo ao Igarapé Ipixuna, no sudeste paraense. A mostra apresenta imagens feitas pelos fotógrafos paraenses Alberto Ampuero, Diana Figueroa e João Ramid, que documentaram o cotidiano do grafismo e da aldeia desses indígenas. A exposição marcou o lançamento da pedra fundamental do Museu do Índio do estado do Pará. A segunda etapa de instalação do museu está marcada para o mês de julho.
Asurini poderá ser vista até o dia 31 de maio, das 9h às 17h, no Solar da Beira, localizado no Complexo do Ver-o-Peso, no Boulevard Castilhos. A entrada é franca.
Mais informações sobre a exposição: (91) 3224-9303; (91) 8114-4280.
( Texto: Gláucia Ribeiro Lira/Comunicação SID/MinC)
(Fotos da exposição: Alberto Ampuero, Diana Figueroa e João Ramid)
(Outras fotos: Acervo Associação Guarani Tenonde Porã)




Participação do Leitor
Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.