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quarta-feira, 23 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Mesa de Debate 4

Nesta manhã, no I Fórum Nacional, o tema foi ‘Migração Digital das TVs Públicas’
Um dos temas mais instigantes no campo da TV Pública no Brasil tomou a cena do debate da manhã desta quinta-feira, dia 10 de maio, no I Fórum Nacional de TVs Públicas: a Migração Digital. Este tema promete dividir a história da TV Pública brasileira, tornando-a mais acessível e provando que ela é capaz de produzir conteúdos de qualidade e de grande interesse do público em geral.

O dia nas plenárias começou com uma apresentação do universo das TVs comunitárias, feita por Fernando Trezza, representante da Associação Brasileira de Canais Comunitários (Abccom). Em linhas gerais, Trezza destacou aspectos como o fato de haver a concessão de apenas um canal comunitário por município e a dificuldade de encontrar financiamento. O representante da Abccom questionou a Norma nº 13, que proíbe a publicidade comercial nos canais comunitários.

A Mesa de Debate 4, a primeira do dia, dedicou-se a discutir a Migração Digital das TVs Públicas, reunindo grandes estudiosos e conhecedores do assunto. Sob coordenação de José Roberto Garcez, presidente da Radiobrás e relator do Grupo de Trabalho Migração Digital, reuniram-se André Barbosa, assessor especial da ministra-chefe da Casa Civil; Ara Apkar Minasian, superintendente de Comunicação de Massa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); Marcelo Zuffo, professor da Universidade de São Paulo; Carlos Fructoso, diretor da Linear Engenharia; e Igor Villa Boas, diretor de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações.

Autonomia de Conteúdo e Multiprogramação

Para um auditório lotado, o coordenador da mesa, José Roberto Garcez, apresentou os principais temas que permeiam a questão da migração digital. Dentre outros aspectos, destacou que será preciso discutir sobre como financiar a digitalização da TV Pública e recuperar os acervos e arquivos, assim como as formas de sustentar a produção de programação. E afirmou que é preciso garantir a autonomia de conteúdo e gerência da TV Pública.

O assessor da Casa Civil, André Barbosa, confessou-se feliz pelo sucesso do evento, "sempre com platéia cheia", frisou. Defendeu a multiprogramação como forma de preencher, com qualidade, a grade das TVs Públicas e propôs algumas soluções, como a utilização de acervos. André Barbosa ainda fez questão de tocar em dois aspectos que considera essenciais para uma análise profunda sobre migração digital, que são compartilhamento e interatividade. E celebrou a qualidade de sinal que virá com a TV digital para todos os brasileiros: "Hoje, 67% da população recebe com defeitos o sinal analógico. Isso vai acabar na televisão digital", disse.

Qualidade do Sinal e Programas

A qualidade do sinal digital também inspirou a fala de Ara Apkar Minasian, representante da Anatel. "A população vai receber o sinal ou não, mas não terá falhas na imagem", avisou. "A imagem de uma transmissão digital é como a de um DVD". Ara Minasian ainda frisou a grande possibilidade de acesso do sistema digital: "Se fosse implantando hoje, 70% dos brasileiros teriam acesso já à televisão digital". O superintendente da Anatel também fixou os prazos para a completa migração da televisão brasileira do sistema analógico para o digital: "Em 2016 cessam todas as transmissões analógicas e a partir deste ano, passam a coexistir os dois sistemas: em 2 de dezembro, começam as transmissões digitais em São Paulo".

O professor Marcelo Zuffo, da USP, salientou a imensa possibilidade de oferta de conteúdo do sistema digital. Segundo ele, se houver 45 canais oferecendo ao telespectador quatro programas simultaneamente, a população terá, em média, 180 programas ao mesmo tempo para escolher, pois cada terminal oferecerá seletor de canais e seletor de programas. E provocou: "Precisamos agora resgatar a ousadia na experimentação dos conteúdos". Marcelo Zuffo destacou que o Brasil é o quarto mercado mundial de televisores e disse que o sistema digital irá ampliar ainda mais o acesso ao conteúdo televisivo, que poderá ser reproduzido em computadores, em celulares e demais terminais multimídia. "O sistema digital facilita a reprodutividade, dá flexibilidade de manipulação, democratiza a distribuição, amplia em muito a durabilidade (a mídia digital não degrada), possibilita baixo custo de produção, grande qualidade técnica, convergência de infra-estrutura e interatividade", explicou.

Renovação e Produção

Diretor da Linear Engenharia, empresa que mais instalou transmissores de televisão do México à Argentina, Carlos Fructoso, alertou para o fato de que o sistema digital irá exigir mudanças muito grandes, "a começar pela maquiagem do apresentador, que terá que ir além da face e chegar às orelhas, passando pelo acabamento dos cenários e chegando ao sistema tecnológico de recepção. Será necessário um grande aprendizado", avisou.

E as apresentações foram concluídas com a participação de Igor Villas Boas, diretor do Ministério das Comunicações. Um grande estudioso no assunto, Villas Boas dedicou-se a comentar os aspectos que considera fundamentais para o debate do tema Migração Digital. Segundo ele, é preciso pensar na capacidade de produção de conteúdo das TVs Públicas para ocupar os espaços digitais, na interatividade como recurso estratégico de oferta dos canais públicos, na integração dos recursos financeiros e humanos. E convocou o debate sobre três pontos: "A capacidade de financiamento do Estado é limitada. Onde então vamos concentrar os investimentos do Estado? O segundo ponto é a capacidade das TVs Públicas de pensar em parcerias, não só de conteúdo, mas também de financiamento. E, por fim, a capacidade de articulação externa, política. Como os agentes de TVs Públicas vão levar estas questões para os fóruns externos?".

Informações à Imprensa: Objeto Sim – (61) 3443-8891 e 3242-9805.

(Fonte: Objeto Sim – Assessoria de Imprensa do Fórum Nacional das TVs Públicas)

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