O mercado cinematográfico brasileiro é caracterizado, assim como na maior parte dos países em desenvolvimento, pelo amplo domínio do produto importado americano. Diante deste modelo hegemônico, evidencia-se a dificuldade dos países periféricos para estruturar sua produção em busca de uma possível auto-sustentabilidade.
Além da concorrência com a globalizada indústria de produção norte-americana, a produção nacional encontra barreiras quase intransponíveis na distribuição e exibição dos seus filmes.
A partir dos anos 70, houve uma brutal queda do número de salas de cinema. O declínio se deve a fatores diversos, como o aumento do preço dos ingressos e a redução do poder de compra; a modificação dos hábitos de consumo, com a difusão dos shoppings centers; a profusão em massa da televisão; o aumento dos índices de violência, entre outros. Com o fechamento de cinemas de rua nas capitais e de estabelecimentos em outras cidades, o mercado ficou restrito, na sua maior parte, às grandes cidades e seus shoppings centers.
A partir de meados da década de 90, quando o Brasil tinha pouco mais de mil salas – na década de 70 superava as três mil salas -, o setor de exibição começou, lentamente, a dar sinais de recuperação com a entrada dos multiplex por operadoras estrangeiras. Esse fator aumentou a concorrência do setor, então praticamente estagnado, e forçou as empresas sobreviventes a buscarem a modernização das salas. Houve uma recuperação do mercado nacional balizado nos processos políticos, mas desta vez inserindo o filme como um produto audiovisual, dadas as necessidades do mercado e a possibilidade de recuperar seus custos ao longo da cadeia produtiva e de suas diferentes janelas de exibição.
Em todo o mundo, de um modo geral, apenas 25% da receita total de um filme vem da sua renda nas salas de exibição. Os outros 75% vêm dos chamados mercados ancilares (que correspondem às inúmeras formas alternativas de difusão que hoje conhecemos), sobretudo das televisões aberta e a cabo, mas também do homevideo, do laserdisc, do DVD e da crescente utilização da Internet e do futuro digital.A partir de 2000, com o advento da Lei do Audiovisual, houve uma retomada da produção de filmes de longa-metragem. A difusão, porém, ainda é uma questão complexa no Brasil. O Governo tem procurado estabelecer parcerias com as tvs aberta e a cabo, além da própria Ancine, no sentido de ajudar no aprimoramento da difusão de filmes nacionais. Conforme veremos, a participação do cinema nacional nas salas de exibição vem aumentando ao longo dos anos, assim como o público que assiste a filmes nacionais.
Com relação à geografia do setor cinematográfico no Brasil, o sudeste aparece como o principal centro produtor: o Rio tem 70% de captação, 66% dos filmes, e 68% do público; São Paulo 26%, 29% e 31%. Essa média diz respeito aos filmes realizados entre janeiro de 1996 e junho de 2003. Às vésperas de 2007, entretanto, essa tendência começou a se reverter, mesmo que de forma amena.
O Brasil possui uma sala de cinema para cada 105 mil habitantes. Essas salas estão normalmente concentradas em cidades com mais de 400 mil habitantes. As redes norte-americanas tendem a concentrar seus esforços de exibição em filmes do gênero blockbuster, restando aos mercados alternativos os chamados filmes de arte, que correspondem a 10% do mercado (2003).
Conheça o estudo completo do economista Felipe Ribeiro, do Ministério da Cultura: Indústria Cinematográfica Brasileira
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