A comissão de estudo CB-21/SC-34 da Associação Brasileira de NormasTécnicas (ABNT) rejeitou a aprovação do formato Open XML, da Microsoft.A não aprovação representa um duro para a gigante do software em suacruzada para desenvolver e tornar o padrão uma alternativa ao OpenDocument Format (ODF), criado e apoiado pela comunidade de softwarelivre como especificação mundial para a leitura de documentos.
Adecisão pode dificultar bastante a aprovação do Open XML como um padrãoISO de formato de documento (texto, planilha eletrônica, desenho,apresentação, etc.) pelo Comitê Integrado de Tecnologia (JTC-1, nasigla em inglês), que define padrões técnicos tanto para a ISO comopara a Comissão Eletrotécnica Internacional. Isso porque a ABNT é umadas organizações de normatização participantes do subcomitê 34 (SC-34),e que, nesse caso específico, terá direito a voto.
Apesar de aMicrosoft vir pressionando para que Open XML tenha o certificado ISO, oformato de documento tem enfrentado fortes resistências em todo omundo. Na semana passada, o grupo executivo do Comitê Internacionalpara Padrões de Tecnologia da Informação da ISO/IEC (INCITS, na siglaem inglês), dos EUA, rejeitou, por um voto, a aprovação do Open XML. Avotação terminou em oito a sete, quando o número necessário paraaprovação pelo comitê era nove.
O Open XML é o formato padrão dearquivos usado pelo pacote Office 2007, que compete com o ODF, adotadopelo OpenOffice e que foi aprovado como um padrão ISO no ano passado. Acomissão de estudo da ABNT avaliou que o formato da Microsoft ainda nãoestá ‘maduro’ e, portanto, não garante a compatibilidade com outrospadrões (leia-se, aplicativos desenvolvidos em software livre) paracriação e leitura de documentos.
De acordo com Cezar Taurion,diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil, apesar de aMicrosoft garantir que o Open XML tem compatibilidade com documentoslegados, como os com extensões .doc e .ppt, ela ainda não conseguiucomprovar isso tecnicamente. Ele diz que, segundo avaliações técnicas,o Open XML, na prática, dificultaria o uso de outros formatos que nãosão compatíveis com o Windows e o Explorer. Para os críticos maisácidos à Microsoft, o Open XML nada mais é que um amontoado dedefinições que interessam apenas à companhia, que estaria tentandoevitar a interoperabilidade e a compatibilidade entre os programasaplicativos e, por tabela, a concorrência dentro de um mesmo padrão.
Verdadeiraou não essa acusação, a tendência com a decisão da ABNT, segundoTaurion, é que o formato da Microsoft não seja aprovado no JTC-1, queirá decidir sobre o caso em reunião que acontece no dia 2 de setembro.A opinião dele é que a existência de dois padrões para uma mesmafinalidade acaba por elevar o preço dos produtos ao consumidor final,como, por exemplo, os dois níveis de tensão elétrica em uso no Brasil eos diversos tipos de tomadas elétricas. Taurion não tem dúvidas de quea decisão da comissão da ABNT foi feita com base em parâmetrosestritamente técnicos, embora o documento do Open XML tenha 6 milpáginas, o que torna a análise um tanto difícil. A IBM é uma dasempresas que, ao lado de companhias como Oracle, Sun Microsystems,Mandriva, KOffice, Google e outras, fazem parte da ODF Alliance, queestá empenhada em promover o uso do formato OpenDocument.
Emcomunicado, a Microsoft Brasil observa que, conforme decidido nareunião da comissão de estudo da ABNT, a entidade encaminhará aoISO/IEC JTC1 o voto de desaprovação do padrão Open XML. Segundo aempresa, ‘é importante destacar que a desaprovação recebeu diversoscomentários técnicos que contribuirão para um aperfeiçoamento doformato Open XML’. Ainda de acordo com Microsoft, o fato de ter havidoconsenso técnico é efetivamente uma oportunidade de melhoria, processonatural na elaboração de qualquer norma técnica. ‘O país cumpriu umimportante papel nessa etapa de avaliação, fato que demonstra suacapacidade em um tema complexo e que envolve o processo de normatizaçãointernacional’, diz o comunicado.
A empresa diz que continuaráa interagir com representantes da sociedade civil, empresas privadas,associações empresariais, universidades e governo federal nodesenvolvimento do padrão Open XML, ‘que é uma alternativa ao outromodelo disponível no mercado, o ODF’. Segundo a Microsoft, o Open XMLreconhece versões anteriores de formatos de documentos, permite aconversão dos documentos em ODF e vice-versa, sem que haja umadependência a um único fornecedor para ambos os padrões.
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