31 de maio de 2007
Fóruns virtuais, debates online e blogs culturais
MinC implanta novas formas de participação pública em suas ações por meio da Internet
Como um novo canal de diálogo entre Governo e cidadãos, a Rede Mundial de Computadores permite um novo exercício da cidadania. No Ministério da Cultura, a Internet vem possibilitando a comunicação interativa com o cidadão, além de abrir espaço para a cooperação e a expressão de atores sociais nas ações da instituição. “O cidadão deixa de ser apenas espectador e passa a ser participante ativo”, afirma José Murilo Júnior, gerente de Informações Estratégicas do MinC.
Na entrevista abaixo, José Murilo explica como os fóruns virtuais e debates online, em tempo real, fomentados pelo MinC têm assegurado a participação de cidadãos e adianta como serão organizadas as oficinas que antecedem o Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural - a ser realizado nos dias 27 a 29 de junho, pelo Ministério da Cultura e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Os interessados nos temas já podem discutir os textos preparados pelos curadores das oficinas por meio do Fórum Virtual. Os leitores têm a possibilidade de fazer comentários e provocações em um blog, que será constantemente atualizado por um moderador. As oficinas vão mapear, ouvir e conectar especialistas e atores sociais para discutir os temas, induzir uma rede autônoma e contribuir para a preparação do Seminário.
Ascom/MinC - O MinC vem experimentando novas formas de promover, por meio da Internet, uma maior participação do público em suas ações. Como isso vem acontecendo?
Murilo - Começou ainda em 2004, quando montamos a interface do 1º Concurso de Idéias Originais e Demos de Jogos Eletrônicos. A idéia do ministro Gilberto Gil foi promover a criação de games baseados em idéias originais de jovens brasileiros. Para isso, criamos uma interface que convidava os participantes a abrirem suas criações à colaboração de outros, fomentando um processo de facilitação para o surgimento de narrativas emergentes e propondo um exercício para utilização dos então recém-criados conceitos de licenciamento Creative Commons.
Em 2005, o Seminário sobre Indústrias Criativas e o Programa Cultura e Pensamento incorporaram as idéias de utilização da Web para alargar o alcance dos debates em que reuniu pensadores da cultura em torno de temas contemporâneos. Em 2006, além da re-edição do Cultura e Pensamento, vários eventos como o Seminário sobre Mídia e sobre Capitalismo Cognitivo também estiveram disponíveis em transmissão ao vivo pela Internet. Na sequência, já em 2007, o Fórum de TVs Públicas foi contagiado pela utilização da Web como efetivo instrumento para o acompanhamento remoto e para o debate online em tempo real.
Ascom/MinC - Quais os resultados obtidos até agora?
Murilo - A Webcast, publicação de conteúdo em áudio e vídeo, e a disponibilização de fórum para abrigar os debates são válidas por propiciarem um eficiente modelo de documentação multimídia dos eventos, o que certamente vem multiplicando o efeito de tais reflexões na rede.
O que viemos perceber agora com a realização do Fórum de TVs Públicas é a importância fundamental de se mobilizar efetivamente o público interessado no debate por meio da aglutinação abrangente de representações legítimas dos setores da sociedade pertinentes ao tema, e ao mesmo tempo facilitar a utilização das ferramentas de interatividade online por parte deste público.
O I Fórum Nacional de TVs Públicas foi a experiência mais recente de interatividade que o MinC realizou [entre os dias 8 e 11 de maio deste ano]. Foram oferecidos no site do ministério um espaço para a Participação Remota. Os internautas podiam criar blogs para publicar seus comentários, artigos e outras contribuições para o Fórum, ou então acompanhar os debates ao vivo pela Internet, sendo possível enviar perguntas para as mesas do evento. Outro serviço que foi disponibilizado foi o Fórum de Discussão, composto por “salas” relacionadas aos temas discutidos no evento.
As participações via Internet multiplicam o grau de representatividade do evento, possibilitando aos agentes do processo de implementação da TV Pública conhecer e levar em conta o que os setores interessados esperam dela, cooperando então para a definição sobre a gestão, a programação e a fiscalização dessa TV, além de firmar o compromisso que ela deve ter com a sociedade. O resultado de toda discussão foi apresentado na Carta de Brasília, lida no encerramento do Fórum.
Ascom/MinC - Com a experiência adquirida, o que o MinC está propondo em termos de participação online para os próximos eventos?
Murilo - Para o Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural estamos propondo a realização de oficinas temáticas online, as quais estão tomando o formato de blogs a serem lançados antecedendo o evento presencial. A idéia é que tais oficinas - que contam com um curador especialista para orientar o debate, e um ‘blogueiro’ para pilotar o blog e facilitar a experiência de interatividade do público interessado - antecipem a mobilização dos atores pertinentes aos temas que serão debatidos no Seminário, tratando de aquecer o debate. A oficina do tema Cultura Digital está a ‘pleno vapor’. As outras três oficinas são: Conhecimentos Tradicionais; Economia da Cultura; e Propriedade Intelectual.
Acreditamos que os ‘oficineiros’, incluídos aí todos os que se sentiram de alguma forma atraídos pelo tema e se engajaram no debate na rede, passam a ter um papel fundamental na oxigenação do evento presencial. Trata-se de uma variação do formato de ‘desconferência‘ (unconference), que parte da premissa de que na audiência podem - e devem - existir pessoas mais interessantes para a qualidade do debate do que a suposta autoridade do conferencista. O sucesso de tal iniciativa pode transformar o evento presencial em mera etapa de um processo que ganha então impulso próprio. Mas isso é apenas o nosso desejo. No momento, resta-nos trabalhar pelo sucesso do projeto.
Ascom/MinC - De que forma esta estratégia se relaciona com o conceito de Cultura Digital, difundido pelo MinC?
Murilo - O ministro Gil costuma falar desse novo contexto, no qual a convergência tecnológica torna-se fato cultural, onde capacitar e instrumentalizar a sociedade para o uso das tecnologias digitais livres é fundamental para a realização plena da cidadania. Os Pontos de Cultura vêm cumprindo esse objetivo ao propor modelos efetivos de apropriação comunitária de conteúdos e dispositivos digitais, ao mesmo tempo em que promove a autonomia dos criadores e a auto-gestão política de seus processos.
Mas a Cultura Digital é também a possibilidade de se eliminar a exclusão ao acesso público à informação, à tecnologia, e à possibilidade de livre expressão. Estamos falando de uma verdadeira revolução. O debate sobre estas novas realidades deve ter lugar no ambiente governamental, e também na sociedade. A Cultura Digital prospera na construção destas inúmeras novas interconexões. Temos trabalhado no desenvolvimento de procedimentos e aplicações que possam constituir ferramentas efetivas de alargamento do alcance e de facilitação do livre fluxo da comunicação neste debate, no qual todos nós somos potenciais interlocutores. Nisto estamos trabalhando.
(Texto: Carolina Mazzaro)
(Ilustração capa: arte André Simas)
(Comunicação Social/MinC)
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Últimos comentários
20 comentários para "Fóruns virtuais, debates online e blogs culturais"
Venho sempre `a frente de batalha. Quero ver estimulando meus alunos a se intelectualizarem. Fomos ao MuBE. Lá eles tiveram o primeiro contato com ambiente artístico. Foram doze alunos, são de escola pública. E os outros milhões? Não irão? Estou lá!
Ainda tem cabeça que duvida do potencial educativo e de transmitir informação útil, da Internet. Vão ficar querendo, todos que estão conectados aproveitam e somam à sua própria a inteligência artificial. O negócio é saber mais sempre.
O computador é instrumento e ainda exerce atrativo, muito mais que o incomodo livro de papel. O resultado é que conta, não o meio usado para se educar.
A pressa é inimiga da Justiça?
Mas se o pai falhar no acordo vai preso, não interessa o porque.
Quando a mãe falha não há pressa e nada acontece.
Não é hora disso tudo mudar?
Os filhos agradecem.
Quando o pai falha no acordo judicial com a mãe vai preso!
A mãe falha, nada acontece.
Quando os pais injustiçados pelas decisões favoráveis somente as mães vão se rebelar?
Em nome dos filhos, lógico!
!O computador é usado da forma que se deve, ou não, é fato, cada vez mais. Mas a referência é em relação a obras de arte que podem ser estudadas pela internet, mas ao vivo para ver. Deleite artístico é no ao vivo.
Não há volta no tempo, depois deste
Se existe exclusão à educação, também existe à informatização. Primeiro, é necessário melhorar a educação, seja pública ou particular. Quem não sabe ler e interpretar, pesquisar, pensar, não saberá utilizar um computador da forma que deve.
No Blog da sala do segundo ano fica definitivamente para a posterioridade toda a turma que no final do ano se dispersaria. Este é o trabalho do professor Líbano: leva-los a realizar até sua própria eternidade. Criem!
Nos livros raros vemos páginas de textos, ilustrações em gravuras originais, tiragens limitadas, também, ao vivo. Na internet só imaginamos. A viagem é outra.
Nos livros raros vemos páginas de textos, ilustrações em gravuras originais, tiragens limitadas, também, ao vivo. Na internet só imaginamos. A viagem é outra. Entre na http://www.artponto.com
A pergunta é a mesma, vem de séculos:
Quem é Grumpolis Miniaticun?
Só uma pessoa ainda viva pode responder!